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O Grinch


webci986.jpg (28214 bytes)Desde sua primeira publicação em 1957, o clássico do Dr. Seuss How the Grinch Stole Christmas tem cativado leitores de todas as idades com sua história deliciosa, seus personagens agradáveis, seu humor inteligente e sua mensagem atemporal. Durante décadas, vários cineastas de Hollywood tentaram, em vão, adquirir os direitos para produzir um dos livros do Dr. Seuss, mas Theodor S. Geisel (o verdadeiro nome do Dr. Seuss) sempre negava. Ele já estava satisfeito com a versão animada de 1966. No entanto, recentemente, Audrey Geisel, a viúva do Dr. Seuss, confiou o legado de seu marido ao Produtor cinematográfico Brian Grazer (APOLLO 13 — DO DESASTRE AO TRIUNFO, O PROFESSOR ALOPRADO, O MENTIROSO, O PREÇO DE UM RESGATE, O PROFESSOR ALOPRADO II: A FAMÍLIA KLUMP). Seu colaborador de longa data e sócio na Imagine Entertainment, o Diretor e Produtor Ron Howard (APOLLO 13 — DO DESASTRE AO TRIUNFO, EDTV, COCOON, BACKDRAFT — CORTINA DE FOGO, UM SONHO DISTANTE) foi a escolha perfeita para dirigir o filme. E quem melhor para personificar o Grinch — aquele execrável, perverso, travesso, malicioso, odioso, provocador, mal-humorado, grosso, intolerante, totalmente não redimível, malcheiroso e nada agradável Grinch — do que o incrivelmente talentoso Jim Carrey (O SHOW DE TRUMAN — O SHOW DA VIDA, O MENTIROSO, O MUNDO DE ANDY, ACE VENTURA — UM DETETIVE DIFERENTE, O MÁSKARA, O PENTELHO). O astro já havia deixado claro para a comunidade de Hollywood que estava interessado em fazer o Grinch. "Na minha infância, não era Natal se eu não lesse o livro e não assistisse ao desenho do Grinch. Quando o projeto surgiu, percebi que era a realização de um sonho, mesmo eu nunca tenha pensado nisso antes", lembra Jim Carrey. O Diretor Ron Howard observa: "Sua imaginação, energia e talento físico incríveis tornaram-no perfeito e a única escolha para dar vida ao Grinch". Quando o ator se apresentou para fazer o teste diante de Audrey Geisel, a viúva do autor teve uma reação extremamente positiva, como conta: "Fiquei surpresa. Sem maquiagem nenhuma, ele simplesmente se transformou ali, bem na minha frente, no próprio Grinch".

Por outro lado, a escalação de Cindy Lou foi uma tarefa difícil porque sua personagem é quem leva a história adiante e muito do seu tempo na tela é junto com o Grinch, o que já era uma tarefa e tanto para uma criança que não poderia ter mais de seis anos. Os Diretores de Elenco fizeram testes com mais de 200 meninas americanas e a experiência da jovem Taylor Momsen estava limitada a comerciais e a um episódio da série The Cosby Show. Como é menor de idade, ela só poderia trabalhar um número limitado de horas por dia e, envolvida no roteiro em diversas cenas de ação, iria precisar de uma dublê. Então, membros da equipe foram encontrar esta dublê num circo na Rússia, onde Oxana Nenakhova era a estrela anã. Quase do mesmo tamanho, sua estrutura facial era parecida com a de Taylor Momsen e suas habilidades atléticas estavam além de qualquer questionamento.

Encontrar o cachorro certo para fazer Max foi responsabilidade do veterano Treinador de Animais Roger Schumacher (que treinou um cachorro para MELHOR É IMPOSSÍVEL). A cadela Kelly já fugira de casa quatro vezes, era muito agitada e, por isso, precisou de muito treinamento. Além de Kelly, Schumacher treinou cinco outros cães (que tiveram o pelo cortado e tingido para se parecer com Kelly) para se passarem por Max em gags especiais. O maior desafio era juntar os cães com Jim Carrey (ele estava trabalhando em outro filme durante a preparação dos animais) e fazê-los aceitar o que Carrey fazia na pele do Grinch. Todos os seis cães vieram de asilos de animais abandonados, mas depois do filme quatro deles foram adotados por membros da equipe de O GRINCH.

Com o livro em mãos e os atores escalados, Ron Howard e Brian Grazer tiveram que enfrentar a assustadora idéia de criar o mundo maravilhoso que Seuss mostrou em seus 44 livros. O Produtor Brian Grazer conta: "Queria que o design fosse emocionante e que as combinações de cores formassem algo que eu realmente nunca tivesse visto antes. Queria também que a equipe visual criasse um mundo original e complexo, mas que tivesse um certo nível de irreverência e sofisticação legal para as crianças". E foi assim que o Diretor Ron Howard definiu o ambiente do filme para sua equipe de criação: "É um mundo real, só que não é o nosso mundo". Todos os elementos que aparecem nos cenários foram construídos a partir de rascunhos. Porém, todos essas questões de estilo ainda ficaram em segundo plano diante do desejo de Howard em contar uma história genuína com ressonância emocional.

O GRINCH foi quase todo rodado nos 11 estúdios do Universal Studios, em Hollywood, incluindo o número 12, o maior de todos, que abrigou o gigantesco cenário de Quem-lândia (o maior cenário já construído ali). A produção, guiada pelo Desenhista de Produção Michael Corenblith (APOLLO 13 — DO DESASTRE AO TRIUNFO, EDTV, O PREÇO DE UM RESGATE, O PODEROSO JOE), utilizou mais de 600 mil metros lineares de um material parecido com isopor mais rígido chamado styrofoam (como não há linhas retas no mundo de Seuss, houve pouca necessidade de métodos de construção convencionais) para criar os vários cenários. De modo a seguir a descrição dos livros do autor, Michael Corenblith deu à Quem-lândia uma série de arcos, pontes, escadas e espirais que se repetem, numa escala menor, nos interiores. O Desenhista de Produção sabia que Theodor S. Geisel tinha paixão pela arquitetura medieval (evidenciada em The Kings Stilts e nos dois livros Bartholomew), apesar de que, no livro do Grinch, o escritor ter retratado Quem-lândia como uma vila repleta de casas de feno. O lugar foi enfeitado com 8.000 diferentes ornamentos e 52.000 luzes de Natal. Quanto ao interior da caverna do Grinch, ele foi inspirado nas Cavernas Carlsbad, do Novo México.

Uma equipe de segunda unidade foi para o Solitude Ski Resort, perto de Salt Lake City, em março de 2000, depois de completada a fotografia principal, para rodar a seqüência em que Grinch, Cindy Lou e Max descem pelo Monte Espicho até a Quem-lândia para devolverem os presentes. As tomadas em close-up do Monte Espicho foram feitas por Ron Howard no estúdio 27, onde uma montanha de styrofoam foi construída dando ao set uma altura total de 17 metros. Só a seqüência do trenó apresenta mais de 150 tomadas de efeitos visuais para enfatizar o mundo de Seuss, onde as leis da física são um pouco diferentes. Outro número interessante da produção: a quantidade de neve utilizada no filme poderia cobrir nove campos inteiros de futebol americano.

Todos os atores passaram por um extenso processo de maquiagem e aplicação de cabelos para personificarem a arte do Dr. Seuss O Supervisor de Efeitos Especiais em Maquiagem, vencedor de cinco Oscar®, Rick Baker (O PROFESSOR ALOPRADO, O PROFESSOR ALOPRADO II: A FAMÍLIA KLUMP, ED WOOD, ATÉ QUE A FUGA OS SEPARE, LOBO, GUERRA NAS ESTRELAS, MIB: HOMENS DE PRETO) começou a trabalhar em seus desenhos de maquiagem para o Grinch em dezembro de 1998 com a ajuda do próprio Jim Carrey e do Diretor Ron Howard. Rick Baker e sua companhia, a Cinovation Studios+, criaram 125 maquiagens para os personagens do filme. Durante as cenas na praça de Quem-lândia, o técnico e sua equipe de 60 profissionais aplicavam 110 maquiagens por dia. Feitas de borracha, essas aplicações (com partes de borracha coladas ao rosto do ator) só podem ser usadas durante um dia. Assim, no final da produção, 8.000 aplicações e 3.500 orelhas foram usadas. Ainda, 300 perucas e 150 chumaços de pelos faciais foram utilizados, todos eles criados pela Cinovation e pelo Cabeleireiro Chefe Gail Ryan. Rick Baker também criou a "roupa" peluda do Grinch, que consiste de pelos (individualmente costurados e amarrados duas vezes) tingidos de "verde-Grinch" e costurados à uma roupa de lycra spandex que levou quatro meses para ser produzida. Jim Carrey lembra: "A combinação da maquiagem — que não me deixava respirar pelo nariz — com as lentes de contato, os dentes falsos e a roupa fazia com que eu sentisse que estava sendo enterrado vivo todos os dias. Era horrível. Mas no instante em que Ron dizia ‘ação!’, eu perdia toda a sensação de desconforto". O processo levava três horas todas as manhãs.

webci987.jpg (21776 bytes)A Figurinista Rita Ryack (APOLLO 13 — DO DESASTRE AO TRIUNFO, O JORNAL, CASSINO, O CABO DO MEDO, DEPOIS DE HORAS) teve liberdade para deixar sua imaginação correr solta, já que os personagens no filme (exceto o Grinch e Cindy) não existem no livro. O prefeito do primeiro livro de Seuss, And to Tnhik I Saw It on Mulberry Street, foi a fonte para o Prefeito May Quem. Rita Ryack e sua equipe criaram tudo, desde os sapatos até, claro, os chapéus. A maioria dos 300 chapéus, inspirados em livros de culinária da década de 50, pode ser vista no filme durante a Quem-festança. No total, nada menos que 443 diferentes figurinos foram desenhados para as filmagens. Um conjunto singular de instrumentos foi criado por computadores para o filme pelo Supervisor de Efeitos Visuais vencedor do Oscar® Kevin Mack (APOLLO 13 — DO DESASTRE AO TRIUNFO, AMOR ALÉM DA VIDA, ENTREVISTA COM O VAMPIRO, O CLUBE DA LUTA) e sua equipe de 70 artistas, que fizeram mais de 500 tomadas de efeitos visuais. A criação da trilha sonora do filme ficou a cargo do vencedor do Oscar James Horner (TITANIC, IMPACTO PROFUNDO, MAR EM FÚRIA, CORAÇÃO VALENTE, A MÁSCARA DO ZORRO, COCOON) que, ao obter inspiração nos livros do Dr. Seuss, percebeu que os sons possivelmente seriam resultantes de alguns instrumentos estranhos. Ele conta: "Fizemos oito instrumentos a partir de materiais bem esquisitos, incluindo uma mangueira de jardim e um tubo de PVC. Eu estava procurando um som meio nasalado e assobiado para personificar a banda de Quem-lândia". Jim Carrey, sem acompanhamento e nenhum mecanismo especial para alterar sua voz, cantou a música-título "You’re a Mean One Mr. Grinch", escrita por Albert Hague e pelo próprio Theodor S. Geisel para o programa animado de televisão de 1966. Todas as músicas tem um ar meio retrô, como o visual do filme, inspirado nos estilos dos anos 40 e 50, apesar de ter sido modernizada e parecer, de certa forma, excêntrica.

O Dr. Seuss morreu em 1991, mas sua mulher está convencida de que seu marido teria aprovado o mundo que os ceinastas criaram. Ao visitar os sets, em outubro de 1999, Audrey Geisel observou: "Gostaria muito que Ted pudesse estar aqui para ver o que foi criado".


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