HC – CINEMA FALADO



 CINEMA FALADO – O advento do som, nos Estados Unidos, revoluciona a produção cinematográfica mundial. Os anos 30 consolidam os grandes estúdios e consagram astros e estrelas em Hollywood. Os gêneros se multiplicam e o musical ganha destaque. A partir de 1945, com o fim da 2a Guerra, há um renascimento das produções nacionais – os chamados cinemas novos.

PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS – As primeiras experiências de sonorização, feitas por Thomas Edison, em 1889, são seguidas pelo grafonoscópio de Auguste Baron (1896) e pelo cronógrafo de Henri Joly (1900), sistemas ainda falhos de sincronização imagem-som. O aparelho do americano Lee de Forest, de gravação magnética em película (1907), que permite a reprodução simultânea de imagens e sons, é comprado em 1926 pela Warner Brothers. A companhia produz o primeiro filme com música e efeitos sonoros sincronizados – “Don Juan” (Don Juan – 1926), de Alan Crosland, o primeiro com passagens faladas e cantadas – “O Cantor de Jazz” (The Jazz Singer – 1927), também de Crosland, com Al Jolson, grande nome da Broadway, e o primeiro inteiramente falado – “Luzes de Nova York”, de Brian Foy (Lights of New York – 1928).

CONSOLIDAÇÃO – Em 1929 o cinema falado representa 51% da produção norte-americana. Outros centros industriais, como França, Alemanha, Suécia e Inglaterra, começam a explorar o som. A partir de 1930, Rússia, Japão, Índia e países da América Latina recorrem à nova descoberta.

A adesão de quase todas as produtoras ao novo sistema abala convicções, causa a inadaptação de atores, roteiristas e diretores e reformula os fundamentos da linguagem cinematográfica. Diretores como Charles Chaplin e René Clair estão entre os que resistem à novidade, mas acabam aderindo. “Alvorada do Amor” (The Love Parade – 1929), de Ernst Lubitsch, “O Anjo Azul” (Der Blaue Engel / The Blue Angel – 1930), de Joseph von Sternberg, e “M, o Vampiro de Dusseldorf” (M – 1931), de Fritz Lang, são alguns dos primeiros grandes títulos.

Dos anos 30 até a 2a Guerra, apesar de Hollywood concentrar a maior parte da produção cinematográfica mundial, alguns centros europeus como França, Alemanha e Rússia produzem obras que merecem destaque.

França – O realismo poético, com melodramas policiais de fundo trágico, de Jean Renoir de “A Grande Ilusão” (La Grande illusion / The Grand Illusion – 1937) e “A Besta Humana” (La Bête Humaine / The Human Beast – 1938), Marcel Carné de “Cais das Sombras” (Quai des Brumes / Port of Shadows – 1938), Julien Duvivier de “Um Carnê de Baile” (Un Carnet de Bal – 1937) e Jean Vigo de “Atalante” (L’ Atalante -1934) fornecem uma perspectiva lírica dos problemas sociais. Com a invasão nazista, eles são exilados.

Rússia – “A Nova Babilônia” (Novyj Vavilon / The New Babylon – 1929), de Grigori Kozintsev; “Volga-Volga” (Volga-Volga – 1938), de Grigori Aleksandrov; “Ivan, o Terrível” (Ivan Groznyj / Ivan the Terrible – ), de Sergei M. Eisenstein; e a “Trilogia de Máximo Gorki” (Detstvo Gorkogo / Childhood of Maxim Gorky – 1938), de Mark Donskoi, merecem destaque em um período dominado por filmes de propaganda sobre os planos qüinqüenais, impostos por Stalin.

Alemanha – A Alemanha nazista também descobre, com “O Triunfo da Vontade” (Triumph des Willens / Dokument vom Reichsparteitag – 1934), de Leni Riefenstahl, e “O Judeu Suss” (Jud Süß / Jew Süss – 1940), de Veidt Harlan, o cinema como instrumento de propaganda do regime.