Com poucos recursos, linguagem mais simples, temáticas contestadoras, atores não-profissionais e tomadas ao ar livre os filmes retratam o dia-a-dia de proletários, camponeses e pequena burguesia. "Obsessão" (Ossessione - 1943), de Luchino Visconti, é considerada a obra inaugural do neo-realismo. A trilogia de Roberto Rosselini, Roma, "Cidade Aberta" (Roma, città aperta / Rome, Open City - 1945), "Paisà" (Paisà - 1946) e "Alemanha, Ano Zero" (Germania Anno Zero / Germany Year Zero - 1947), ao lado de "Ladrões de Bicicleta" (Ladri di Biciclette / The Bicycle Thief - 1948) e "Umberto D" (Umberto D - 1952), de Vittorio De Sica, constituem os grandes marcos do movimento. Destacam-se também "A Romana" (La Romana / Woman of Rome - 1954), de Luigi Zampa, "O Capote" (Il Cappotto / The Overcoat - 1952), de Alberto Lattuada, "O Ferroviário" (Il Ferroviere / Man of Iron / The Railroad Man - 1956), de Pietro Germi, e "A Terra Treme" (La Terra trema / The Earth Trembles - 1948), de Visconti. Vittorio De Sica (1902-1974), diretor e ator italiano, estréia no cinema em 1922. Na década de 30, torna-se o galã popular nas comédias ligeiras do diretor Mario Camerini. A partir de 1940 passa a dirigir, trabalhando em parceria com o roteirista Cesare Zavattini. Juntos, realizam as maiores obras do neo-realismo: "Milagre em Milão" (Miracolo a Milano / Miracle in Milan - 1950) e "O Teto" (Il Tetto / The Roof / Le Toit - 1956). Recebe três Oscars de filme estrangeiro por "Ontem, Hoje e Amanhã" (Ieri, Oggi e Domani / Yesterday, Today and Tomorrow - 1963), "Casamento à Italiana" (Matrimonio all'Italiana / Marriage Italian-Style - 1964) e "O Jardim dos Finzi Contini" (Il Giardino dei Finzi-Contini / The Garden of the Finzi-Continis - 1971). Roberto Rosselini (1906-1977), nasce na Itália, em uma família rica, e se interessa por cinema influenciado pelo avô, proprietário de uma casa de espetáculos. Após realizar curtas amadores ingressa na indústria cinematográfica, durante o fascismo, como assistente de direção. Trabalha como supervisor de diversos filmes, como "L'Invasore" (L' Invasore / Invader, The - 1943), de Nino Giannini, e "Benito Mussolini" (Benito Mussolini / Blood on the Balcony - 1961), de Pasquale Prunas. Em 1963 escreve o roteiro de "Tempo de Guerra" (Les Carabiniers / The Riflemen / The Soldiers - 1963), de Godard. Na década de 60, depois de um romance turbulento com a atriz Ingrid Bergman, Rosselini ingressa na televisão educativa, para a qual faz seus últimos trabalhos.
Nos anos 70 retoma-se a discussão política ou existencial com Ettore Scola, herdeiro da comédia italiana surgida no pós-guerra, Francesco Rosi de "O Caso Mattei" (Il Caso Mattei / The Mattei Affair - 1972), Mario Monicelli por "Meus Caros Amigos" (Amici Miei / My Friends - 1975), Elio Petri por "A Classe Operária Vai ao Paraíso" (La Classe operaia va in paradiso / Lulu the Tool / The Working Class Goes to Heaven - 1971), Gillo Pontecorvo por "Queimada" (Queimada / Burn! / Mercenary, The - 1969), Valério Zurlini por "A Primeira Noite de Tranqüilidade" (La Prima Notte di Quiete / Il Professore - 1972), Dino Risi por "Perfume de Mulher" (Profumo di donna / Scent of a Woman / Sweet Smell of Woman / That Female Scent - 1974), Mauro Bolognini por "A Grande Burguesia" (Fatti di gente per bene / Drama of the Rich / La Grande Bourgeoise / The Murri Affair - 1974), Marco Ferreri por "A Comilança" (La Grande Bouffe / Blow-Out / The Grande Bouffe / La Grande abbuffata - 1973), Marco Bellocchio por "De Punhos Cerrados" (I Pugni in Tasca / Fist in His Pocket / Fists in the Pocket - 1965) e Bernardo Bertolucci por "O Último Tango Em Paris" (Ultimo tango a Parigi / Last Tango in Paris / Lê Dernier Tango à Paris - 1972). Na década de 80, toda a força e originalidade do cinema mediterrâneo continua presente nos irmãos Vittorio e Paolo Taviani (Pai patrão), Lina Wertmuller (Camorra), Ermano Olmi (A árvore dos tamancos) e Ettore Scola (O baile). Os anos 90 trazem Giuseppe Tornatore (Cinema paradiso), Maurizio Nicheti (Ladrões de sabonete), Gabriele Salvatore (Mediterrâneo), Daniele Luchetti (O senhor ministro), Nanni Moretti (A missa acabou), Gianni Amelio (Ladrão de crianças) e, novamente, Monicelli (Parente é serpente), Scola (A viagem do capitão Tornado) e Fellini (A voz da lua). Michelangelo Antonioni (1912-) nasce em Ferrara, na Itália, forma-se em economia e comércio em Bolonha, mas prefere exercer o jornalismo. Trabalha como crítico de cinema, assistente de direção de Marcel Carné e roteirista de Federico Fellini. A solidão é um dos temas centrais de sua obra. São famosos os seus planos longos e fixos, demonstrando domínio total da imagem. Sua trilogia da incomunicabilidade A aventura (1959), A noite (1960) e O eclipse (1961) obtém limitado sucesso comercial. O reconhecimento do público vem com Blow-up, em 1967, filmado em Londres. Nos EUA, dirige Zabriskie point (1970), no qual faz uma autópsia da sociedade de consumo norte-americana, e O passageiro (1975). Seu último filme é Identificação de uma mulher (1982). Federico Fellini (1920-1993), nasce em Rimini, Itália, e trabalha como jornalista e caricaturista. Começa no cinema aos 19 anos, como roteirista de comédias. Considerado o maior gênio do cinema contemporâneo, Fellini cria em suas obras um universo extremamente rico e complexo. Busca inspiração em suas experiências pessoais, desenvolvendo um estilo fantástico e surreal. Em 1943 casa-se com a atriz Giulietta Masina, com quem fica até a morte. Entre suas obras-primas estão Os boas-vidas (1953) e Amarcord (1973), que retratam sua juventude, As noites de Cabíria (1957), com Giulietta Masina, A doce vida (1960), um perfil desiludido da burguesia italiana, Fellini oito e meio (1963), uma grande autobiografia, e E la nave va (1985), um de seus últimos sucessos. Ettore Scola (1931- ) nasce na província italiana de Avelino, muda-se mais tarde para Roma. Inicia curso de direito, mas acaba se dedicando ao jornalismo, como diagramador de um periódico humorístico. É contratado por roteiristas para escrever piadas para o cinema, passando, gradualmente, a atuar como diretor. Considerado o maior gênio do cinema italiano dos anos 70/80. Sempre esteve ligado ao Partido Comunista Italiano e suas obras são marcadas pela temática social e política. Seu primeiro sucesso, Ciúme à italiana (1970), inicia a sátira política. Realiza grandes filmes como Nós que nos amávamos tanto (1974), Feios, sujos e malvados (1975), Um dia muito especial (1977), Casanova e a revolução (1982), Maccaroni (1985) e A família (1986).
Nouvelle vague Seus integrantes críticos do Cahiers du Cinéma propõem um cinema de autor, criticam as produções comerciais francesas e realizam obras de baixo custo em que rejeitam o cinema de estúdio e as regras narrativas. Diferentemente do movimento neo-realista, a nouvelle vague volta-se menos para a situação social e política do país e se interessa mais pelas questões existenciais de seus personagens. Seus representantes, Jean-Luc Godard (Acossado), François Truffaut (Os incompreendidos), Claude Chabrol (Os primos), Alain Resnais (Hiroshima, meu amor ), Louis Malle (Trinta anos esta noite) e Agnès Varda (Cleo das 5 às 7) seguirão, no futuro, caminhos individuais divergentes. Jean-Luc Godard (1930- ), diretor e crítico francês, nasce em Paris, onde estuda etnologia e jornalismo. Um dos fundadores da nouvelle vague, é também um dos formuladores da "política de autor", em que o diretor é considerado o único autor na produção de uma fita. Como crítico, colabora no Cahiers du Cinéma e outras revistas especializadas. Seu primeiro longa-metragem é Acossado (1959). Entre suas obras, merecem destaque O pequeno soldado (1960), Uma mulher casada (1964) e A chinesa (1967). Je vous salue Marie, de 1985, é considerado herege pelo papa João Paulo II. Em 1993, lança Infelizmente para mim. François Truffaut (1932-1984), diretor francês, participa do Cahiers du Cinéma e da política de autores. Considerado o poeta da nouvelle vague, faz críticas de cinema durante vários anos e escreve livros sobre o tema, dos quais o principal é sobre a série de entrevistas que realizou com Alfred Hitchcock, seu cineasta preferido. Foi assistente de Rosselini e escreveu o roteiro de Acossado, de Godard. Dentro de sua produção ganham destaque os filmes Fareinheit 451 (1966), A noiva estava de preto (1967) e A história de Adele H (1975). Produções recentes Após a década de 60, predomina um cinema intimista voltado para o retrato do cotidiano: Bertrand Blier (Meu marido de batom), Eric Rohmer (Amor à tarde), Bertrand Tavernier (Por volta de meia-noite), Patrice Leconte (O marido da cabeleireira), Yves Robert (A glória de meu pai), Michel Deville (Uma leitora bem particular). Jean-Jacques Beineix (Betty Blue, A lua na sarjeta) e Luc Besson (Nikita) revigoram o filme noir. Superproduções de sucesso são realizadas por Jean-Jacques Annaud (O amante), Leos Carax (Os amantes da Pont-Neuf), Maurice Pialat (Van Gogh), Régis Wargnier (Indochina), Jean-Paul Rappeneau (Cyrano de Bergerac), Louis Malle (Perdas e danos), Jacques Rivette (A bela intrigante) e Alain Corneau (Todas as manhãs do mundo).
Alfred Hitchcock (1899-1980) é considerado o mestre do suspense. Nasce em Londres, filho de pais católicos, e recebe formação jesuítica. Começa a escrever roteiros em 1923, na Inglaterra. Muda-se para os Estados Unidos, em 1939, levado pelo produtor David Selznick, e filma Rebecca um ano depois. Influencia muitos diretores e faz grandes filmes de sucesso: O homem que sabia demais (1934), Interlúdio (1946), Festim diabólico (1948), Janela indiscreta (1954), Um corpo que cai (1958), Psicose (1960) e Os pássaros (1963). Billy Wilder (1906- ), nasce em Viena, na Áustria. Trabalha como jornalista e crítico de arte. Muda-se para a Alemanha, onde passa a escrever roteiros de cinema. A partir de 1933 vai para Hollywood e torna-se roteirista de diretores como Lubitsch e Howard Hawks. Sofisticado nas comédias e dramas, seus filmes marcam época e se tornam clássicos, como Crepúsculo dos deuses (1950), A montanha dos sete abutres (1951), uma crítica à imprensa marrom, e O pecado mora ao lado (1955), com a atriz Marilyn Monroe. Escola de Nova York A partir de 1955, a reação ao sistema de estúdio vem com a Escola de Nova York, influenciada pelo neo-realismo italiano Delbert Mann (Vidas separadas) e Martin Ritt (Despedida de solteiro) e os jovens cineastas saídos da TV: Sidney Lumet (O homem do prego) e Arthur Penn (Um de nós morrerá). Surge um cinema inconformista, que aborda temas polêmicos: o conflito de gerações em Juventude transviada, de Nicholas Ray; a guerra em O julgamento de Nüremberg, de Stanley Kramer; injustiça social em Sindicato de ladrões, de Elia Kazan; sexo e intolerância moral em Clamor do sexo, de Kazan, ou Gata em teto de zinco quente, de Richard Brooks. Décadas de 60/70 Nos anos 60, Stanley Kubrick (O Dr. Fantástico), John Frankenheimer (Sob o domínio do mal) e Sidney Pollack (A noite dos desesperados) continuam voltados para a crítica social e os problemas humanos. Na década de 70 Francis Ford Coppola (O poderoso chefão, Apocalypse now), Martin Scorsese (Taxi driver) e Robert Altman (Mash) dissecam aspectos traumáticos da sociedade americana, enquanto a tradição do musical é renovada por Bob Fosse (Cabaré) e a do cinema de humor por Woody Allen (Noivo neurótico, noiva nervosa), Mel Brooks (O jovem Frankenstein) e Blake Edwards (S.O.B.). Emigrados do Leste europeu, o tcheco Milos Forman (Um estranho no ninho) e o polonês Roman Polanski (Chinatown) aclimatam-se aos EUA. A era das superproduções renasce com Steven Spielberg (Encurralado) e George Lucas (Guerra nas estrelas). As bilheterias registram fenômenos de público, como Rocky, o lutador, que lança o ator e diretor Sylvester Stallone. Woody Allen (1935- ), Alan Stewart Konigsberg, ator, roteirista e diretor americano. Filho de um chofer de táxi e uma vendedora de floricultura, nasce em Manhattan, cenário de grande parte de seus filmes. Sempre tímido, descobre no humor uma forma de conquistar amizades. Inicia a carreira escrevendo piadas para um programa humorístico da NBC. Posteriormente, comanda shows em boates, quando, em 1965, Shirley McLaine e o produtor Charles Feldman o contratam como ator e roteirista do filme O que é que há gatinha? Um ano depois, estréia como diretor e seu humor inteligente e refinado produz grandes sucessos como Interiores (1978), A rosa púrpura do Cairo (1985), Hannah e suas irmãs (1986), Maridos e esposas (1992) e Um misterioso assassinato em Manhattan (1993). No final de 1991, se envolve num escândalo ao manter um romance com Soon-YI, filha adotiva de Mia Farrow. Década de 80 Esse período traz visões contestadoras da vida social nos filmes de Michael Cimino (O Franco-Atirador), Philip Kaufman (Os eleitos), David Lynch (Veludo azul), Brian de Palma (Carrie, a estranha), seguidor de Hitchcock; de roteiristas que passam à direção, como Lawrence Kasdan (Corpos ardentes) e Oliver Stone (Platoon); de jovens e competentes artesãos, como John Landis (O lobisomem americano em Londres) ou John Carpenter (Fuga de Nova York). Os independentes nova-iorquinos Jim Jarmusch (Daunbailó) e John Sayles (Lianna) fazem filmes baratos, influenciados pelo neo-realismo. Como já acontecera na época da 2a Guerra, a indústria importa diretores de outros países: os australianos Peter Weir (A testemunha) e George Miller (As bruxas de Eastwick), o argentino Luís Puenzo (Gringo velho), o brasileiro Hector Babenco (Ironweed), o francês Barbet Schroeder (Barfly) e o holandês Paul Verhoeven (Robocop). Produções recentes Spike Lee (Malcolm X), Joel Coen (Barton Fink - delírios de Hollywood, A roda da fortuna), Steven Soderbergh (Sexo, mentiras e videoteipe), Hal Hartley (Confiança), o ator e diretor Tim Robbins (Bob Roberts), Jonathan Demme (O silêncio dos inocentes), Robert Rodriguez (El mariachi) e Tony Scott (Amor à queima-roupa) surgem como uma promessa de sangue novo para o cinema americano, ao lado de nomes já conhecidos: Scorsese (Cabo do medo, A época da inocência), Coppola (Drácula), Oliver Stone (JFK, a pergunta que não quer calar), Woody Allen (Neblinas e sombras) e Robert Altman (Short cuts - cenas da vida).
Free cinema A inquietação dos young angry men, os "jovens irados", vindos do teatro, cria o free cinema, "cinema livre", que rompe com as fórmulas tradicionais do realismo e o superficialismo de produções como os filmes de terror dos estúdios Hammer. Os cineastas procuram criar um cinema social de características nacionais, no qual não faltam humor, irreverência e um sentido poético: Tony Richardson (Odeio essa mulher), Karel Reisz (Tudo começou no sábado), Richard Lester (A bossa da conquista) e Jonh Schlesinger (Domingo maldito). Anos 80/90 A década de 80, depois de uma fase de recesso, traz o humor irreverente do grupo Monty Python (A vida de Brian), do qual saem Terry Gilliam (Brazil) e Terry Jones (O sentido da vida). Aparecem bons artesãos logo envolvidos com grandes projetos: Alan Parker (O expresso da meia-noite), Roland Joffé (A missão), Ridley Scott (Blade Runner). Se muitos desses ingleses filmam nos EUA, há também americanos, como Joseph Losey (O mensageiro) ou James Ivory (Vestígios do dia), que rodam seus filmes na Grã-Bretanha. Saída da tevê, uma nova geração destaca-se por sua temática ousada e suas posturas acidamente críticas: Stephen Frears (Relações perigosas), Derek Jarman (Caravaggio), Neil Jordan (Traídos pelo desejo), Peter Greenaway (O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante, A última tempestade), Michael Radford (1984) e Jim Sheridan (Meu pé esquerdo, Em nome do Pai). Já Kenneth Branagh tem raízes teatrais, que revela em Henrique V e Muito barulho por nada, adaptados de Shakespeare.
Os anos 80 começam com a visão do universo feminino de Margarethe von Trotta (Os anos de chumbo), a adaptação da ópera Parsifal, de Wagner, por Hans-Jürlegen Syberberg, e a obra muito particular de Wim Wenders (Paris, Texas, Asas do desejo), considerado seguidor de Antonioni. O cinema alemão revela ainda Wolfgang Petersen (História sem fim), Robert Van Ackeren (Armadilha para Vênus), Rudolf Thome (O filósofo), Michael Verhoeven (Uma cidade sem passado), Doris Dorrie (Homens) e Percy Adlon (Bagdá Café). Werner Herzog (1942- ), diretor alemão, forma com Rainer Fassbinder e Win Wenders o trio central do novo cinema alemão. De família pobre, estuda história e literatura em sua cidade natal, Munique. Aos 15 anos, escreve o seu primeiro roteiro. Mais tarde, recebe uma bolsa para estudar nos Estados Unidos. Faz filmes e documentários em diversos países, como Aguirre, a cólera dos Deuses (1972) e Fitzcarraldo (1981), no Brasil e Peru, Fata Morgana (1969), na África, Coração de cristal (1976), na Irlanda, e Nosferatu e Woyzeck (1978), na Holanda e Tchecoslováquia. Trabalha para a tevê e publica todos os roteiros de seus filmes. Rainer Fassbinder (1945-1982) nasce na Baviera, deixa os estudos aos 19 anos e passa a integrar um grupo de teatro, em Munique. Posteriormente, trabalha como ator, roteirista e diretor no teatro, rádio, cinema e televisão. Influenciado pelos diretores Howards Hawks e Fritz Lang, encontra também no teatro de Brecht uma fonte de inspiração. Em 1968, dirige o seu primeiro longa-metragem. Em seus filmes, como Querelle (1982) e a trilogia O casamento de Maria Braun (1978), Lili Marlene (1980) e Lola (1981), estão sempre presentes temas relativos ao sexo, violência e degeneração.
Ingmar Bergman (1918- ), cineasta e diretor teatral sueco, é um dos maiores nomes do cinema moderno. Filho de pastor protestante, desde a infância se dedica ao cinema e ao teatro. Seus primeiros filmes são influenciados pelo realismo poético francês, especialmente pelo diretor Marcel Carné. Depois, torna-se um renovador do cinema, com uma abordagem especial de seus temas principais: a incomunicabilidade, a ausência de Deus e o absurdo da condição humana. Seus principais filmes são O sétimo selo (1956), A hora do lobo (1968), Gritos e sussurros (1973), A flauta mágica (1975), O ovo da serpente (1979) e Fanny e Alexandre (1982), sua última e mais ambiciosa produção.
A doutrina do realismo socialista, criada na década de 20, produz filmes de estilo conservador, fiéis à estética oficial: Quando voam as cegonhas, de Mikhail Kalatósov, e A balada do soldado, de Grigori Tchukhrai. Uma obra original é a de Andrei Tarkovski (Solaris). Com a perestroika, a partir de meados da década de 80, há maior liberdade na escolha de temas e na discussão de problemas políticos e sociais: Elem Klimov (Agonia), Tenguiz Abduladze (O arrependimento), Karen Tchakhnazarov (Cidade zero), Pavel Lounguine (Taxi blues), Serguei Paradjanov (Os cavalos de fogo) e Vassíli Pitchul, cujo Pequena Vera é o primeiro filme a abordar a insatisfação dos jovens com a falta de perspectivas para o futuro, ignorada pelo cinema oficial. Andrei Tarkovski (1932-1986) nasce no distrito de Ivanov, na Rússia, e cresce em uma vila de artistas próxima de Moscou. Filho de poeta, estuda desde cedo os mais diversos assuntos música, pintura, escultura, árabe e geologia. Em 1954, cursa a Escola de Cinema de Moscou e realiza seu primeiro longa-metragem, A infância de Ivan, na década de 60. Seu filme Andrei Rublev (1966) é considerado antinacionalista e fica retido durante cinco anos na URSS. Sua obra é marcada por longos planos e ritmo lento, como em Stalker (1979), Nostalgia (1982) e O sacrifício (1986).
Na nova geração, destacam-se Nagisa Oshima (O império dos sentidos), questionado no Japão como muito ocidentalizado, Juzo Itami (Tampopo), Katsuhiro Otomo (Akira), Mitsuo Kurotsuchi (Engarrafamento), Kazuo Hara (O exército nu do imperador) e Kohei Oguri (O ferrão da morte). Akira Kurosawa (1910- ) é o nome mais importante do cinema no Japão. Trabalha como pintor e ilustrador de revistas em anúncios publicitários. No cinema, começa como assistente de direção. É o responsável pela projeção internacional da cinematografia de seu país, a partir do êxito comercial de Rashomon (1950) e Os sete samurais (1954). Recupera-se de séria crise pessoal, em que tenta o suicídio em meados dos anos 70, e dirige Dersu Uzala (1975), na União Soviética, que entra como co-produtora. Com a ajuda do cineasta norte-americano Francis Ford Coppola, faz um retorno aos temas do Japão medieval em Kagemusha (1980). Em 1985, com Ran, realiza uma adaptação de O rei Lear, de Shakespeare. Na década de 90, filma Sonhos, Rapsódia em agosto e Madadayo.
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