MELHORES FILMES MUSICAL



Houve um tempo, não muito distante, em que os musicais recebiam ataques de gente que os considerava “escapistas”. Essas pessoas argumentavam que o gênero contribuía para a alienação do público, desviando sua atenção dos problemas da realidade.

Calma: esse tempo já se foi. Hoje, com a perspectiva que o tempo oferece, nada parece mais equivocado do que a pretensão de criticar algo usando como argumento justamente o que ele talvez exiba de mais atraente.

Afinal, se os musicais romperam as fronteiras dos EUA – onde eles transportaram para as telas o mesmo sucesso que faziam nos palcos – e conquistaram fãs no mundo inteiro, é justamente porque têm a saudável capacidade de levar o público a uma dimensão governada pela fantasia. Não é pouco, mesmo dentro do universo do cinema fantasioso por excelência. A dimensão dos musicais tem uma lógica particular segundo a qual um personagem, no meio de uma cena dramática pode sair cantando e dançando para em seguida, ao final do número, retomar a ação como se nada tivesse ocorrido – e sem que ninguém, na tela ou fora, considere aquilo estranho.

Pode-se falar horas e horas sobre a atração exercida sobre o público pelos musicais, mas nada terá o mesmo efeito que a seqüência final de A Rosa Púrpura do Cairo (1985), obra-prima de Woody Allen. No filme, Cecilia (a garçonete e fã de cinema interpretada por Mia Farrow) vê frustar-se sua história de amor impossível. Ao final, cabisbaixa e solitária entra em uma sala de cinema.

Procurando deixar de lado os problemas da vida real, Cecília começa a prestar atenção ao que está sendo exibido: Fred Astaire e Ginger Rogers dançam ao som de “Cheek to Cheek” de lrving Berlin (uma sequência de O Picolino, 1935, de Mark Sandrich). Aos poucos, seu rosto tristonho se descontrai até adquirir uma expressão de puro encantamento, com a qual Woody Allen encerra o filme.

Quando O Picolino foi lançado, o filme musical ainda era um bebê. A rigor, o gênero havia surgido junto com o próprio som no cinema: O Cantor de Jazz (1917), de Alan Crosland, o primeiro filme falado, era também o primeiro musical, lembrado até hoje pela célebre seqüência cantada por Al Jonson.

Alguns dos principais nomes na história do cinema musical entram em cena na própria década de 1930, como o diretor Busby Berkeley, que Hollywood trouxe da Broadway para injetar vida no gênero. Antes de sua chegada, os filmes resumiam-se a uma câmera estática registrando as coreografias em plano geral, quase como se estivesse no teatro. Berkeley fez uma pequena revolução, dando movimento à câmera e incrementando o uso de cenários. Ao mesmo tempo, surgia Fred Astaire, que formou com Ginger Rogers o mais perfeito e invejado par na história dos musicais. Astaire reinaria sozinho como o dançarino número 1 do cinema até a ascensão, nos anos 40, de Gene Kelly. Coma ressalva de que o estilos de ambos era muito diferente: enquanto Astaire representava o modelo clássico, Kelly incorporava um estilo mais popular e atlético. De qualquer forma, ambos participaram de maneira decisiva da fase de ouro do gênero, nos anos 40 e 50. Coube ao produtor Arthur Freed reunir na Metro-Goldwyn-Mayer os maiores talentos da é época, à frente e atrás das câmeras, para realizar uma sucessão Inigualável de obras-primas: O Pirata (1948), Um Dia em Nova York (1949), Cantando na Chuva (1952), A Roda da Fortuna (1953), Gigi (1958).

A era moderna dos musicais no cinema foi inaugurada com Amor, Sublime Amor (1961), de Robert Wise e Jerome Robbins adaptação de um bem sucedido espetáculo da Broadway com trilha sonora excepcional de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim. Adaptação de Romeu e Julieta para a Nova York dos anos 50, o filme estabeleceu-se como um marco cujo impacto não foi igualado por nenhum outro musical posterior. O último cineasta a tentar renovar o gênero foi um veterano dos tempos de Arthur Freed MGM, o dançarino e coreógrafo Bob Fosse, que levou o Oscar de direção por Cabaret (1973) e outra indicação por O Show Deve Continuar (1979). Produções recentes como Vem Dançar Comigo (1992), de Baz Luhrman, já não parecem mais capazes de recuperar o charme e o poder de encantamento da época de ouro.



 

Alta Sociedade
High Society (1956)

Amor Sublime Amor
West Side Story (1961)

Cabaret
Cabaret (1972)

 


Cantando Na Chuva
Singin’in The Rain (1952)

Fundo do Coração, O

0ne From The Heart (1982)

 

Hair

Hair (1979)

 

Help!
Help! (1965)

      

Mágico de Oz, O
The Wizard of Oz (1939)

Minha Bela Dama
My Fair Lady (1964)

 


1965

Noviça Rebelde, A
The Sound of Music (1965) 

Show Deve Continuar, O
All That Jazz (1979)

Sinfonia de Paris
An American in Paris (1951)

 

Vendedor de Ilusões

The Music Man (1962)


Esses filmes foram escolhidos pelo Webcine, com certeza estão faltando muitos outros grandes suspenses, você pode contribuir indicando o seu.