007 – FILMES

MODELO DE TABELA COM 3 COLUNAS

01 007 Contra o Satânico Dr. No
Dr. No (1962)
Bond (Connery) combate um cientista louco que tem o poder de alterar as rotas dos foquetes espaciais.

 

Quem vê James Bond sempre destemido, pronto para se dar bem em qualquer situação, não supõe que ele foi um menino com problemas escolares e que perdeu os pais no início da adolescência.

O casal Andrew Bond e Monique Delacroix Bond – ele escocês ela suíça – tiveram apenas um filho, James, que nasceu na Escócia em uma data incerta entre 16 e 21 de novembro de 1924. Andrew Bond trabalhava como representante estrangeiro da indústria britânica de armamentos Vickers e tinha de viajar por vários países, o que permitiu ao pequeno James iniciar os estudos no exterior e aprender com perfeição já nessa época o francês e o alemão.

A infância privilegiada do garoto foi brutalmente interrompida aos 11 anos quando perdeu os pais. Eles sofreram um acidente fatal nas montanhas de Chaminix, nos Alpes. O garoto foi, então, morar com a tia Charmian Bond, irmã de seu pai em uma casa de campo em Pett Bottom, perto de Canterbury, na Inglaterra. Nessa fase James freqüentou escolas públicas britânicas até ingressar, aos 13 anos, no tradicional Eton College, onde havia sido matriculado desde o nascimento pelo pai. De certa forma a morte nas montanhas evitou a Andrew o constrangimento de ver seu filho único , dois anos depois, ser expulso por ter se envolvido com a criada de um dos colegas. Ao que tudo indica seu afã sedutor começava a se manifestar. No tradicional colégio para rapazes, James mostrou ter sido, o tempo todo, um estudante fraco. Quando pequeno não ia bem na escola, não que não fosse capaz. Ele simplesmente se entediava. Uma alma inquieta, Bond era o tipo de pessoa que não conseguia ficar inativa por muito tempo. Era um homem de ação. Sua carreira em Eton foi insignificante. Passou dois anos lá, sobressaindo-se nas atividades esportivas e ignorando as acadêmicas. Foi pego em uma pequena indiscrição com a criada, por isso foi convidado a deixar a escola, pelo que ficou grato. O lugar não significava nada para ele.

Com James longe do Eton, sua tia teve de transferi-lo para o Fettes, antigo colégio de Edimburgo, na Escócia, onde estudava o pai. Um lugar de atmosfera calvinista, que exigia o cumprimento de padrões rigorosos dos seus alunos, tanto do ponto de vista acadêmico quanto esportivo. Ainda jovem, o rapaz aprendeu a jogar golfe, a esquiar e a lutar box e judô. Fora os esportes, ele gostava apenas das aulas de história e dos treinos militares. Neste período, ele demonstrou ter sido mais comportado. Durante um feriado em Paris, na primavera de 1941, James perdeu a virgindade e a carteira na mesma noite. Ao sair do Fettes contou com a ajuda de um amigo do pai da época da Vickers para ingressar no Ministério da Defesa.

James, que tinha 17 anos, precisou mentir sobre sua idade e disse que tinha 19 anos. Apos destacadas missões na 2° Guerra Mundial – quando presumivelmente adquiriu sua cicatriz no rosto – e na categoria comandante da Royal Naval Volunter Reserve, começou a carreira no MI6, o Serviço Secreto Britânico. Aos 26 anos, em 1950, James ganhou o duplo zero, que lhe deu permissão para matar em serviço quando preciso. Três anos depois, foi condecorado com a Ordem de São Miguel e são Jorge, uma recompensa geralmente atribuída em final de carreira, o que revela a dimensão do seu mérito já nesse período. Desde que ingressou no MI6, com pouco mais de vinte anos, James Bond mostrou extraordinária vocação para a vida solitária. As constantes viagens a diversos países nunca o incomodaram. Também não se conhecem amigos íntimos ou se ele tem namoradas – 007, no entanto, foi casado duas vezes. É isso mesmo. O agente secreto teve duas esposas. A 1° foi japonesa Kissy Suzuki, com quem teve de se casar durante um missão, em 1967. O matrimonio arranjado durou pouco e, na missão seguinte, la se foi o agente para o altar novamente. Dessa vez, o frio e inabalável agente estava apaixonado pela condessa Teresa Tracy de Vicenzo, italiana que conheceu no Estoril. No caminho da lua de mel, porém, ela foi assassinada numa emboscada, preparada pelo líder da SPECTRO, Ernst Blofeld. Até hoje, o agente mau toca no assunto e, no filme For Yours Eyes Only em 1981 há uma cena em que ele visita o túmulo da condessa morta aos vinte e seis anos. A oferta de companhia feminina, contudo, nunca foi problema para Bond. Fisicamente, o agente secreto é um homem que já passou dos 35 anos, mede 1,83, pesa 76kg, seus cabelos são negros e seus olhos azuis. Queixo poderoso e firme, tem uma cicatriz na face direita, uma no ombro esquerdo, assim como a marca de uma operação nas costas. Não é somente por essa descrição que é fácil reconhecê-lo. Além de não usar disfarces, quase sempre se apresenta ao interlocutor dizendo o nome e sobrenome verdadeiro. Outra característica indefectível: Bond está sempre elegante vestindo camisas da Índia ou da Jamaica e gravatas de seda preta.

Como qualquer executivo, sua cor preferida é o azul marinho. Usa apenas mocassins, nunca sapatos com cadarços. É mais que por sua forma impecável de se vestir, no entanto, Bond abusa do charme e da inteligência. Fala fluentemente o inglês, francês, e o alemão. Adora bebidas – martini, vinho tinto e champagne – e dirigir automóveis em alta velocidade. E, é claro adora mulheres. Com tantos atributos ele consegue ser admirado até mesmo pelos inimigos, que quase sempre, tentam em vão, capturá-lo. Mas o agente 007 é considerado incorruptível. Em sua carreira no MI6, obteve rapidamente o duplo zero. Bond dá a impressão de ser um funcionário extremamente envolvido com o seu trabalho, mas preferiria não ter de utilizar os apetrechos que recebe a cada missão. Trata-se de um romântico: para ele, as lutas deveriam se resolver apenas no braço ou apenas com arma brancas como facas. Trabalhar muito não é o único vício do agente secreto. Ele come bem e fuma muito, uma média de 60 cigarros por dia. Durante períodos conturbados fuma mais ainda.

Seus cigarros preferidos misturam tabaco turco e balcânico e são fabricados para ele pela casa Morlands, da Grovesnor Street. James Bond carrega quase sempre uma cigarreira de aço, capaz de guardar 90 cigarros, e um isqueiro de metal preto. A rotina estressante é aliada a uma dieta tão pouco politicamente correta. Atleta completo, Bond é um exímio atirador, ótimo boxeador e lançador de facas – geralmente carrega uma escondida ao longo do seu antebraço esquerdo – e possui bons conhecimentos de Judô e Esgrima. O agente vive sozinho com sua empregada May, em um pequeno apartamento em Chelsea em Londres. Longe das viagens a trabalho, permanece das 10 às 18 horas em seu escritório, num insuspeito prédio em Regents Park, que é sede oficial da empresa em que trabalha, a Universal Exports – na verdade, o Serviço Secreto Britânico. É uma forma de combater uma vida solitária, pois não tem parentes vivos. Bond costuma dizer que gostaria de se casar com uma aeromoça, “que vai sempre sorrir e se ocupar de mim, servindo-me pratos quentes e perguntando se preciso de mais alguma coisa” . Na falta de uma aeromoça comenta que uma Japonesa serviria afinal elas tem uma noção bem exata do casamento.

O CRIADOR


Ian Fleming

Neto de um banqueiro escocês, filho de um respeitado e conservador membro do parlamento inglês, estudante do tradicional Eton era, ainda assim um garoto problema, que vivia a sombra do avô rico, do pai famoso e do irmão talentoso. Nascido em 1908, sua desforra foi não só criar o agente mais famoso do mundo, mas de certa maneira viver parte de sua vida como ele. Ian separou-se de sua mãe e seu irmão – o pai, Valentine, foi morto na I GUERRA MUNDIAL – e decidiu que era o momento de partir para Áustria, onde concluiu os estudos. Tempos depois conseguiu um emprego de jornalista na agência de notícias Reuters. Viajou à Rússia para realizar reportagens e…espionagens. Seu avô, no entanto, cansou-se de mandar dinheiro e o chamou para trabalhar no banco da família. Nos anos 30, antes da II GUERRA MUNDIAL começar, ingressou no Serviço de Inteligência da Marinha Inglesa. Deu o nome de Goldeneye a sua propriedade em frente ao mar, em Jamaica.