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notasprod_1.gif (2071 bytes) Notas

webc3629.jpg (18058 bytes)A produtora

A Fraiha Produções tem três sócios: Mauro Farias, Silvia Fraiha e Tiza Lobo. Cada um com origem numa área diferente. Mauro vem do cinema e da TV, Tiza do teatro e da TV e Silvia da área de editoração e design. Em 1998, produziu o média metragem O enfermeiro, de Mauro Farias, baseado em conto homônimo de Machado de Assis, com Paulo Autran e Matheus Nachtergaele. E agora leva às telas Duas vezes com Helena. Dia 14 de agosto lança o documentário Rio de cinemas, de Silvia Fraiha, Juliana Simões e Nice Benedictis, sobre os grandes cinemas de rua fechados na cidade do Rio.

Na área de editoração, publicou Grandes personagens do cinema brasileiro, que traz verbetes sobre personas do cinema nacional. A previsão é de lançar o segundo volume em 2002. A Fraiha publicou também a coleção Guias de bairros do Rio de Janeiro (Centro, Glória / Catete, Flamengo, Cosme Velho / Laranjeiras, Botafogo / Humaitá, Ipanema / Leblon, Copacabana / Leme e Tijuca / Floresta da Tijuca), a Coleção do artista, de Amador Perez, Paisagismo e Ecogênese, de Fernando Chacel, entre outros.

A partir do lançamento de Duas vezes com Helena, os empreendimentos em cinema da Fraiha passam a sair com o rótulo da Abacaxi Filmes.

O filme, sua produção e outras

Duas vezes com Helena é uma adaptação do conto homônimo de Paulo Emílio Salles Gomes, publicado, em 1977, em Três mulheres de três PPPês. Foi rodado em 35mm, em um mês. A maior parte foi filmada em um estúdio no Pólo de Cinema e Vídeo do Rio de Janeiro, na Baixada de Jacarepaguá. Mas o bairro de Santa Teresa, no Rio, Caxambu, em Minas Gerais, e Araras e Itaipava, na serra carioca, também serviram de locação.

O filme não segue uma narrativa clássica. Ambientado nos anos 40 e depois em meados da década de 60, lança mão de recursos utilizados pelo cinema nos anos 40 e 50, como a projeção de imagens ao fundo da cena. O back projection, como é conhecido, na verdade, é a projeção sobre o fundo de uma tela posicionada atrás da cena que está sendo filmada.

O conto de Paulo Emílio estava previsto para ser a segunda adaptação do projeto Contos no cinema, em parceria com o Telecine, que em 1999 foi responsável pelo média-metragem O enfermeiro. A parceria não foi adiante, mas Mauro Farias resolveu mesmo assim filmar Duas vezes com Helena. O longa, de 75 minutos, custou cerca de R$ 2 mil. Seus patrocinadores foram o curso Anglo Latino, a Atlas-Schindler e a Petrobras.

A finalização de som foi feita no estúdio Churubusco, na Cidade do México, em maio, onde o estúdio principal tem a dimensão de uma sala de projeção, contando com equipamento de última geração para a mixagem. Além de Mauro Farias, viajou para o México, Tuco, montador e pós-produtor do filme.

O diretor, suas idéias e sua biografia resumida
por Denise Lopes - julho de 2001

Há dez anos, Mauro Farias estreava na direção de um longa no Festival de Gramado. Não quero falar sobre isso agora levaria para casa, em 1991, quatro kikitos: melhor filme, roteiro (Mauro Farias, Melanie Dimantas e Evandro Mesquita), atriz (Mariza Orth e Eliana Fonseca) e som (Juarez Dagoberto), numa época em que o cinema nacional, praticamente, teimava em existir. Embrafilme extinta, produção desmantelada, Não quero... só conseguiria chegar ao circuito comercial em 1993.

O momento mudou, e da comédia Mauro passou à literatura. Curiosamente, foi buscar num escritor habituado à militância em prol do cinema brasileiro sua inspiração. Adaptado do conto homônimo do ensaista e articulador incansável de políticas cinematográficas para o país Paulo Emílio Salles Gomes (1916/1977), a história de um ardiloso triângulo amoroso ganha ainda referências explícitas ao cinema da década de 40. Cinema esse tão bem vasculhado por Paulo Emílio em seu exílio forçado em Paris. Assim como P. (Fabio Assunção), um dos protagonistas de Duas vezes com Helena, o crítico de cinema, fundador do Clube do Cinema, da Cinemateca Nacional e um dos criadores do Festival de Cinema de Brasília, passou um ano e pouco estudando em Paris e voltou ao Brasil pelo mesmo motivo da personagem criada: o anúncio da II Guerra Mundial.

Como P., Paulo Emílio também se desencantou na Europa com suas convicções políticas. Só que às avessas. Enquanto P. namora o facismo. Paulo Emílio, ao se deparar com as informações sobre o período stalinista encontradas na Europa, se revolta com o que descobre, mas nunca abandona seus princípios. Seu exílio, em Paris, aliás, acontece logo após uma fuga mirabolante do presídio Paraíso, onde havia sido confinado há mais de um ano por conta da sua participação na Intentona Comunista de 1935.

Mauro Farias soube reverenciar esse universo, construindo um filme, não só fidedigno ao seu texto original, como também povoado de acertos estéticos e técnicos, que nos remetem a uma atmosfera, tão comuns às produções dos anos 40, 50, das mulheres sedutoras, misteriosas e implacáveis e dos apaixonados bobos, que acabam enrolados pelas tramas de seus objetos de desejo.

Para fazer com que a história saltasse 25 anos e ainda pudesse retroceder quantas vezes fossem necessário, Mauro Farias usou e abusou do saudoso recurso do flash back e do back projection, projeção realizada por detrás da cena que está sendo filmada. "Vi e revi Carta de uma desconhecida (1948), de Max Ophus, que também usa o flash back entremeado com a leitura de uma carta", diz Mauro.

A história de Duas vezes com Helena, na verdade, é contada duas vezes. A primeira por P. e a segunda por Helena, em duas estruturas distintas. A música sinfônica realizada especialmente para o filme é um elemento a mais dentro da trama, realçando as variações de tempo e de narrativas. Para dar o tom envelhecido à produção, José Guerra e Paulo Flaksman montaram uma palheta de cores que abolia os tons primários e priorizava a colorização pastel. "Trabalhava com a luz muito baixa para que o back projection não sumisse. O objetivo era deixar as imagens meio lavadas, com cara de velhinho mesmo", conta Guerra.

"A história não apresenta soluções fáceis, o filme também não. A ironia que perpassa o filme é muito sutil e terá que ser identificada por cada um a seu modo", diz Mauro Farias. E Christine Fernandes, que interpreta Helena, completa: "Ninguém vai sair do cinema com certeza de nada e isso é muito bom". "O não realismo do filme é um grande alívio para o atual cinema nacional, acostumado às cenas dos próximos capítulos", brinca Christine.

Por que filmar a partir da literatura?
A idéia começou com uma conversa no Telecine. O Elton Simões, que era o diretor, propôs que a gente produzisse filmes a partir de contos da literatura brasileira. Primeiro, pensamos em fazer uma série em cima da obra do Machado de Assis. Depois isso se ampliou. O Telecine se associava a gente e o patrocinador recebia como bônus uma mídia no canal. Fizemos, então, O enfermeiro (1999), um média-metragem. Tínhamos a pretensão de produzir mais rápido e formar um acervo de filmes em média-metragem. Como isso não aconteceu, procuramos um conto mais encorpado para um segundo filme, que seria um longa. A parceria com o Telecine se desfez, quando a gente já namorava o Três mulheres de três PPPês do Paulo Emílio, um crítico que amou o cinema brasileiro, um intelectual que alargou a experiência na tela para quem fazia e para quem assistia.

Você ouviu falar de Paulo Emílio a partir da militância do seu pai, Roberto Farias, que foi diretor-presidente da Embrafilme, entre 1974 e 1979?
Meu pai falava do Paulo Emílio com enorme simpatia, já que ele, como diretor e produtor de cinema, sofria muito com a impressão negativa que era criada pela crítica no Brasil. E o Paulo Emílio tinha uma visão mais profunda, que tornava o debate favorável ao cinema nacional. Essa admiração se transferiu para mim. Mas eu não o conhecia como ficcionista. O Paulo César Saraceni já havia filmado (Ao sul do meu corpo/1981) o conto, mas eu não tinha visto o filme. O David Neves, de quem era amigo, estreou na direção de um longa, com um roteiro escrito com ele, em 1969, chamado Memória de Helena. A Berta Waldman, consultora literária do projeto, professora de literatura da USP e da Unicamp, durante uns anos, foi que me apresentou o livro. E eu fiquei encantado. Gostei dos três contos de cara.

Você não teve vontade de adaptar logo os três? Fazendo uma mistura?
Claro que tive vontade de filmar os três juntos. Mas aí era demais. Dá para fazer ainda uma trilogia. Eu tenho vontade, mas ainda não sei. Tinha uma certa resistência em promover adaptações, porque pensava que cinema devia ser uma experiência original. Tinha um preconceito de que, se partisse de um texto literário conhecido, essa idéia se perderia um pouco. A partir de O enfermeiro minha cabeça mudou completamente. É maravilhoso você ter um parceiro como Machado de Assis, Paulo Emílio...

Qual é a ousadia de colocar imagens num texto assim?
O exercício de interpretação mesmo que se faz ao tranpor para o cinema um texto escrito. Na hora em que a gente tenta levar o texto para a tela revivemos ativamente e concretamente algo que antes se havia experienciado de forma mais abstrata e livre na literatura. Nos embrenhamos mais na obra com a responsabilidade de preservar os sentidos que encontramos em sua leitura e nem sempre é fácil. Especialmente numa estória cheia de estranhezas como essa.

O que tem de ironia em 'Duas vezes com Helena'?
É uma história contada por uma pessoa que sofreu duas derrotas, que apanhou duas vezes. E é o derrotado que conta. Isso já é irônico de saída. Uma pessoa incapaz de reação, tal como um espectador, mas que narra. Um espectador de si mesmo. Acho inusitado isso.

A aproximação com o espectador se dá, então, através da impotência?
O espectador também é impotente. Assim como o personagem, que não consegue reagir. Tem que acompanhar e não pode mudar nada. A história tem um sabor cômico e sensual. E até a sensualidade é uma sensualidade ao avesso, porque quando você pensa que há desejo, sedução, na verdade não há. Quando o espectador sair do cinema não vai sair com a 'alma lavada', vai sair com 'alma encardida'. Não é um filme fácil e nem é um filme de soluções fáceis.

Qual a diferença em não sair com a 'alma lavada' do cinema?
Vai sair e ter que pensar. Uma hora, vai ter que parar e lavar essa alma. Vai perguntar: por que esse cara não reagiu? É bom sair um pouco do trivial da linguagem. Eu, como espectador, gosto de ver filmes que me surpreendem, isso me agrada. O filme, como o conto, é um jogo de impressões. Primeiro penetra pelo olhar de P. e depois volta à história pelo olhar da Helena. A figura do professor, aparentemente, é a grande manipuladora, embora fique a dúvida se é ele mesmo que controla tudo, ou se é Helena.

De onde surgiu a idéia de encenar em frente de projeções?
Tudo que cerca a trajetória dos personagens tem um que de absurdo. As estranhezas do conto marcam impressões transitórias, falsas, às vezes incoerentes até, ou pontuadas por elementos simbólicos e que brincam com as vidas que estão em jogo. O back projection propõe esta abstração destacando o personagem do fundo e tornando esse fundo mais expressivo. Além disso, era uma maneira de resgatar essa linguagem meio relegada à TV e que foi inventada pelo cinema tão usada em outras épocas. Hoje, quando você vê uma fusão no cinema chega a ser cafona, de tanto que você já viu isso na TV. O back projection é o 'cromaqui' da TV. Na década de 40, usar um back projection era a mais pura inovação. Usar fusões, fazer passagens... Pensamos muito em Carta de uma desconhecida (1948), do diretor alemão Max Ophus, que usa um jogo de linguagem de flash backs, permeado pela narração da carta.

Há onze anos, você filmou uma comédia super-leve, o que mudou?
Fiz o Não Quero... ainda na época da Embrafilme. Queria muito que ele tivesse uma boa resposta de público. O que foi uma grande frustração, porque a Embrafilme acabou e ficou um vazio. Parou a produção e meu filme foi lançado quando haviam poucos filmes nacionais entrando em cartaz e mesmo os filmes estrangeiros iam mal no circuito comercial. É curioso, mas o cinema brasileiro precisa que o brasileiro esteja de bem com o Brasil para dar certo. Se ele está de mal com o Brasil, não vai ver filme brasileiro. O cinema nacional vive um espécie de termômetro desse estado de coisas. Além disso, existe uma peculiaridade do nosso sistema de produção hoje que obriga, quem quer continuar insistindo nessa carreira complicada, ter que primeiro conseguir alguém para investir no filme, procurar um patrocinador. Isso é complicado, porque um filme surge da vontade de um diretor. Não abro mão de fazer um filme que eu, como espectador, goste.

Quais são seus próximos projetos?
Temos a intenção de continuar esse projeto de literatura. Quero filmar Menina de olho no fundo, do Mário de Andrade. Um amor entre uma menina e o seu professor. Com toda a dicotomia entre pureza e perversidade que esse amor pode ter. Tenho outro projeto que está mais adiantado, que é Ouro e estrelas. A história de um judeu português, um cristão novo, que vem para o Brasil procurar o filho, que se perdeu e virou escravo. O argumento é do Walter Siqueira, que fez uma pesquisa histórica e montou um quebra-cabeça de fatos. Esse português vem para cá atrás do filho, mas destinado a montar uma cartografia do caminho do ouro no Brasil, no século XVII. E outro projeto é meio autobiográfico. Se chama Um pouquinho de Brasil. É sobre alguém que perde o emprego, recebe uma indenização e tenta reestruturar sua vida enquanto pode contar com o dinheiro que lhe resta.

Os trabalhos de Mauro Farias

Longas

  • O Enfermeiro (1999) - diretor

  • Não quero falar sobre isso agora, (1993) - diretor, premiado, em 1991, em Gramado, com melhor filme, roteiro, atriz (Mariza Orth e Eliana Fonseca) e som.

  • Lili, a estrela do crime (1987) - assistente de direção

  • Com licença, eu vou à luta (1985) - produtor executivo

  • Aguenta, coração (1982) - assistente de direção

  • Pra frente, Brasil (1981) - assistente de direção e montador, prêmio de montagem, em 1981, em Gramado

  • Os trapalhões no auto da compadecida (1986) - assistente de direção

  • As aventuras com Tio Maneco (1970) - ator

Na TV

  • Minisséries (Globo) Noivas de Copacabana (1991) e Contos de verão (1992) - direção

  • 23 episódios para o seriado Você decide (Globo) - direção

  • novelas (Bandeirantes) O campeão (1996) e Perdidos de amor (1997) - direção

Vídeos

  • O chamado, de Marina Lima - direção

  • Minha sweet little Meg, de Evandro Mesquita - direção

A equipe do filme, suas impressões e seus trabalhos

Fábio Assunção (Polydoro) - Duas vezes com Helena é o primeiro grande papel no cinema de Fabio Assunção. Antes, participou do média-metragem Bio, a vida não tem retake, de Paulo Halm, e de A Hora Marcada, de Marcelo Taranto, recém-exibido nos cinemas. Aguardando a estréia de Belini e a esfinge, de Roberto Santucci, baseado no livro de Toni Belotto, onde faz Belini, e se preparando para começar a filmar São Francisco, de Marcos César Vinícius, produzido por Carla Camurati, onde também fará o personagem principal _ Henrique um fotógrafo que viaja pelo Rio São Francisco _, Fabio se diz 'tentado' a fazer cinema. Depois de São Francisco, começa a gravar a próxima novela das 18h para a TV Globo, de Maria Adelaide Amaral e nome provisório de Um lugar ao sol. Para o ano, pensa em montar O senhor das flores, peça escrita por Vinícius Marques, especialmente para ele e Marcos Rica. O ator das minisséries Os Maia e O Labirinto, de oito novelas globais, dos episódios da Comédia da vida privada e das últimas montagens de Quem tem medo de Virgínia Wolf e de Oeste, trafega no teatro e na TV, mas acredita que filmes como Duas vezes com Helena são cada vez mais freqüentes e o instigam a um novo tipo de trabalho.

"Fizemos várias leituras e discutimos muito o trabalho em equipe. Lembro que ficamos ensaiando num hotel do Rio e foi uma construção muito interessante. O Mauro tem um estado de espírito muito harmonioso e isso facilitou o entrosamento. P. foi um personagem difícil. Não só pela caracterização _ ele envelhece 25 anos na história _, mas também porque está envolvido numa situação psicológica muito forte e complexa. Ele vive quatro dias que sexo, que, na verdade, são um divisor de águas na sua vida. E passa 25 anos com a culpa de ter traído um grande amigo. Quando a personagem reaparece, 25 anos depois, aos 50 anos, ainda não dava para tremer as mãos ou mudar a voz, mas precisava caracterizar seu processo de culpa, sua solidão e um certo relaxamento consigo. Botei, então, uma barriga postiça, abri o cabelo na frente para dar idéia de duas entradas, mas não podia ser muito radical. O romantismo dos anos 40, daquele homem meio bobo, que ama uma mulher a vida inteira, não é um universo tão desconhecido assim. A idéia de usar o back projection reforçou esse clima. Achei o resultado ótimo. Isso deu uma assinatura autoral ao filme e conferiu uma certa poesia."

webc3632.jpg (29811 bytes)Christine Fernandes (Helena) - Ela conheceu Mauro Farias trabalhando na novela da Bandeirantes, Perdidos de Amor (1997). Antes de aceitar o desafio de encarnar Helena, só havia feito uma 'ponta' em Xangô de Baker Street, de Miguel Faria. Helena é seu primeiro grande papel no cinema. E a estréia como protagonista não foi das mais fáceis. Foi preciso sustentar interpretações em seqüências de mais de 20 minutos, como a da narração final entrecortada por flash backs, e passar quase o filme inteiro sem poder encarar os olhos de P., personagem interpretada por Fábio Assunção, com quem havia trabalhado na minissérie Labirinto. Além disso, Christine teve que acompanhar o salto de idade de Helena na história e envelhecer com ela 25 anos. A atriz, que se diz acostumada a fazer as vilãs das histórias, participou ainda de Amores Possíveis, de Sandra Werneck, Lara, de Ana Maria Magalhães, que está para estrear, e aguarda as filmagens de Rua 6, s/nº, de João Batista de Andrade.

"Acho o não realismo do filme um grande alívio para o cinema nacional, acostumado hoje a um realismo óbvio, que nos remete sempre às cenas dos próximos capítulos. Duas vezes... é um filme que escapa disso, que pode surpreender as pessoas no cinema, porque deixa o espectador decidir junto. É um filme que te faz pensar, como os filmes do Cassavetes, que eu amo. Ninguém sai do cinema com a certeza de nada. O que a Helena narra no final, por exemplo, pode ser algo só da cabeça dela. Não dá para ter certeza de que o professor realmente mandou que ela fosse lá falar com P.. E se mais uma vez por ciúmes ela evitou o encontro dos dois? A Helena é estóica, afiada, vai na jugular, é capaz de tudo. Aliás, as cabeças dessas personagens (Helena e professor Alberto) são enfermarias muito loucas. Entrar nesse universo foi uma carpintaria. Além disso, eu não podia olhar nos olhos do Fábio Assunção e tinha que envelhecer em cena, coisa que nunca tinha experimentado. Quando você contracena com alguém, o natural é buscar o contato visual. Tivemos que encontrar o entendimento por outras formas, pelo tom de voz por exemplo. Eu não podia olhar na direção dele, mas também não podia olhar muito abaixo, porque se não a câmera não conseguia mostrar meus olhos. Aos poucos fui descobrindo como fazer aquilo. Já para o envelhecimento tive que incorporar uma nova bagagem corporal e uma mão deformada por uma artrite crônica. Fiquei muito feliz com o nível de confiança depositada pelo Mauro no meu trabalho. O bom dele é isso, ter capacidade de instaurar a tranqüilidade, acreditar em sua equipe e usar de despretensão com o filme."

Carlos Gregório (professor Alberto) - Carlos Gregório está acostumado aos tipos introspectivos, obsessivos e sombrios. Mas fazer um introspectivo, obsessivo, sombrio paulista teve uma dificuldade a mais: o sotaque. Nunca havia contracenado com Fábio Assunção e Christine Fernandes, com quem logo depois faria a novela Esplendor. Muito menos encenado na frente de uma imagem projetada ao fundo. Para quem acaba de aparecer nas telas em Tônica Dominante, de Lina Chamie, e aguarda as estréias de O poeta de duas faces, de Paulo Thiago, realizado para o GNT, e de Jantar entre amigos, peça que terá direção de Felipe Hisch, Duas Vezes com Helena foi um aprendizado a mais.

"O Alberto é um intelectual paulista, introspectivo. A dificuldade era a fala. Sou Carioca e no Rio a gente não o tem o mesmo hábito dos S e dos R de São Paulo. Quando ouvia minha voz, achava que soava falso demais. As filmagens transcorreram numa paz absoluta. Grande parte foi feita em estúdio, o que deixou todo mundo mais concentrado. Era um elenco de três e houve muita parceria. O Mauro soube desenhar muito bem a direção dele e foi extremamente cuidadoso com o elenco. Filmar com o back projection atrás era uma mágica. E o resultado ficou muito interessante. O filme ganhou uma personalidade estética e uma áurea poética muito bonita com esse recurso."

Melanie Dimantas (roteirista) - Ela esteve nos três últimos Laboratórios de Roteiro do Sundance, com Olhos azuis (1999), em parceria com Jorge Duran, para José Joffily dirigir, Legítima Defesa (2000), com Lui Farias, baseado em Rota 66, de Caco Barcelos, e O outro lado da rua (2001), com Marcos Bernstein, que será a primeira direção em longa do roteirista de Central do Brasil. Sociológa da USP, paulista, e com forte ligação com a literatura, escreveu ainda Carlota Joaquina, Princeza do Brasil (1995), com Carla Camurati, Copacabana (2001), com Camurati e Yoya Wursch, Verão 27, com Adriana Falcão, e Avassaladoras, com Mara Mourão. Para o marido, Mauro Farias, adaptou e roteirizou O enfermeiro (1999) e escreveu Não quero falar sobre isso agora (1993), em parceria com o próprio Mauro e com o ator do filme Evandro Mesquita. Trabalha ainda para Sambaland, do americano John Maass, e Ouro e Estrelas, projeto de Mauro Farias sobre a corrida do ouro no Brasil.

"Li 'Duas vezes com Helena' há muitos anos e sempre achei o conto cinematográfico. Com a idéia de fazer o 'Contos no cinema' para o Telecine, Berta Waldman, nossa consultora literária no projeto, acabou o incluindo na lista. A história brinca com todos os elementos do cinema da década de 40. A mulher misteriosa e implacável, o garoto bonitinho e bobinho, que acaba envolvido com algo maior do que ele... A graça estava em poder brincar com essa linguagem meio fake, meio de cinema. Paulo Emílio era uma pessoa que pensava em cinema e era natural usar essas identificações."

José Guerra (diretor de fotografia) - Duas vezes com Helena é a terceira assinatura de 'Guerrinha' para a fotografia de um filme de Mauro Farias. Dirigiu a fotografia também em O enfermeiro (1999). Além de ter realizado com o diretor parcerias na TV e o video clip O Chamado, da cantora Marina Lima. Com extensa folha corrida em prol do cinema nacional, em filmes como Outras estórias (1997), de Pedro Bial, e Casa-grande & senzala (2000), documentário de Nelson Pereira dos Santos, Guerrinha, que se prepara para fotografar para a Globo a minissérie, em HDTV, Os quintos dos infernos, com direção de Wolf Maia, e para as estréias de Lara, de Ana Maria Magalhães, e de mais duas direções de fotografias em filmes argentinos _ Lo que busca el amor, de Sandra Gugliota, e Baja es lo peor, de Luis Barone _, vê em Duas vezes com Helena um trabalho criativo, de soluções técnicas engenhosas e boa direção.

"Duas vezes... é um filme do tamanho da cinematografia brasileira. Teve um orçamento enxuto. O Mauro, além de ser amigo, é muito claro sobre seu trabalho, sabe determinar as coisas e, ao mesmo tempo, é capaz de criar um clima intenso de parceria. Tem bom gosto, é refinado e supereducado _ às vezes até demais. Duas vezes... é um filme de direção. Nada nele se sobressai. Tudo caminha em perfeita harmonia, por isso acho que seja um filme, basicamente, de direção. A solução do back projection em vídeo foi muito boa. Ele já estava adaptado para cinema, o que facilitou bastante. Assim, não tivemos problema com a diferença de quadros (24 para o cinema e 30 para o vídeo) e não sofremos com o batimento irregular. Foi o Paulo Flaksman que fez as proporções. A gente não queria ser realista. Queríamos deixar claro que era fake, mas um fake bem feito. Tive que trabalhar o tempo todo com a luz muito baixa (pouquíssima luz), se não o back projection sumia. O objetivo era deixar o filme meio esmaecido, num tom de velho, antigo. Hoje os negativos tem color, color... São muito puxados para as cores primárias. Então montamos uma palheta, que ia do marrom ao creme, com variantes vermelhas, azuis, ao longe. Na finalização diminuímos ainda mais os contrastes. O objetivo era deixar as imagens meio lavadas, com cara de velhinho mesmo".

Paulo Flaksman (diretor de arte) - Fazer a direção de arte num filme de época não é das tarefas mais fáceis. Agora, fazer a direção de arte num filme de época que une diversos recursos estéticos e técnicos díspares é um pouquinho mais complicado. Flaksman, que já havia assinado a direção de arte para O enfermeiro (1999), precisou planejar um pouco para que o back projection escolhido tivesse a mesma dimensão da cena em que ia ser utilizado. Outro desafio foi envelhecer o filme. Deixá-lo com a cara dos filmes dos anos 40, porém, realizado no século XXI. Flaksman trabalha agora para Xuxa e os duendes, que terá direção de Paulo Sérgio Almeida e Rogério Gomes.

"Pensamos no recurso do back projection para resolver as variações de época dentro da história. Fomos buscar imagens no Decine (Departamento de Cinema - antigo CTAV), da Avenida Brasil. Precisávamos que as imagens tivessem proporção com a cena. Outra coisa que queríamos era tirar a cor do filme, chegar perto do preto-branco. Trabalhar um filme em preto e branco hoje é caríssimo. Fizemos, então, um controle de cor. Tiramos a cor primária. A idéia era deixar o filme com um tom pastel. A gente fez Paris com uma projeção refletida no vidro do cenário. Às vezes, filmávamos uma cena em vídeo, trabalhávamos a imagem e filmávamos tudo de novo. Acho que o cenário também ficou bem apropriado. Todos os interiores foram construídos no estúdio e dão o tom austero que se pretendia."

Tuco (montador e pós-produtor) - Foi ele o responsável por Mauro Farias ter ido finalizar Duas vezes com Helena no estúdio Churubusco, na Cidade do México. Montador de O trapalhão e a luz azul (2000), de Paulo Aragão, Outras estórias (1999), de Pedro Bial, e Como ser solteiro (1998), de Rosane Svartman, ele já havia aprovado as instalações e o trabalho mexicano. Montador de O enfermeiro e parceiro de José Guerra, Tuco, além de montar, teve a difícil tarefa de equalizar na pós-produção os diversos processos utilizados durante as filmagens de Duas vezes com Helena.

"O roteiro foi muito favorável à montagem.. Apesar da quantidade de datas e flash backs, tudo estava muito bem descrito e definido pelo roteiro. Assim eu pude atuar mais no micro, no acabamento do detalhe. Duas vezes... é um filme simples, sensível, que tem a sua força no conjunto. Busquei na montagem respeitar isso: a noção de conjunto. Já a pós-produção foi mais difícil. Quase 50% do filme são trucagens. Há muitos efeitos óticos, com processos utilizados no princípio do cinema. A mistura é muito grande. Algumas das trucas usaram mais de três processos. E o filme tem uma padronização muito sutil, que enriquece o seu universo técnico. Existe uma seqüência de 23 minutos, que é quando Helena narra a P. o que de fato aconteceu, com vários flash backs no meio, suportes diferentes, e que tudo tem que estar no mesmo 'time', equalizado. Aquilo foi filmado várias vezes, em dias diferentes, mas quando é projetado a luz tem que ser a mesma, a cor tem que ter o mesmo contraste... Enfim, essa parte foi bastante trabalhosa."

Mauro Lima (música) - Mauro Lima dirigiu os longas Loura incendiária (1996) e Deus Jr., ainda a estrear no circuito comercial. Músico de formação, diretor e roteirista, dividiu pela primeira vez com Berna Ceppas, Alexandre Kasin e Harold Emert, a responsabilidade de compor a trilha para um filme que não era seu. Sua última passagem pelo show business tocando violão foi ao lado de Branco Melo no Rock in Rio 3.

"A música de Duas vezes com Helena é bizarra, diria até que sinistra. A segunda parte chega a ser pouco desconfortável, pois não tem identificações precisas com quase nada com que estamos mais familiarizados. A trilha foi composta para instrumentos sinfônicos. Um filme de época, com relações internacionais, que mostrava Paris e falava na II Guerra Mundial, pedia uma produção assim. E lidar com arranjos para instrumentos sinfônicos requer uma produção maior. Chamamos, então, o Harold Emert, um novaiorquino, radicado no Brasil, oboista da OSB (Orquestra Sinfônica Brasileira), talvez o primeiro hoje no Brasil, para fazer os arranjos. O Harold tem idéias ousadas. Aliás, esse pessoal de sinfônica são os mais loucos em termos de música. O rock perde longe, é muito careta perto desses caras. E ele topou as propostas mais bizarras. Teve ainda o Larry Foutain, inglês, tocando cravo e piano, e o David Chew, no violoncelo. Considero o resultado dessa trilha inusitado e ficaria muito feliz em poder comprá-la em CD."

O escritor, sua obra e sua trajetória

Paulo Emílio Salles Gomes (escritor - 1916-1977) - Publicado, em junho de 1977, pouco antes da sua morte, Três mulheres de três PPPês, é a única produção ficcional do ensaista e articulador incansável de políticas culturais para o cinema brasileiro. Editado primeiro pela Perspectiva e depois pela Nova Fronteira, Paz e Terra, França, Alemanha e EUA, Três mulheres de três PPPês traz três contos: Duas vezes com Helena, que abre o livro, Ermengarda com H e Duas vezes com ela.

No prefácio de Três mulheres de três PPPês, publicado pela Paz e Terra, o crítico Roberto Schwarz compara o texto de Paulo Emílio ao de Guimarães Rosa: "Três mulheres... é a melhor prosa brasileira desde Guimarães Rosa". "À primeira vista o livro de Paulo Emílio é um divertimento, de muita qualidade (...) Três novelas conjugais, de enredo picante, cheio de surpresas e suspense (...) entretecido com a prosa esplendidamente desabusada e flexível, que paira como uma enorme risada sobre a estreiteza do assunto e a obviedade dos andaimes narrativos (...) Trata-se da imitação de uma prosa solene, muito paulista (...) mas quem a imita é um espírito moderno, experiente, de esquerda e antifamília", escreve, citando o próprio Paulo Emílio: "sou um liberal conservador, respeito a tradição alheia, mas em matéria de família sou subversivo e não suporto a minha". E continua: "Contrariedades conjugais, viravoltas do enredo, prosa engomada são questões que o Modernismo liquidou (...) ele as invoca, dentro mesmo da vigência indigente que na prática elas conservam, para expô-las ao vexame de uma reiteração aprimorada (...) no momento em que o experimetalismo técnico parece relativamente domesticado e recuperado, é no espírito crítico enquanto tal que se refugia a verdadeira modernidade, que paradoxalmente pode até se apoiar numa aparência de convencionalismo formal".

A prosa a que se refere Schwarz teria encantado Paulo Emílio. Sua esposa Lygia Fagundes Telles, lembrando a incursão do marido pelo gênero ficcional, narra a perplexidade do ensaista diante da produção literária: "não quero mais escrever sobre cinema; porque você não me avisou que escrever ficção era tão bom?"

Sua bibliografia é extensa. Seu mais famoso livro-manifesto é Cinema: trajetória no subdesenvolvimento, publicado postumamente em 1980. Traz três textos: Pequeno cinema antigo, Panorama do cinema brasileiro: 1896/1966, além do último que dá nome ao livro.

Fundador do Clube do Cinema, da Cinemateca de São Paulo e um dos criadores do Festival de Cinema de Brasília, em 1965, Paulo Emílio teve uma militância aguerrida. Foi preso em 1935, depois da Intentona Comunista. O dia era 17 de dezembro, data em que completava 19 anos. Passou mais de um ano trancafiado nos presídios Maria Zélia, onde montou um grupo de teatro, e no Paraíso, de onde simplesmente cavou um túnel com mais 16 presos e fugiu em fevereiro de 1937. Exilado na Europa, mais precisamente em Paris, estudou literatura francesa na Sorbonne, sociologia na École des Hautes Études Sociales, e jornalismo na École de Journalisme. Como a personagem P. de Duas vezes com Helena, voltou em dezembro de 1939, logo após ser declarada a II Guerra Mundial.

Na Europa, escreveu para as revistas estudantil Essais et Combats e católica Combat e trabalhou no serviço de língua portuguesa da rádio France International e no grupo teatral Les Revérbères, como ator.

Ex-membro da Juventude Comunista, filiado desde 1935 à Aliança Nacional Libertadora (ALN), Paulo Emílio desenvolveu a partir do início de 1938, na Europa, uma visão crítica da prática stalinista na Rússia.

Inspirado na experiência francesa do Cercle du Cinéma, criou o Clube do Cinema de São Paulo, em 1940. Durante o Estado Novo, considerado subversivo, o clube foi fechado. Em 1941, começou a escrever sobre cinema para a revista Clima.

Em 1944, participou da Batalha da Borracha, no Norte/Nordeste, produzindo um filme e percorrendo a região da Amazônia. Em Altamira, Pará, chegou a assumir a chefia de um posto de combate.

Em 1946, voltou à Paris para estudar no Institut des Hautes Cinématographiques (IDEHC). Foi um dos delegados brasileiros na conferência de fundação da Unesco e assumiu logo depois o Institut des Hautes Études Brésiliennes do Museu do Homem. Foi ainda nessa época representante na Europa do ressuscitado Clube do Cinema e da recém-criada Filmoteca do MAM. Correspondente de O Estado de São Paulo e da revista Anhembi, informava sobre os festivais internacionais europeus. Entre 1947 e 1952, pesquisou e produziu textos sobre a vida do cineasta Jean Vigo e seu pai anarquista.

Voltou ao país, definitivamente, em 1954. Assumindo em 1956, a seção de cinema do suplemento literário de O Estado de São Paulo. Em 1957, com a criação da Fundação Cinemateca Brasileira _ uma emancipação da Filmoteca do MAM, que se desligava do museu _ passou a gerenciá-la até 1961.

No meio acadêmico, Paulo Emílio teve inúmeras inserções. Formado em Filosofia, em 1944, organizou um curso de cinema na Universidade de Brasília (UNB), lecionou na USP Teoria Literária e, a partir da fundação da Escola de Comunicações e Arte (ECA), começou a ministrar ali os cursos de História do Cinema e Cinema Brasileiro.

Sofrendo de problemas cardíacos, Paulo Emílio morreu de enfarte. Foi casado com Sonia Houston Velloso Borges (1949) e Lygia Fagundes Telles (1966), e não deixou filhos.

Alguns livros de Paulo Emílio publicados

  • Capitu, roteiro com Lygia Fagundes Telles, Siciliano, 1993

  • Vigo, vulgo Almereyda, Companhia das Letras, 1991

  • Paulo Emílio, um intelectual na linha de frente, artigos, Brasiliense, 1986

  • Jean Vigo, Paz e Terra, 1984, publicado primeiro pela Seuil, em Paris, em 1957

  • Crítica de cinema no suplemento literário, Paz e Terra, 1982

  • Cinema: trajetória no subdesenvolvimento, Paz e Terra, 1980

  • Três mulheres de três PPPês, Perspectiva, 1977

  • A personagem de ficção, artigos de vários, Perspectiva, 1976

  • Humberto Mauro, Cinearte, Cataguases, Perspectiva, 1974

  • 70 anos de cinema brasileiro, com Adhemar Gonzaga, Expressão e Cultura, 1966

  • The Cinema, artigo Nought for Behaviour, com Henri Stork , Penguin Books, 1951

  • Plataforma da nova geração, depoimento, Globo, 1945

O que já foi filmado com, sobre ou de Paulo Emílio

  • Gimba (1963), Flávio Rangel - ator, interpretou Delegado

  • Capitu (1968), de Paulo César Saraceni - adaptador e co-roteirista com Lygia Fagundes Telles do romance de Machado de Assis

  • Memória de Helena (1969), de David Neves - co-roteirista com David Neves

  • P.E. Salles Gomes (1969), curta de David Neves

  • Tem coca-cola no vatapá (1972), curta de Pedro Farkás e Rogério Côrrea

  • Nitrato (1976), curta de Alain Fresnot

  • Paulo Emílio (1969), curta de Ricardo Dias

  • Ao sul do meu corpo (1981), de Paulo César Saraceni, baseado em Duas vezes com Helena

  • Vigo (1998), documentário de Julien Temple, Inglaterra


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