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E
provável que nenhum outro gênero cinematográfico de ficção tenha se prestado ao uso
propagandístico de maneira tão intensa quanto os filmes de guerra. Governos de todos os
quadrantes já tentaram, em maior ou menor grau, obter dividendos de obras que retratassem
conflitos anuais ou históricos. Nesse aspecto, entretanto, não houve país mais
eficiente do que os EUA, sobretudo durante a Segunda Guerra. Naquela época, o engajamento
de Hollywood no conflito traduziu-se em dezenas de títulos cujo objetivo evidente era
levantar o astral do país. E, como se isso não fosse o bastante, diversos cineastas e
atores de fato se alistaram e estiveram no front, de uniforme e tudo, num bem-sucedido
esforço de marketing.
Paradoxalmente, foi também nos EUA que o gênero abrigou reflexões muitas vezes ácidas
sobre a guerra de maneira geral è sobre a participação norte-americana em conflitos
específicos. Como seria de se esperar, a desastrada intervenção no Vietnã ocupa lugar
de destaque nessa galeria. Na verdade, o conflito no Sudeste Asiático deu origem a um
autentico sub-gênero que encontrou seus melhores momentos em três filmes muito distintos
entre si: Apocalypse Now (1979) de Francis Coppola, Platoon (1986) de Oliver Stone, e
Nascido para Matar (1987) de Stanley Kubrick. Essas três obras-primas compensam de longe
a profileração de produções baratas que, no fundo, tentam subverter a dura realidade
dos ratos registrados no Vietnã. Pois, ao contrário do que muitos desses filmes procuram
sustentar, os EUA não tinham razão em intervir - e, além disso, perderam a guerra.
Justiça seja feita, contudo, à Indústria norte-americana, que está longe de exercer
esse papel com exclusividade. Todas as cinematografias de países envolvidos em conflitos
recorreram em algum momento a dramas e aventuras de guerra para destacar as suas razões e
desancar as do inimigo eventual. Tem sido assim desde o inicio do século, quando os
diversos conflitos localizados surgidos. na Europa - e, depois, a própria Primeira Guerra
Mundial forneceram matéria-prima para filmes sob certo aspecto passionais: de um
lado personagens nobres e corajosos, os nossos homens; do lado oposto, os outros, víboras
uniformizadas.
Seria um equivoco, entretanto, acreditar que o interesse despertado pelo gênero deva-se
exclusivamente a essa característica. Fosse assim, e os filmes teriam público apenas em
seu pais de origem. Ocorre que, ao falar de guerra, pode-se lidar com um dos temas mais
ricos do cinema, a proximidade e a ameaça da morte. Ao duelar com ela, os personagens
ganham a simpatia e a solidariedade do espectador, que vivem as situações dramáticas da
tela como se elas estivessem ocorrendo ao seu lado, na platéia. Mesmo quem jamais vestiu
um uniforme militar pôde, através do cinema, ter ao menos uma idéia do horror
representado pela guerra. Horror que transforma o palco de qualquer conflito armado num
universo em que se repetem, com tintas mais carregadas, as relações de poder que
governam a humanidade. Bons exemplos são A Ponte do Rio Kwai (1957), de David Lean, e
Furyo Em Nome da Honra (1983), de Nagisa Oshima. Mais do que apenas retratos de
campos de prisioneiros, esses filmes são na verdade estudos da natureza humana.
Ao acompanhar o comportamento de pessoas comuns em circunstâncias adversas para muitos
insuportáveis, o gênero é capaz de proporcionar até mesmo instantes da mais pura
poesia, como em Agonia e Glória (1980), de Samuel Fuller. Ou, também, de produzir um
humor cortante, como Ardil 22 (1970), de Mike Nichols, e Bom Dia Vietnã (1987), de Barry
Levinson. O que chama a atenção para importância de separa o joio do trigo. Se é
verdade que boa parte dos filmes de guerra parece interessada apenas em mostrar
explosões, tiroteios e mortes espetaculares, há uma outra corrente que usa o gênero
para refletir sobre o mundo em que vivemos. E do qual, como demonstram os atuais conflitos
em diversos continentes, a guerra continua a fazer parte.






Esses filmes foram
escolhidos pelo Webcine, com certeza estão faltando muitos outros grandes filmes de
Guerra, você pode contribuir indicando o seu.
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