HC – CRONOLOGIA NO BRASIL



Anos 1986 a 1899

1896 – Chega ao Rio de Janeiro o Omniographo instalado a Rua do Ouvidor – Rio de Janeiro, onde também é inaugurado o Salão Paris, a primeira sala de cinema regular do país, por Paschoal Segretto e José Roberto da Cunha Salles em 08 de julho.

1897 – Projetores denominados Animatographo, Cineographo, Vidamographo, Biographo, Vistascopio e Cinematographo são usados no Rio e em São Paulo.

Em novembro, Cunha Salles registra o primeiro filme nacional na seção de Privilégios Industriais do Ministério da Agricultura, no Rio de Janeiro.

1898 – Afonso Segreto, em 19 de junho, a bordo do paquete francês Brésil realiza a primeira filmagem brasileira “Fortaleza e Navios de Guerra na Baía da Guanabara”. Surge o cinema brasileiro. .Entusiasmado com as imagens da Baía da Guanabara, Segreto registra em 29 de junho, o cortejo que conduzia ao cemitério os despojos do presidente Floriano Peixoto.


Anos 1900 a 1909

1907 – É inaugurada a usina do Ribeirão Lages, regularizando o fornecimento de energia para o Rio de Janeiro. em menos de um ano são abertas dezoito novas salas de cinema no Rio de Janeiro.

1908 – Apogeu do período de intensa produção cinematográfica conhecido como “Bela Época”.

Surge o primeiro filme de ficção do Brasil. De acordo com Paulo Emílio Salles Gomes, há dúvidas sobre o título do filme. A tradição aponta “Os Estranguladores”, de Antônio Leal…”. A comédia “Nhô Anastácio Chegou de Viagem”, de Julio Ferrez, que foi exibida em junho de 1908, concorrendo ao mesmo título.


Anos 1910 a 1919

1911- Fundada a Companhia Cinematográfica Brasileira, dirigida por Francisco Serrador, é a associação de empresários ligados à recente, mas já poderosa, indústria cinematográfica norte-americana.

1912 – Crise. A produção nacional de cerca de cem filmes por ano, reduz-se drasticamente. Veteranos como Antônio Leal e Alberto Botelho dedicam-se apenas a poucos documentários.

1913 – São produzidos apenas três filmes de enredo – “O Caso dos Caixotes”, “O Crime de Paula Matos” e o “Crime dos Banhados”.

1915 – Cineastas passam a se interessar mais pela literatura brasileira. “Retirada da Laguna” e “Inocência” (Visconde Taunay), “O Caçador de Esmeraldas” (Olavo Bilac), “O Garimpeiro” (Bernardo Guimarães), “A Moreninha” (Joaquim Manuel de Macedo), “Iracema” (José de Alencar), e o “Mulato” (Aluísio Azevedo) estão entre as obras adaptadas nessa época.


Anos 1920 a 1929

1922 – O presidente Epitácio Pessoa cria comissão para realizar filme que marcasse o Centenário da Independência. A fita não sai do papel.

1923 – O cinema sai do eixo Rio-São Paulo. Filma-se em Campinas, Belo Horizonte e Rio Grande do Sul.

Fundação da Aurora Filme e início do ciclo regional de Pernambuco.

1924 – Primeiros regulamentos federais para a qualidade e a segurança das salas de cinema no Brasil, resultado do crescimento do circuito exibidor e do surgimento de salas destinada à elite, como o cine República, em São Paulo.

1925 – Na cidade mineira de Cataguases, o fotógrafo italiano Pedro Comello realiza experimentos com Humberto Mauro e, juntos, produzem “Os Três Irmãos” (1925)

1926 – Vittorio Capellaro filma versão de “O Guarani”, de José de Alencar.
Pedro Comello e Humberto Mauro produzem “Na Primavera da Vida”

1927 – Com o fim da parceria entre Humberto Mauro e Pedro Comello, Mauro realiza “Tesouro Perdido”. Ele faria ainda mais dois filmes em Cataguases (MG) – “Brasa Dormida” (1928), marco do cinema regional do período e “Sangue Mineiro” (1929).

1929 – Adhemar Gonzaga roda “Barro Humano”.


Anos 1930 a 1939

1930 – Adhemar Gonzaga cria a Cinédia, primeiro grande estúdio cinematográfico brasileiro. “Lábios Sem Beijos”, de Humberto Mauro, é o primeiro filme.

1931 – Mário Peixoto, aos 18 anos, filma “Limite”, seu único filme, principal experiência inspirada nas vanguardas européias.

1933 – No Rio de Janeiro, Humberto Mauro dirige “Ganga Bruta”, clássico idolatrado por Glauber Rocha e Carmem Miranda estréia em “A Voz do Carnaval”.

1934 – Carmem Santos monta a produtora Brasil-Vita Filme, no Rio de Janeiro. Humberto Mauro, seu principal cineasta, passa a trabalhar para o Instituto Nacional do Cinema Educativo (Ince) em 1937.

1937 – “O Descobrimento do Brasil”, de Humberto Mauro.


Anos 1940 a 1949

1941 – Surge, no Rio de Janeiro, a Atlântida, companhia criada por Moacir Fenelon, Alinor Azevedo e José Carlos Burle e que se consolidaria com as chanchadas de Grande Otelo e Oscarito. A produtora estreou com “Moleque Tião”, de José Carlos Burle.

1942 – A Cinédia aluga seus estúdios para RKO, que roda no Brasil o inacabado “It’s All True”, de Orson Welles.

1946 – Getúlio Vargas assina decreto obrigando a exibição de pelo menos três filmes brasileiros por ano, e estabelece as bases para a ação da censura que seria usada pelos governos militares: arte e cultura passam a ser assuntos de segurança pública.

O cantor Vicente Celestino estrela “O Ébrio”, de Gilda de Abreu, que se mantém durante algumas décadas como o maior sucesso de público do cinema brasileiro. Segundo estimativa conservadora, foi visto por 4 milhões de espectadores, ou 10% da população do país naquela época.


Anos 1950 a 1959

1950 – Um grupo de empresários liderado pelo italiano Franco Zampari funda a Companhia Cinematográfica Vera Cruz em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, para fazer filmes nos moldes hollywoodianos. O cineasta pernambucano Alberto Cavalcanti é convidado para dirigir o estúdio. Outros técnicos são trazidos do exterior para participar das grandes produções da época, o primeiro longa-metragem produzido é “Caiçara”, de Adolfo Celi.

1951 – Surge em São Paulo a Companhia Cinematográfica Maristela.

1952 – Adolfo Celi filma “Tico Tico no Fubá” e José Carlos Burle lança “Carnaval Atlântida”.

Mazzaropi estréia com seu estilo interiorano em “Sai da Frente”.

“Destino em Apuros”, de Ernesto Remani, é o primeiro longa-metragem colorido do país.

1953 – Lima Barreto lança “O Cangaceiro”, prêmio de Melhor Aventura no Festival de Cannes e o maior sucesso da Vera Cruz.

1954 – Luciano Salce dirige “Floradas da Serra”, o último filme de Cacilda Becker. Carlos Manga realiza duas chanchadas (o gênero aproximou o cinema brasileiro do grande público) com Oscarito: “Matou ou Correr” e “Nem Sansão Nem Dalila”. Watson Macedo faz “O Petrõleo é Nosso”.

1955 – Nelson Pereira dos Santos inaugura o Cinema Novo com Rio, “40 Graus”.

1957 – Nelson Pereira dos Santos filma “Rio, Zona Norte”.

1958 – Roberto Santos realiza “O Grande Momento”.

1959 – “Orfeu do Carnaval” (ou “Orfeu Negro”), de Marcel Camus, ganha a Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Baseado no musical Orfeu da Conceição, de Vinícius de Morais e Tom Jobim, o filme teve produção francesa e foi rodado no Brasil. Carlos Manga dirige “O Homem da Sputinik”. PauloCézar Saraceni filma “Arraial do Cabo”.

Mário Carneiro funda o cinema novo.

Os diretores brasileiros ffilmam com estilo próximo ao do neo-realismo italiano. Tanto a temática quanto os personagens passam a expressar uma identidade brasileira, precursora do cinema novo


Anos 1960 a 1969

1960 – Trigueirinho Neto faz “Bahia de Todos os Santos”.

1961 – O Cinema Novo ganha fôlego com Roberto Pires (“A Grande Feira”) e Glauber Rocha filma “Barravento”.

1962 – Galã da Atlântida, Anselmo Duarte ganha a Palma de Ouro em Cannes por “O Pagador de Promessas” e é o primeiro brasilero indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Norma Bengell faz o primeiro nu frontal do cinema brasileiro em “Os Cafajestes” de Ruy Guerra. Roberto Farias dirige “Assalto ao Trem Pagador”.

1963 – Nelson Pereira dos Santos realiza “Vidas Secas”, adaptação da obra de Graciliano Ramos, é o marco inicial do cinema novo, movimento que tem como proposta o filme de autor, feito a baixo custo, preocupado com a realidade social e enraizado na cultura brasileira. É a versão brasileira de estéticas nascidas após a II Guerra Mundial, entre elas o neo-realismo italiano e a nouvelle vague francesa.

A principal estrela da Vera Cruz, o comediante Amacio Mazzaropi, funda uma produtora. Sua primeira fita é Casinha Pequenina. Criador de tipos caipiras ao estilo do Jeca Tatu, Mazzaropi é um fenômeno de público.

1964 – As câmeras portáteis, surgidas na época, permitem filmar com mais facilidade, destacam-se as produções de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” de Glauber Rocha, “Noite Vazia” de Walter Hugo Khouri. “Os Fuzis”, de Ruy Guerra, recebe o Urso de Prata do Festival de Berlim.

José Mojica Marins roda À Meia-Noite Levarei Sua Alma. Nesta fita, o cineasta cria o coveiro Zé do Caixão, personagem bizarro com unhas longas, fraque e cartola interpretado por ele próprio. Sua extensa obra tem quase 150 títulos, entre os quais Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver e O Despertar da Besta

Golpe de estado interrompe os documentários “Cabra Marcado Para Morrer”, de Eduardo Coutinho, “Maioria Absoluta”de Leon Hirszman e “Integração Racial” de Paulo Cézar Saraceni.

1965 – Luiz Sérgio Person disseca São Paulo em “São Paulo S/A”.

Começa a Semana de Cinema Brasileiro, precursora do Festival de Brasília.

“Na Onda do Iê-Iê-Iê” lança Renato Aragão no cinema.

1967 – Surge o Festival de Cinema de Brasília.

Luiz Sérgio Person realiza “O Caso dos Irmãos Naves”. Glauber Rocha lança “Terra em Transe”.

Com “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver”, José Mojica Marins – o Zé do Caixão – populariza o cinema de terror brasileiro.

Ozualdo Candeias filma A Margem, obra considerada inspiradora do cinema marginal.

1968 – O cineasta Rogério Sganzerla dirige “O Bandido da Luz Vermelha”, fita ligada à estética chamada de marginal ou underground. São filmes experimentais que retratam a situação social do país de maneira debochada. Outras produções importantes do período: “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro” (Melhor Direção em Cannes) e “Fome de Amor” (Nelson Pereira dos Santos).

A 13 de dezembro, a ditadura militar lança o Ato Institucional nº 13, responsável pela censura de diversos filmes produzidos desde então.

Início do cinema marginal com os primeiroslongas de Bressane e Sganzerla.

1969 – Joaquim Pedro de Andrade adapta “Macunaíma”, de Mário de Andrade. Julio Bressane filma “Matou a Família e Foi ao Cinema” e “O Anjo Mau”. Cacá Diegues lança “Os Herdeiros”.

O Governo Militar funda a Embrafilme, que a princípio tem a função de distribuir filmes brasileiros e, logo depois, passa também a financiar produções nacionais.


Anos 1970 a 1979

1970 – Reserva de mercado de 112 dias por ano.

1973 – Hugo Carvana escreve, dirige e atua em “Vai Trabalhar, Vagabundo”. O filme conquista o Festival de Taormina, na Itália, e inaugura a neochanchada brasieleira. Arnaldo Jabor lança “Toda Nudez Será Castigada”, adaptação de Nelson Rodrigues, que arrebata o Urso de Prata no Festival de Berlim.

Surge o Festival de Cinema de Gramado.

1975 – O argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco estréia com o documentário “O Fabuloso Fittipaldi” e roda “O Rei da Noite”.

1976 – É criado o Conselho Nacional de Cinema (Concine) para normatizar e fiscalizar o mercado, em mais uma tentativa de industrialização da produção.

Ruy Guerra recebe o Urso de Prata do Festival de Berlim por “A Queda”. Babenco lança “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia”. Carlos Diegues dirige Zezé Mota em “Xica da Silva”.

Com “Os Trapalhões no Planeta dos Macacos”, tem início a carreira de sucesso dos filmes de Os Trapalhões, quarteto fundado no ano anterior. Seu líder, Renato Aragão, o Didi.

Em Novembro é lançado o filme “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, de Bruno Barreto, a produção brasileira de maior bilheteria em todos os tempos, com 12 milhões de espectadores.

1978 – Com “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas”, o grupo emplaca o segundo filme na lista dos maiores públicos do cinema brasileiro.


Anos 1980 a 1989

1980 – Com o fim da censura, a política e a realidade nacional voltam a ser temas de filmes, Hector Babenco lança “Pixote – A Lei do Mais Fraco”. Carlos Diegues faz nevar no Brasil no roadmovie “Bye, Bye Brasil”. Tizuka Yamasaki estréia em “Gaijin – Os Caminhos da Liberdade”. Glauber Rocha lança “Idade da Terra” seu último filme. Ao mesmo tempo a pornochanchada traz o público de volta aos cinemas em filmes como “A Noite das Taras”, de David Cardoso, que atrai boas bilheterias.

Produção recorde de 103 longa-metragens.

1981 – “Eles Não Usam Black-Tie”, de Leon Hirszman, conquista o Prêmio Especial do Júri no Festival de Veneza.

1983 – Walter Lima Jr. lança “Inocência”, adaptação do clássico de Visconde de Taunay, a partir de roteiro do cineasta Lima Barreto, de O Cangaceiro.

1984 – Murilo Salles estréia em longa-metragem com “Nunca Fomos tão Felizes”, vencedor do Leopardo de Bronze no Festival de Locarno, na Suíça. Eduardo Coutinho retoma “Cabra Marcado para Morrer”, filme barrado pela ditadura no início das filmagens em 1964.

Depois de rodar a comédia erótica “As Taras de Todos Nós”, produção da Boca do Lixo, em São Paulo, Guilherme de Almeida Prado assina a direção de “A Dama do Cine Shangai”.

1985 – A cineasta Suzana Amaral dirige seu primeiro longa, “A Hora da Estrela”, baseado no conto homônimo de Clarice Lispector, a protagonista Marcélia Cartaxo conquista o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim pela atuação.

1986 – Fernanda Torres divide o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes com Barbara Sukowa (Rosa Luxemburgo) por “Eu Sei que Vou te Amar”, de Arnaldo Jabor. Ana Beatriz Nogueira ganha o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim por “Vera”, de Sérgio Toledo. William Hurt recebe o Oscar de Melhor Ator por “O Beijo da Mulher Aranha”, de Hector Babenco. O filme, que contou com Sônia Braga no papel-título, foi rodado no Brasil.

1989 – Fernando Collor de Melo vence a eleição presidencial. No primenro dia de seu governo em 1990, extingue a Embrafilme. A produção nacional de filmes praticamente acaba.


Anos 1990 a 1999

1991 – Hector Babenco roda na Amazônia “Brincando nos Campos do Senhor”, com elenco americano e brasileiro.

1993 – “Alma Corsária”, de Carlos Reichenbach, é um dos filmes que sinalizam a recuperação do cinema brasileiro. A retomada ocorre com o surgimento de projetos de incentivo à produção cinematográfica e uma nova lei de audiovisual.

1994 – Sérgio Rezende filma “Lamarca”, com Paulo Betti como protagonista.

Aprovada a Lei do Audiovisual, sistema de financiamento baseado na renúncia fiscal.

Numa parceria inédita entre televisão e cinema, Cacá Diegues roda “Veja Esta Canção”, com produção da TV Cultura, de São Paulo.

1995 – Carla Camurati lança “Carlota Joaquina – Princesa do Brasil”. A imprensa liga o filme à retomada do cinema brasileiro.

1996 – Rosemberg Cariry realiza “Corisco e Dada”, seu trabalho de estréia em longa-metragem. Murilo Salles faz “Quando Nascem os Anjos”.

“O Quatrilho”, de Fábio Barreto, é indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

1997 – Lírio Ferreira e Paulo Caldas voltam à temática do cangaço em “Baile Perfumado”. Walter Lima Jr. realiza “A Ostra e o Vento”. Entre as principais estréias em longas-metragens estão “Os Matadores”, de Beto Brant, e “Um Céu de Estrelas”, de Tata Amaral.

“O Que é Isso Comanheiro?”, de Bruno Barreto, é indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Hector Babenco concorre à Palma de Ouro de Cannes com “Coração Iluminado”.

1998 – “Central do Brasil”, de Walter Salles Jr. recebe os prêmios de melhor filme e melhor atriz – Fernanda Montenegro – do Festival de Berlim e mais de 40 prêmios em outros festivais a produção concorre ao Oscar de melhor filme estrangeiro. A estrela da fita, Fernanda Montenegro é indicada para melhor atriz. Entre as adaptações literárias, tem destaque “Orfeu”, peça de Vinicius de Moraes filmada por Cacá Diegues. Os documentários “Fé”, de Ricardo Dias, e “Santo Forte”, de Eduardo Coutinho, prêmio de melhor filme no Festival de Brasília, registram manifestações religiosas brasileiras. “Nós Que Aqui Estamos por Vós Esperamos”, de Marcelo Masagão, faz um balanço incomum do século XX, misturando personalidades com personagens anônimos. O veterano cineasta paulista Carlos Reichenbach lança “Dois Córregos”, seu trabalho mais lírico.


Anos 2000 a 2009

2000 – O cinema brasileiro retorna depois de 11 anos à mostra competitiva do Festival de Cannes com o longa Estorvo, de Ruy Guerra, baseado no romance de Chico Buarque, e o curta Três Minutos, de Ana Luíza Azevedo. Eu, Tu, Eles, de Andrucha Waddington, é bem recebido pela crítica internacional na mostra paralela Un Certain Regard. Mesmo exibido de modo restrito no país, com apenas quatro cópias, Cronicamente Inviável, de Sérgio Bianchi, causa polêmica pelo retrato que faz do Brasil. Castelo Rá-Tim-Bum – O Filme, de Cao Hamburger, é uma adaptação bem-sucedida do programa infantil da TV Cultura. Reunidos no 3º Congresso Brasileiro de Cinema, o primeiro realizado desde 1953, profissionais de diversas áreas assinam a Carta de Porto Alegre, documento que resume as dificuldades da produção nacional e propõe soluções ao governo e à iniciativa privada.

2001 – Com o filme “Bicho de Sete Cabeças”, da estreante Laís Bodanzky, o ator Rodrigo Santoro arrebata os principais prêmios de melhor ator dos festivais de cinema do país. A comissão nomeada pelo governo para escolher a produção brasileira que tentará a indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro indica “Abril Despedaçado”, de Walter Salles Jr. Por meio de medida provisória, o presidente Fernando Henrique Cardoso cria a Agência Nacional do Cinema (Ancine), órgão de fomento, regulação e fiscalização da indústria cinematográfica e videofonográfica, dotado de autonomia administrativa e financeira e vinculado diretamente à Presidência da República. A autonomia da agência é possibilitada pelos recursos obtidos com a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine), em duas modalidades de recolhimento: por título e percentual de bilheteria.

2002 – O cineasta Gustavo Dahl é empossado como diretor-presidente da Ancine. A agência esvazia as atribuições do Ministério da Cultura na área do audiovisual ao assumir, entre outras atividades, o registro e conseqüente taxação de todos os filmes e vídeos produzidos ou lançados no Brasil, bem como a manutenção do acervo que registra a história do cinema no país. Estima-se que os recursos da Ancine alcancem 80 milhões de reais, superior à média movimentada pelas leis Rouanet e do Audiovisual (cerca de 65 milhões de reais). “Abril Despedaçado” é indicado para o Globo de Ouro, vencido por “Terra de Ninguém”, do bósnio Denis Tanovic, mas não é selecionado entre os cinco candidatos ao Oscar de filme estrangeiro. “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, baseado em romance de Paulo Lins, participa fora de concurso da seleção oficial do Festival de Cannes, impressiona a crítica internacional e dá início a uma bem-sucedida carreira, com público superior a 3 milhões de espectadores no Brasil e direitos de distribuição vendidos para 62 países. O outro grande filme de ficção lançado no ano é “O Invasor”, de Beto Brant, prêmio de melhor filme latino-americano no Sundance Festival. O destaque do ano, no entanto, vem dos documentários, com “Edifício Máster”, de Eduardo Coutinho; “Ônibus 174”, de José Padilha; “Janela da Alma”, de João Jardim e Walter Carvalho; e “Rocha Que Voa”, de Eryk Rocha. Outro documentário, “Surf Adventures”, de Arthur Fontes, rompe barreira histórica para o gênero e tem 500 mil espectadores.

2003 – O ano é de grande sucesso para o cinema nacional, que registra aumento brutal de público – cerca de 220% – em comparação com 2002. Parte desse sucesso deve-se à estréia de “Casseta e Planeta – A Taça do Mundo É Nossa” e duas adaptações de programas da TV Globo: “Os Normais – O Filme” e “Lisbela e O Prisioneiro”, de Guel Arraes. “Carandiru”, de Hector Babenco, é uma das principais estréias de 2003 e ganha reconhecimento tanto de público quanto da crítica. O filme participa da seleção oficial do Festival de Cannes, ganha o prêmio de melhor filme no Festival de Havana e é o escolhido para representar o Brasil na indicação ao Oscar de filme estrangeiro de 2004. “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, é reconhecido internacionalmente e ganha o prêmio de melhor filme estrangeiro de 2003, concedido pela Associação de Críticos de Nova York. Outras produções de destaque são: “Amarelo Manga”, de Cláudio Assis; O Homem que Copiava, de Jorge Furtado; Deus É Brasileiro, de Cacá Diegues; e “De Passagem”, de Ricardo Elias, vencedor do Festival de Gramado. Glauber o Filme, “Labirinto do Brasil”, de Sílvio Tendler, recebe os prêmios da crítica e do júri popular no Festival de Brasília. No mesmo festival, “Filme de Amor”, de Júlio Bressane, é o vencedor do troféu Candango de melhor filme. A edição de 2003 é considerada histórica, por selecionar obras experimentais e autorais.

O anúncio de novos critérios para o patrocínio de projetos culturais, adotados pelas empresas estatais Eletrobrás e Furnas Centrais Elétricas, causam protestos de parte da classe cinematográfica, liderados pelo cineasta Cacá Diegues. Os novos critérios incluíam medidas de contrapartida social, vistas como dirigismo por esses artistas. O fato leva o Ministério da Cultura a concentrar as discussões sobre o patrocínio cultural de empresas estatais, o que antes era atribuição do Ministério das Comunicações.

2004 – “Diários de Motocicleta”, de Walter Salles, investe na biografia de juventude de Che Guevara e torna-se a grande aposta brasileira para prêmios internacionais. Os dois grandes campeões de público, ultrapassando a barreira dos 3 milhões de espectadores, são “Cazuza – O Tempo Não Pára”, de Sandra Werneck e Walter Carvalho, e “Olga”, de Jayme Monjardim. Outras produções significativas são: “Narradores de Javé”, de Eliane Caffé; “Benjamim”, de Monique Gardenberg; “De Passagem”, de Ricardo Elias; “O Outro Lado da Rua”, de Marcos Bernstein; “Filme de Amor”, de Júlio Bressane; “Querido Estranho”, de Ricardo Pinto e Silva; “Redentor”, de Claudio Torres; “Contra Todos”, de Roberto Moreira. Entre os documentários, destacam-se “Motoboys – Vida Louca”, de Caíto Ortiz, e duas produções que enfocam aspectos da trajetória do presidente Lula: “Peões”, de Eduardo Coutinho, trata de personagens desconhecidos que participaram das greves no ABC paulista, na época em que Lula era sindicalista; “Entreatos”, de João Moreira Salles, retrata os bastidores da campanha para a Presidência em 2002.

O governo brasileiro dá início às discussões para a criação da Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancinav), órgão do Ministério da Cultura que regulamentaria a produção cinematográfica e televisiva brasileira. Esse projeto de lei é duramente criticado pelas distribuidoras, que temem uma política protecionista, e os que suspeitam de controle ideológico.

Pós-retomada: a partir de 2004
O cinema brasileiro bateu recorde em 2013, com mais de 127 longa-metragens que chegaram às telas, 9 dos quais fizeram mais de 1 milhão de espectadores, enquanto 88 foram visto por menos de 10 mil pessoas, de acordo com informações divulgadas pela Agência Nacional do Cinema. Os números marcam aquele que é o melhor ano da indústria audiovisual nacional desde o início dos anos 1980. Antes, os anos mais fortes para a produção brasileira, em bilheteria, haviam sido 2010, quando os longas nacionais venderam 25,687 milhões de ingressos, e 2003, com 22,055 milhões de ingressos vendidos. Em número de lançamentos, os melhores anos, depois de 2013, foram 2011, com 99 títulos, e 2009, com 84. O salto prova que a indústria nacional está se consolidando. A arrecadação também obteve um crescimento significativo ao superar a cifra de R$ 270 milhões, quase o triplo do arrecadado em 2012, quando houve um retorno de R$ 157 milhões. A maior parte do faturamento derivou de comédias como Minha Mãe é uma Peça e De Pernas pro Ar 2, enquanto dramas como Serra Pelada, Flores Raras e O Segredo dos Diamantes faturavam abaixo do esperado ou encontravam problemas para serem distribuídas. Acerca dessas comédias, o crítico da Folha de S.Paulo Inácio Araujo afirma que “o cinema brasileiro continua a buscar seu público. E a referência desse público amplo, hoje, é a estética dos programas da Globo ou os blockbusters americanos. Esses últimos não podemos imitar. Então o cinema imita, no que pode, a Globo. São essas comédias idiotas, com atores que se esforçam para imitar atores de teatro colegial, aquela luz esbranquiçada. O público responde bem a isso. Que dizer? Não é o cinema brasileiro que está doente. É o cinema.”


Prêmios brasileiros de cinema
Atualmente há muitas premiações e festivais de cinema nacional. Alguns deles são: Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (a principal premiação do cinema nacional), Festival de Gramado, Mostra de Cinema de Tiradentes, Festival do Audiovisual, MixBrasil, Festival Paulínia de Cinema, Festival do Rio, e muitos outros.

O cinema nacional ganha reconhecimento

Hoje em dia, o cinema brasileiro ganha cada vez maior destaque no cinema mundial, enfim ganhando mais espaço entre os filmes estrangeiros. Há filmes brasileiros concorrendo em grandes festivais de cinema internacional. Como exemplos temos Aquarius (2016), de Kleber Mendonça Filho, sucesso entre a crítica mundial. E também o filme Praia do Futuro (2014), de Karim Aïnouz, muito lembrado pela atuação de Wagner Moura, que interpreta um personagem que tem relações sexuais com outro homem. O filme foi indicado ao Urso de Ouro do Festival de Cinema Internacional de Berlim. Vale lembrar que Tropa de Elite (2007), de José Padilha, foi vencedor do mesmo prêmiado.


Os 10 melhores filmes brasileiros, segundo a Abraccine

01 – Limite (1931), de Mario Peixoto

02 – Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha

03 – Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos

04 – Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho

05 – Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha

06 – O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla

07 – São Paulo S/A (1965), de Luís Sérgio Person

08 – Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles

09 – O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte

10 – Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade


Os 10 maiores Públicos

01 – Nada a Perder – 11,9 milhões

02 – Os Dez Mandamentos – 11,3 milhões

03 – Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro – 11,1 milhões

04 – Dona Flor e Seus Dois Maridos – 10,7 milhões

05 – Minha Mãe é Uma Peça 2 – 9,8 milhões

06 – A Dama do Lotação – 6,5 milhões

07 – Se Eu Fosse Você 2 – 6,1 milhões

08  – O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão – 5,7 milhões

09  – Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia – 5,4 milhões

10 – 2 Filhos de Francisco – 5,3 milhões


10 Maiores Bilheterias (Ancine)

01 – 2016 Minha mãe é uma peça 2 – R$ 124.681.177,82

02 – 2016 Os dez mandamentos – O filme – R$ 116.833.026,88

03 – 2010 Tropa de Elite – R$ 2 103.461.153,74

04 – 2012 De pernas pro ar – R$ 2 50.312.134,36

05 – 2013 Minha mãe é uma peça – R$ 49.533.218,31

06 – 2009 Se Eu Fosse Você – R$ 2 47.624.137,00

07 – 2015 Loucas pra Casar – R$ 45.688.069,53

08 – 2013 Até que a Sorte nos Separe – R$ 2 45.274.441,66

09 – 2015 Até que a sorte nos separe – R$ 3 42.262.993,62

10 – 2015 Vai que Cola – O Filme – R$ 41.803.908,21