|

 |
Antes do Anoitecer |
Título
Original: Before Night Falls
Gênero:
Drama
Origem/Ano:
EUA/2000
Duração:
125 min
Direção:
Julian Schnabel
Elenco:
Sinopse:
Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cinema de Veneza de 2000, Antes do
Anoitecer é uma viagem ricamente imaginada através da vida e dos escritos do brilhante
ator cubano exilado Reinaldo Arenas. Dirigido e co-escrito por Julian Schnabel (de
Basquiat), o filme é estrelado pelo ator espanhol Javier Bardem (de Carne Trêmula e
Jámon Jámon), cuja atuação eloqüente e complexa como Arenas rendeu-lhe a Volpi Cup de
Melhor Ator do Festival de Cinema de Veneza.
Antes do Anoitecer cobre toda a vida de Arenas, desde a sua infância rural e o início de
seu envolvimento com a Revolução à perseguição que mais tarde ele experimentaria como
escritor e homossexual na Cuba de Fidel Castro; sua partida de Cuba no êxodo de 1980, do
Mariel Harbor, até o seu exílio e morte nos Estados Unidos. Trata-se de um retrato de um
homem cuja busca pela liberdade - artística, política, sexual - desafiou a pobreza, a
censura, a perseguição, o exílio e a morte. Como o trabalho de Arena, Antes do
Anoitecer combina passagens imaginárias com um realismo urgente; fazendo isso, ele
personifica o caráter criativo ao qual Arenas se dedicou: o de transformar a experiência
numa expressão desacorrentada.
Reinaldo Arenas nasceu em 16 de julho de 1943. Era filho de uma bela jovem, Olatz Lopez
Garmendia, que logo foi abandonada pelo marido. Confiando para si uma vida de castidade
amarga nessa sociedade machista, a mãe de Reinaldo voltou com ele para a fazenda de seus
pais na província Oriente. A infância de filho foi definida pelo contraste entre a
absoluta pobreza de sua família e o esplendor natural que o cercava; na abundância e
anonimato conferido por essas circunstâncias opressoras, ele encontrou uma liberdade
imensurável. O menino seguiu seus impulsos escrevendo poesia e observando rapazes se
banhando nus no rio.
Em 1958, a família de Reinaldo se mudou para a cidade de Holguín. Ainda na
adolescência, ele se juntou à insurreição de Fidel Castro para derrotar o ditador
Fulgencio Batista. Com o triunfo da Revolução, Reinaldo pôde tomar parte do novo e
ambicioso programa do governo para educar seus jovens.
No ano de 1962, Reinaldo estava estudando na Universidade de Havana e morando numa cidade
cosmopolita que pulsava com emoções e possibilidades. Ele descobriu que uma revolução
sexual estava ocorrendo junto com a revolução oficial e sua ampla gama de amantes
incluía o volátil e atraente Pepe Malas, que o apresentou à florescente subcultura
homossexual de Havana.
Nos primórdios da Revolução, a vida de Reinaldo foi uma exploração de sua identidade
como escritor e como homossexual, cada atividade exercida com deleite e alegria. Ele
entrou num concurso de histórias e seus talentos evidentes lhe renderam um trabalho na
prestigiosa Biblioteca Nacional. À época, era amigo de alguns dos escritores mais
celebrados de Cuba, incluindo Virgilio Piñera e José Lezama Lima. Aos 20 anos, escreveu
seu primeiro romance, Celestino Antes del Alba, premiado com o First Mention na
Competição Nacional Cirilo Villaverde.
Celestino Antes del Alba viria a ser o único livro de Reinaldo publicado em seu país
natal. No final da década de 60, o governo cubano deu início a uma brutal perseguição
aos artistas e homossexuais. Os escritores foram forçados a renunciar a seu trabalho e os
homossexuais foram enviados para campos de trabalho, cujos títulos floreados desmentiam
sua crueldade. Apesar do perigo, Reinaldo continuou a escrever, dando total liberdade à
sua visão irreverente e sincera. Seu segundo romance, El Mundo Alucinante, foi
contrabandeado para fora de Cuba e publicado na França, rendendo-lhe a hostilidade do
governo de Castro. Nos anos seguintes, ele ficou sujeito à uma perseguição incansável,
com o governo e a polícia vasculhando seus quartos, confiscando seu trabalho e ameaçando
seus amigos.
Em 1973, depois de uma briga na praia, Reinaldo foi acusado falsamente de molestamento
sexual e preso. Ele escapou da prisão e fez uma tentativa desesperada de fuga da ilha
dentro de um tubo. A tentativa falhou; Reinaldo agora era um fugitivo. Foi novamente preso
perto do Parque Lenin e enviado à famosa prisão El Morro; ali ficou por dois anos junto
com assassinos, estupradores e criminosos comuns, mas sobreviveu escrevendo cartas para as
mulheres e amantes dos presos, pois esses favores lhe permitiam juntar o papel e os lápis
que precisava para seus próprios escritos. Entretanto, suas tentativas em passar
escondido seu trabalho para fora da prisão foram descobertas e ele foi punido
brutalmente. Ao ter de enfrentar a escolha de renunciar ao seu trabalho ou de desaparecer
da face da Terra, Reinaldo optou pela primeira.
Depois de ser solto de El Morro, Reinaldo era um escritor premiado sem um lugar para
morar. Um amigo achou um quarto no hotel para ele e foi ali que Reinaldo conheceu Lázaro
Gómez Carriles, que se tornou seu grande amigo.
No ano de 1980, Fidel Castro permitiu que homossexuais, pacientes mentais e criminosos
partissem de Cuba. Uma mudança em seu passaporte no último minuto permitiu que Reinaldo
deixasse o país desapercebidamente do Mariel Harbor. Em Nova York, começou sua vida como
um exilado: pobre e sem pátria, mas com apetite renovado pela vida e escrevendo de forma
furiosa, com seu humor, raiva e honestidade intactos. No entanto, suas lutas estavam longe
de acabar. Depois de contrair AIDS, ele iniciou uma verdadeira e furiosa corrida contra a
morte para completar seus trabalhos em progresso.
Na época de sua morte, em 1990, Reinaldo já havia escrito mais de 20 livros, incluindo
dez romances e numerosos contos, poemas, ensaios e peças. Seus trabalhos representam a
mais apaixonada e furiosa obra já escrita contra o estado totalitarista. As memórias de
Reinaldo Arenas, Antes do Anoitecer, foi publicada em inglês em 1993 e foi considerada
pelo The New York Times Book Review um dos Melhores Livros do Ano.

Distribuição em
Vídeo: Fox
Álbum de Fotos





|
 |