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Abril Despedaçado |
Abril
Despedaçado é livremente inspirado no livro homônimo do escritor albanês Ismail
Kadaré. A adaptação para o cinema foi realizada por Walter Salles, Sérgio Machado e
Karim Aïnouz, e as filmagens aconteceram entre agosto e setembro de 2000 nas cidades de
Bom Sossego, Caetité e Rio de Contas, interior da Bahia.
O filme é uma co-produção Brasil - França - Suíça. Abril Despedaçado reúne mais
umas vez o produtor Arthur Cohn, colaborador de Vittorio De Sica em seus últimos cinco
filmes e único produtor independente vencedor de seis Oscar e o cineasta brasileiro
Walter Salles. A parceria anterior de Salles e Cohn, Central do Brasil, recebeu mais de 50
prêmios nacionais e internacionais e foi visto por mais de sete milhões de espectadores
no mundo, sendo que 1 milhão e 600 mil no Brasil.
Como em Terra Estrangeira e Central do Brasil, Abril Despedaçado reúne em seu elenco
atores profissionais e não-profissionais. Na preparação dos atores, Walter Salles
contou com a colaboração do diretor assistente Sérgio Machado e do ator Luiz Carlos
Vasconcelos. A direção de fotografia é de Walter Carvalho e a música de Antônio
Pinto, com a colaboração de Ed Côrtes e Beto Villares, e a participação especial de
Siba, do conjunto pernambucano Mestre Ambrósio.
O processo de adaptação
Li Abril Despedaçado, o romance de Ismail Kadaré, há três anos, durante o lançamento
de Central do Brasil. Fiquei profundamente impactado com a força bruta e simbólica
daquela história que remetia, de alguma forma, a um relato das origens.
Fiquei atraído pela qualidade mitológica do confronto ancestral narrado por Kadaré -
este embate trágico entre um herói obrigado a cometer um crime que não quer e o destino
que o impele à frente. Atraído por um mundo que antecede ao tempo, que antecede a
palavra, que é feito de não ditos, de olhares. Um "huis-clos" a céu aberto,
ao mesmo tempo intimista e épico.
Tinha outros projetos na época, todos maiores em escala do que Abril Despedaçado. Mas
não conseguia esquecer do drama daquele jovem cuja vida se partia em dois. Quando
percebi, já havia começado a adaptação do livro. E abandonado os outros projetos
aparentemente mais fáceis e acessíveis.
Antes de tomar a opção definitiva de realizar Abril Despedaçado, um longo processo de
pesquisa foi necessário. Esse processo nos levou a entender as características das
guerras entre famílias no Brasil. Esses conflitos, geralmente conduzidos por
latifundiários, acabaram definindo as fronteiras de alguns territórios do sertão
nordestino, como é o caso do Sertão dos Inhamuns, no Estado do Ceará, palco da guerra
entre as famílias Montes e Feitosa na primeira metade do século passado.
Levei os resultados dessa pesquisa para Ismail Kadaré. Homem de inteligência aguda,
Kadaré nos libertou da obrigação de seguir todos os passos dos personagens do livro.
Era uma condição essencial para avançar, devido às diferenças culturais entre o
Brasil e os fatos que Kadaré narra na Albânia - o Kanum, código que regulamenta os
crimes de sangue naquele país, não tem equivalente no Brasil.
Por sugestão de Kadaré, mergulhamos num segundo processo de pesquisa, que nos levou à
tragédia grega e, mais especificamente, às peças de Ésquilo. O derramamento de sangue
e as lutas fratricidas pelo poder são alguns dos temas que alimentaram o nascimento da
tragédia grega. Aprendi que, até o século 7 D.C., os crimes de sangue cometidos na
Grécia não eram julgados pelo Estado. Seu desenlace era determinado pelas famílias em
conflito, que estabeleciam seus próprios códigos para a reparação do sangue derramado.
Curiosamente, é na ausência do Estado que as lutas pela terra entre famílias também
acabaram se desenvolvendo no Brasil. Voltava-se portanto ao Brasil, através do teatro
grego. Ficava também claro o caráter universal do relato de Kadaré.
Esta evidência me fez optar por um filme que tivesse uma qualidade fabular, que não
precisasse estar fincado num espaço geográfico totalmente realista. Sim, esta história
poderia se passar no início do século passado no sertão brasileiro, mas também em
outras épocas e em outras latitudes. O romance de Kadaré trata do confronto secular
entre os homens, da angústia frente à morte - e do desejo de ultrapassar este ciclo
inelutável.
A este núcleo central da história, procurei adicionar elementos que me são próprios.
Como em Terra Estrangeira e Central do Brasil, optei por um narrador que, no meio daquele
caos, ainda tinha conseguido preservar alguma lucidez e inocência (Pacu); como no
documentário Socorro Nobre, preferi um desenlace que desse, de alguma forma, uma segunda
chance a alguns personagens; finalmente, interessei-me em investigar a relação entre os
irmãos da família Breves - Tonho e Pacu.
A luz natural e o trabalho com atores e não atores
Todos os estudos que fizemos acabaram também determinando a textura do filme, das
opções gramaticais até os objetos de cena que utilizamos, como a bolandeira que dita o
ciclo inexorável do qual a família Breves não consegue escapar.
O livro de Kadaré me marcou, como já disse, ao mesmo tempo pelo drama intimista,
familiar, e pela dimensão épica do relato. De forma semelhante, procurei arquitetar
Abril Despedaçado na oposição entre estados diferentes. Entre a imobilidade e o
movimento; entre o arcaísmo (o mundo da família Breves) e a modernidade (o que está
além-fronteira); entre a ordem impingida pelo pai e a desordem anunciada por Pacu, o
filho mais novo; entre o tempo visto como repetição circular da bolandeira e o tempo
suspenso da relação amorosa entre Tonho e Clara.
Junto com os companheiros de outras aventuras fílmicas, como o diretor de fotografia
Walter Carvalho e o assistente de direção Sérgio Machado, optamos em filmar em
locação, usando sempre que possível a luz natural contrastada do nordeste brasileiro.
Como em Central do Brasil e Terra Estrangeira, também optamos por misturar atores
experientes, como José Dumont, a não atores. O processo de casting conduzido por Sérgio
Machado consumiu um ano de trabalho. Mais de 1500 pessoas foram entrevistadas. Apenas nove
atores profissionais participam do filme. Todos os outros fazem sua estréia em Abril
Despedaçado. O menino Ravi Ramos Lacerda (Pacu) vem do teatro de rua, Flavia Marco
Antonio (Clara), do circo.
Durante quase dois meses, atores e não atores se prepararam para os seus papéis nas
próprias locações do filme. Viveram muitas vezes sem luz elétrica, aprenderam a lidar
com animais, a operar a bolandeira, a cortar cana e fazer rapadura.
Para fazer Abril Despedaçado, cada membro da equipe principal do filme rodou mais de
20.000 km em estradas precárias. A cada dia, era necessário mais de 200 km de carro para
ir da pequena cidade onde se dormía até a locação. A temperatura média era superior a
40º. Por tudo isso, Abril Despedaçado foi um filme difícil de ser realizado. Mas sair
fora daquele universo, ao término das filmagens, foi ainda mais difícil.
A seguir, alguns elementos referentes à pesquisa sobre crimes de sangue no Brasil. E,
também, algumas observações sobre a cobrança de sangue, a camisa ensangüentada e
outros elementos simbólicos que aparecem no livro de Ismail Kadaré - e na tragédia
grega.
A cobrança de sangue no Brasil
Escrito na década de 40, o livro Lutas de Família no Brasil, de Luiz Aguiar Costa Pinto,
nos permite entender como os conflitos que aconteceram no nosso país se aproximam - ou se
distanciam - daqueles vividos na Albânia de Kadaré. Baseado na análise dos confrontos
entre as famílias Pires e os Camargos, em São Paulo, e entre os Feitosas e os Montes, no
Ceará, o livro prova que a vingança, no Brasil, se dá na ausência do estado regulador.
É algo que surge de forma natural, espontânea, e que só deixa de existir quando surge
um poder mais forte e regulador. Essas pesquisas foram determinantes no desenho dos
personagens do pai e da mãe da família Breves, vividos por José Dumont e Rita Assemany.
Determinantes, também, na definição da classe social a que pertencem. Os Breves são
latifundiários ligados à monocultura da cana de açúcar, que entraram em decadência
depois do fim da escravidão, no final do século 19. Os seus rivais, os Ferreiras são
latifundiários em expansão - criadores de gado.
Abaixo, alguns códigos estabelecidos por estas famílias na tentativa de regular as
cobranças do sangue, num trabalho de condensação realizado por Sérgio Machado a partir
do livro Lutas de Família no Brasil.
"A vingança é um dever irrestrito e indiscutível, de cuja obrigatoriedade não se
pode fugir, sob pena de banição. Neste caso, a desgraça não é só individual, mas da
família inteira".
"Lutar pela família é lutar pela própria sobrevivência. Fugir disto seria
infringir a regra, ir de encontro ao costume, ameaçar a própria existência e o
equilíbrio social".
"A hipertrofia do poder familiar e a fraqueza do poder público determinam o problema
das vinganças privadas no Brasil".
"O dever de vingança cabe naturalmente ao parente mais próximo da vítima".
"Se o mais próximo dos parentes não cumprir o dever, o ressentimento do defunto se
voltará contra ele".
Sobre o papel da mãe
"É de decisiva importância o papel das mulheres nessa conjuntura. É sempre raro
que a vingança se desencadeie sobre uma mulher, e esta, também, só raramente leva a
efeito uma represália em nome da solidariedade ativa da família."
"Em manter e estimular o ódio, (...), mantendo aceso o espírito da vindita, é ao
que se reserva a função das mulheres nas lutas de família."
"Se no momento em que a violência deve desencadear-se não existirem adultos para
exercer a represália, às mulheres e aos anciãos vai caber a tarefa de excitar os mais
jovens a exercê-la um dia, alimentando o seu espírito de vindita."
"As mulheres usam de todos os recursos para estimular a luta e transformar a família
de comunidade em comunhão. Se a vingança é de sangue, expõe as vestes ensangüentadas
do defunto; vivem de luto permanente, não vão à rua, lamentam noite e dia o morto,
lembrando e exagerando suas boas qualidades, excitando saudades, remorsos e desejos de
vindita".
A camisa ensangüentada e a comunicação com os mortos
As camisas ensangüentadas expostas pelas famílias em conflito no Brasil e no romance de
Ismail Kadaré encontram eco em outros momentos da história. Elas aparecem como véu em
Orestia, e foram utilizadas pelos habitantes de Creta como elementos fundamentais para a
comunicação com aqueles que foram assassinados. Tinham, portanto, papel determinante na
cobrança do sangue.
Os mortos que não repousam eram para os gregos parte de uma zona intermediária entre o
mundo dos homens e o mundo dos deuses.
Como lembra Kadaré, os gregos acreditavam que uma "recuperação de sangue"
não poderia ser realizada sem o consentimento do morto. Os gregos achavam, ainda, que um
cadáver amputado de suas mãos e pernas era incapaz de enviar sinais para o mundo dos
vivos. É por isso que, em Orestia, Clitemnestra corta os membros do seu marido,
prenunciando o horror perpetrado séculos mais tarde por Lady Macbeth na peça de
Shakespeare.
Finalmente, Ésquilo sustenta que, no caso de vendetas entre famílias, o direito não
está nunca dos dois lados. Migra de um lado para o outro, ao sabor das mortes
perpetradas.
Migra, por decorrência, de homem a homem, de família a família, de facção a facção,
de país a país, num ciclo infindável.
As rezadeiras, os cantos fúnebres e a origem da tragédia
Em todos os lugares em que filmamos Abril Despedaçado, encontramos rezadeiras que nos
faziam ouvir cantos ancestrais - cantos para encomendar os mortos, cantos para celebrar
aqueles que partiram. Vozes semelhantes, gravados por Beto Villares em Minas Gerais, fazem
hoje parte da trilha sonora do filme, criada por Antonio Pinto (compositor da música de
Central do Brasil).
A integração das cenas com rezadeiras no filme não foi aleatória - mais uma vez por
influência de Ismail Kadaré. Nietzsche defendia a tese de que a tragédia grega tem
origem nas festas dionisíacas. Já Kadaré afirma que a tragédia é o prolongamento de
uma outra forma de ritual, o dos cantos fúnebres pronunciados por rezadeiras
profissionais nos enterros.
Em seus livros Eschyle ou le Grand Perdant e Dialogue avec Alain Bosquet, Kadaré nos
lembra que a fossa do morto e o espaço que a cerca são ao mesmo tempo a matéria-prima e
a primeira cena do teatro trágico. O personagem principal, o morto, está entre dois
estados distintos - a vida e a morte. Como não é mais capaz de falar de si, outros o
fazem por ele. Esta incumbência cabe às primeiras atrizes profissionais que, segundo
Kadaré, são justamente as rezadeiras. "Os seus lamentos pertencem ao território da
realidade interpretada, como o coro antigo o faria mais tarde no teatro grego. Ainda em
grego, a palavra "ator" se traduz por "hypokrites". É um adjetivo que
cabe como luva às profissionais que choram um morto que não lhes pertence.
Essas reflexões dizem respeito a um ritual fúnebre ordinário. Mas, quando o morto é
vítima de uma vendeta e o assassino é obrigado a participar do enterro e do almoço
fúnebre de sua vítima, como acontece em Abril Despedaçado, estamos no campo da
tragédia expressa na sua totalidade."
Walter Salles - O exílio, a errância e a busca da identidade são os temas centrais das
obras de ficção e dos documentários dirigidos por Walter Salles.
Central do
Brasil ganhou 55 prêmios internacionais, inclusive o Urso de Ouro no Festival de Berlim
em 1998, o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, o prêmio de Melhor Filme
Estrangeiro da National Board of Review, e o de Melhor Filme Estrangeiro da BAFTA (British
Academy of Film, Television and Arts).
Terra Estrangeira, co-dirigido por Daniela Thomas em 1995, ganhou oito prêmios
internacionais (entre eles, o Grande Prêmio do Público nas Rencontres Internationales de
Cinéma de Paris, no Festival de Bergamo e no Festival de Belfort; o de Melhor Filme do
Ano, segundo o público e a crítica, da Associação dos Críticos - SESI) e foi
selecionado por mais de 40 festivais.
Seus documentários, como Socorro Nobre e Krajcberg, o Poeta dos Vestígios, ganharam
prêmios em vários festivais, incluindo o Fipa d'Or, e o de Melhor Documentário de
Pesquisa e o Prêmio do Público no Festival dei Popoli, na Itália.
Salles também produziu este ano os primeiros longa-metragens de jovens realizadores
brasileiros, como Karim Aïnouz (Madame Satã), Kátia Lund e Fernando Mereilles (Cidade
de Deus), e Sérgio Machado (Onde a Terra Acaba).
Arthur Cohn (Produtor) - é o único produtor independente
vencedor de seis Oscar, o mais recente deles conquistado ano passado, pelo documentário
One Day in September, reconstituição do atentado palestino às Olimpíadas de Munique de
1972. Cohn produziu os cinco últimos filmes de Vittorio de Sica, diretor que ele
considera como seu professor e mentor, dentre eles O Jardim dos Finzi-Contini, que venceu
o Urso de Ouro em Berlim e o Oscar de melhor filme estrangeiro de 1970. Os outros títulos
no currículo do produtor que ganharam um Oscar são Preto e Branco em Cores, de
Jean-Jacques Annaud (1976); American Dream, de Barbara Kopple (1990); Dangerous Moves, de
Richard Dembo (1984); e Sky Above, Mud Below, de Pierre Dominique Gaisseau (1960). Em
Abril Despedaçado, Arthur Cohn retoma a parceria com o cineasta brasileiro Walter Salles,
iniciada em Central do Brasil.
ELENCO
José Dumont (Pai) - Nascido na Paraíba em 1950, José Dumont
começou a atuar no teatro ainda no início dos anos 70. Depois de participar de filmes
como Lúcio Flávio - o Passageiro da Agonia, de Hector Babenco, e Gaijin, de Tizuka
Yamasaki, consolidou sua trajetória como um dos mais importantes atores do cinema
brasileiro. Em 1979, viveu um migrante nordestino em O Homem que Virou Suco, de João
Batista de Andrade, trabalho que lhe garantiu o prêmio de melhor ator nos festivais de
Gramado e Brasília. No Festival de Havana de 1985, foi escolhido o melhor ator por três
filmes: O Baiano Fantasma, de Denoy de Oliveira, Avaeté, de Zelito Viana, e Tigipió, de
Pedro Jorge de Castro. Outros papéis marcantes no cinema incluem A Hora da Estrela, de
Suzana Amaral, Brincando nos Campos do Senhor, de Hector Babenco, e Kenoma, de Eliane
Caffé.
Rodrigo Santoro (Tonho) - Abril Despedaçado é o segundo
longa-metragem de Rodrigo Santoro. Por Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzki, sua
estréia no cinema (vencedor do Prêmio da Juventude do Festival de Locarno 2001), Rodrigo
foi escolhido o melhor ator nos festivais brasileiros de Recife e Brasília (2000). Sua
interpretação como um jovem estudante, internado num manicômio pelo próprio pai, foi
aplaudida pela crítica brasileira, que o aponta como um dos talentos promissores do
país. Antes do cinema, Rodrigo trabalhou na televisão e no teatro.
Rita Assemany (Mãe) - começou a fazer teatro ainda
adolescente, em 1980. Logo se tornou uma das atrizes mais respeitadas da Bahia,
participando das montagens de Toda Nudez Será Castigada, O Balcão, Decamerão, Cabaré
Brasil, entre outros espetáculos. Em 1992, estrelou o monólogo Oficina Condensada, que
se tornou um grande sucesso de público e ficou mais de um ano em cartaz. Em 1997, foi
dirigida pelo alemão Hans Ulrich Becker numa montagem de Medéia. No cinema, Rita fez uma
participação em Central do Brasil, de Walter Salles, e é a única atriz presente nos
três episódios do longa-metragem Três Histórias da Bahia. Pelo curta-metragem Pixaim,
ela ganhou os prêmios de melhor atriz nos festivais de Curitiba e Brasília.
Luiz Carlos Vasconcelos (Salustiano) - Paraibano de Umbuzeiro,
Luiz Carlos Vasconcelos se transforma no palhaço Xuxu há 23 anos, personagem que é
fruto de sua paixão pelo circo e uma das razões que motivaram Walter Salles a
convidá-lo para viver o brincante Salustiano em Abril Despedaçado. Seu talento como
diretor de teatro na Paraíba tornou-se nacionalmente conhecido no começo da década de
90, quando sua montagem de Vau da Sarapalha, adaptação de um conto de Guimarães Rosa,
percorreu o Brasil e conquistou crítica e público. Luiz Carlos estreou como ator de
cinema interpretando o cangaceiro Lampião em Baile Perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo
Caldas (1997). Em 1999, fez um dos papéis principais em Meia-Noite / O Primeiro Dia, de
Daniela Thomas e Walter Salles, pelo qual ganhou o prêmio de melhor ator da Associação
de Críticos de Arte de São Paulo. Outro papel de destaque no cinema veio em Eu Tu Eles,
de Andrucha Waddington, selecionado para a mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes
2000.
Ravi Ramos Lacerda (Pacu) - Abril Despedaçado é o primeiro
longa-metragem de Ravi Ramos Lacerda, que foi escolhido entre as centenas de crianças que
fizeram teste para o filme, Ravi começou a se apresentar como ator em festivais de teatro
popular em João Pessoa, na Paraíba, onde nasceu. Fez sucesso com um pequeno espetáculo
em que interpretava um menino mendigo, imitador de Charles Chaplin. No cinema, Ravi
também participou do curta-metragem A Árvore da Miséria, vencedor de vários prêmios
em festivais brasileiros.
Flavia Marco Antonio (Clara) - nasceu em São Paulo, em 1978,
mas escolheu viver em Salvador, na Bahia, onde mora desde os 18 anos. Apaixonada pelo
circo, Flavia se matriculou na Escola Picolino de Artes de Circo de Salvador em 1996, e
até hoje faz parte da companhia da escola. No começo de 2001, participou de uma turnê
de 40 dias por seis cidades da França com um espetáculo da Escola Picolino. Flavia
também faz parte do grupo Palhaços Para Sempre, dedicado à pesquisa da arte dos clowns.
No mesmo ano em que fez os testes para Abril Despedaçado, ela começou a estudar na
Faculdade de Teatro da Universidade Federal da Bahia. Já participou de vários
espetáculos em Salvador, entre eles Noites de improviso, que cumpriu temporada de sucesso
no Teatro Castro Alves.
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