MELHORES FILMES DRAMA



Quando surgiu, no final do século passado, o cinema parecia mera curiosidade capaz apenas de registrar cenas do cotidiano e exibi-las para platéias extasiadas com a quase inexplicável magia das imagens em movimento. Foi o bastante por algum tempo, mas o sabor de novidade logo se esvaziou.

Era necessário, para manter o interesse do público, experimentar outros caminhos, que levavam ao universo da ficção. Um deles, inspirado no trabalho de artistas de circo e de espetáculos de variedades, deu origem à comédia. Outro desses caminhos conduziu ao drama. Com ele, o cinema demonstrou que, a exemplo da literatura e do teatro, também poderia falar de coisas “sérias”.

E, assim como o ocorria na literatura e no teatro, rapidamente o drama cinematográfico ramificou-se em diversos sub-gêneros: o drama social, o drama histórico, o drama psicológico, o drama político. Entre todos eles, no entanto, é possível identificar um ponto em comum: o estudo dos conflitos humanos.

Livros, peças e casos verídicos tratam ainda hoje de fornecer matéria-prima para filmes cujo objetivo é atingir a emoção do público e fazê-lo refletir sobre um leque infindável de assuntos. Em alguns casos, fica transparente a intenção de envolver o espectador de tal maneira que, ao final, espera-se que ele chegue às lágrimas.

Ao amadurecer com o próprio cinema, entretanto, o gênero talvez seja o que mais tenha incorporado modismos e refletido o estado de coisas de cada época. Foi o que se revelou mortal para filmes hoje considerados, no mau sentido, “datados”: são aqueles que não resistiram ao tempo e envelheceram junto com situações que retratavam.

Outros, no entanto, mantém seu charme é interesse ao longo dos anos. São as obras-primas de um gênero que se estabeleceu como uma espécie de crônica social de nosso tempo, amplo o bastante para abrigar exemplares tão distintos quanto A Doce Vida (1960), do italiano Federico Fellini, e Caminhos Perigosos (1973), do norte americano Martin Scorsese.

Freqüentemente, o gênero também visita o passado através de épicos como Os Dez Mandamentos (versões 1923 e 1956) ou de histórias intimistas como a de Ligações Perigosas (1988). Pois se o cinema é a arte que melhor reflete o século XX, o drama é o gênero que melhor traduz a mudança de ares.

Para compreender o ânimo dos EUA nas décadas de 30, e 40, por exemplo, um filme como A Felicidade não se Compra (1946), de Frank Capra, será provavelmente mais eficaz do que meia dúzia de bons livros sobre o período juntos. Toda a obra de Capra, por sinal, é um ótimo exemplo de como o drama no cinema pode ter profunda inspiração social e, ao mesmo tempo, comover e divertir.

Isso, aliás, era o que o cinema clássico hollywoodiano sabia fazer como ninguém. De Cidadão Kane (1941), de Orson Welles, a Sindicato de Ladrões (1954), de Elia Kazan, A Um Passo da Eternidade (1953), de Fred Zinnemann, ou Juventude Transviada (1955), de Nicholas Ray, estabeleceu-se uma tradição que sobrevive ainda hoje em obras-primas como Touro Indomável (1980), de Martin Scorsese, ou em produções independentes como O Jogador (1992), de Robert Altman.

Escândalos e polemicas também marcaram a história do gênero. Um dos episódios mais controvertidos foi protagonizado por O Último Tango em Paris (1972), do italiano Bernardo Bertolucci, censurado à época do lançamento em diversos países, inclusive no Brasil. Sem Destino (1969), de Dennis Hopper, e Lenny (1974), de Bob Fosse, também enfrentaram problemas com a censura em virtude da ousadia de levar ao cinema temas que permaneciam inéditos nas telas, embora fizessem parte de nossa vida cotidiana.

Curiosamente, existe no mercado de vídeo brasileiro a tendência de classificar como “drama”, por exclusão, tudo o que não caiba em outro gênero. Essa prática acaba reunindo os títulos mais diversos nas prateleiras das locadoras, o que pode confundir o consumidor desavisado. Mas, ao mesmo tempo, consagra o espírito de diversidade que alimenta o drama no cinema.



Como Água Para Chocolate
Como Água Para Chocolate (1992)

Barry Lyndon

Barry Lyndon (1975)

Escolha de Sofia, A
Sophie’s Choice (1982)


Felicidade Não Se Compra, A
It’s a Wonderful Life (1946)

Frances
Frances (1982)

Hora da Estrela, A
A Hora da Estrela (1985)

 

Juventude Transviada
Rebel Without a Cause (1955)

      

Noite dos Desesperados, A
The Shoot Horses (1969)

 

Que Terá Acontecido
Com Baby Jane?, O
What Ever Happened
to Baby Jane? (1962)

 

 


Quero Viver
I Want to Live! (1958)

Sétimo Selo, O
Det Sjunde Inseglet (1957)

Sindicato dos Ladrões
On the Waterfront (195)

 

Sonhos
Akira Kurosawa’s Dreams (1990)

Um Lugar ao Sol

A Place in the Sun (1951)

Um Passo da Eternidade, A
From Here to Eternity (1953)

 


Esses filmes foram escolhidos pelo Webcine, com certeza estão faltando muitos outros grandes Dramas, você pode contribuir indicando o seu.