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notasprod_1.gif (2071 bytes) Hedwig - Rock, Amor e Traição

webc3091.jpg (30024 bytes)Não há dúvida de que John Cameron Mitchell e Stephen Trask, os autores do mais criativo musical que Nova Iorque já viu, tinham um desafio em suas mãos. A montagem de "Hedwig - Rock, Amor e Traição" no circuito off-Broadway foi um estrondoso sucesso, aclamada por público e crítica. Esta peça de teatro original e inovadora tinha deixado no público um "gostinho de quero mais". E "mais" acabou significando a gravação de um cd, bem como o desejo de diversos estúdios de transformar a peça num filme.

Os caminhos de John Cameron Mitchell e Stephen Trask se cruzaram pela primeira vez ao pegarem um mesmo vôo. Conversaram a respeito de suas carreiras, a de John no teatro e a de Stephen na música, e de como um admirava o meio em que o outro atuava. Após o primeiro encontro, começaram a passar algum tempo juntos e logo perceberam que tinham um sonho em comum. "Tudo aconteceu do mesmo jeito que, dizem, costumam se formar as bandas, com a diferença de que estávamos preparando uma peça de teatro. Íamos à casa um do outro, éramos duas pessoas com interesses em comum, falando sobre as coisas de que gostávamos e, em seguida, iniciando um projeto e incentivando um ao outro", descreve Trask.

Dessa parceria nasceu a personagem Hedwig. John escreveu os monólogos e estrelou a peça no papel da protagonista, enquanto Stephen compôs as músicas e as letras e interpretou o líder da banda, Skszp. O grupo de Stephen, o Cheater, juntou-se a eles e "Hedwig - Rock, Amor e Traição" estreou em Nova Iorque numa festa de punk rock chamada Squeezebox, no clube noturno Don Hill, no Soho. A peça agradou tanto que logo foi preciso encontrar um lugar maior.

Quando John e Stephen transferiram a montagem para um teatro do circuito off-Broadway, localizado no West Village, a peça imediatamente se tornou a sensação da temporada. Celebridades compareciam aos bandos. Eles se apresentaram no famoso programa de TV "Late Night with David Letterman", no "The Rosie O'Donell Show" e na MTV, apareceram na capa da Time Out New York, e tiveram destaque nas revistas Time, Rolling Stone e Spin. John e Stephen receberam convites para se apresentar em diversas partes do mundo. O musical já foi apresentado em Los Angeles, Seattle, Boston, Kansas City, Colônia, Londres, e já está programado para estrear em São Francisco, Toronto e Berlim.

O pessoal da produtora Killer Films ficou imediatamente impressionado com o espetáculo. A produtora Katie Roumel lembra que: "a companhia inteira foi assistir ao espetáculo e todos ficamos empolgados, pois era maravilhoso. Muitos dos diálogos, assim como as piadas, tinham duplo sentido ou faziam referência a algo e a performance de John era comovente. Era muito divertido, mas tocante e inteligente ao mesmo tempo".

A produtora Christine Vachon, que criou a Killer Films juntamente com Pamela Koffler e produziu filmes de sucesso inspirados na cultura pop, como "Um Tiro para Andy Warhol", "A Salvo" e "Velvet Goldmine", acreditava que "Hedwig - Rock, Amor e Traição" tinha de ser adaptado para o cinema. "Vi o potencial da história. Afinal, o que é um grande filme senão uma boa história bem contada? Achei que havia uma carga dramática que poderia ser até melhor aproveitada na linguagem do cinema do que no teatro", declara Vachon.

A Killer Films, que produziu "Felicidade", de Todd Solondz, e o filme ganhador de um Oscar "Meninos Não Choram", de Kimberley Peirce, é conhecida por apostar em novos diretores, bem como em material propenso a controvérsias. "Foi emocionante trabalhar com alguém que está dirigindo um filme pela primeira vez. A inexperiência pode ser sinônimo de desconhecimento de limitações. Se você sabe quais são os problemas que podem surgir, sabe o que temer, não está aberto da mesma forma que alguém que adentra um território desconhecido. Acredito que a Killer Films sabe bem como apoiar um diretor, emprestando sua experiência sem, contudo, limitar sua visão", afirma a produtora Pamela Koffler.

Ninguém na Killer Films tinha dúvidas quanto ao fato de John Mitchell ser a pessoa certa para dirigir o filme. Segundo Koffler: "Era óbvio que John era o tipo de diretor estreante ideal para que nós produzíssemos. Ele criou a personagem, conhecia a história profundamente e estava bem preparado. Seria uma experiência de estréia na direção perfeita sob diversos pontos de vista". E Vachon concorda: "John é Hedwig, conhece intimamente a personagem e o texto e não havia dúvidas de que daria um grande diretor".

De acordo com John Mitchell, a Killer Films e "Hedwig - Rock, Amor e Traição" formavam a parceria perfeita. "A Killer produziu alguns dos filmes mais interessantes da última década. A equipe trabalha unida; eles pensam da mesma forma que eu, não perdem tempo com bobagens, pois não há tempo nem dinheiro a perder", diz Mitchell.

A inspiração para "Hedwig - Rock, Amor e Traição" surgiu espontaneamente da parceria de Mitchell e Trask. Mitchell esclarece: "Eu estava entediado fazendo uma participação especial numa série de televisão e pensava em escrever uma peça incorporando o rock. Tinha algumas imagens autobiográficas, alguns personagens e um mito de Platão. Aí então conheci Stephen, um compositor incrível. A partir do mito ele compôs ´The Origin of Love`".

A peça teve uma inesperada reviravolta quando Trask incentivou Mitchell a desenvolver um personagem que era inspirado numa mulher do passado deste. "Lembro-me dela como a babá do meu irmão menor. Era alemã e tinha se divorciado de um soldado americano. Fez amizade comigo e com minha amiga Brenda quando tínhamos quatorze anos e vivíamos no Kansas. Fomos ao trailer dela e a divertimos com performances para músicas como 'Copacabana' e 'Lying Eyes' e ela ria e nos dava cerveja", recorda-se, rindo. Ela saía com muitos homens e eu não entendia por que era tão popular. Anos depois, Brenda explicou que ela era uma prostituta.

Quando Mitchell contou a história a Trask, este sugeriu que a babá fosse transformada numa cantora de casas noturnas, uma aspirante a estrela de rock frustrada, que havia se apresentado com um cantor quando ele era ainda um adolescente. Começaram a fazer laboratório para o personagem num clube de drag queens em que Trask fazia a direção musical, e ela logo se tornou um hit.

Muito embora "Hedwig - Rock, Amor e Traição" não seja autobiográfica, tem muito de seus diretores. "Nós nos mudávamos quase todo ano quando eu era pequeno. Meu pai era militar e uma vez foi enviado para Berlim. Eu tinha uma sensação de deslocamento e desorientação, como se estivesse sempre numa turnê. 'Hedwig' é uma espécie de alívio para essa sensação de não ter raízes em lugar nenhum. Além disso, posso curtir rock e me vestir de drag por um tempo. Eu nunca tinha me fantasiado de drag antes de Hedwig", diz Mitchell, sorrindo.

Trask também viu suas experiências como músico ganharem vida em "Hedwig". "O lado de músico lutando pelo sucesso que se vê em Hedwig vem de mim. A forma como ela sempre se volta para o rock 'n roll como inspiração quando as coisas vão mal, aquele músico triste e batalhador que acredita na música e segue adiante", afirma Trask.

Mitchell já havia visualizado Hedwig no cinema. "Quando comecei a redigir a peça, na verdade achava que era mais adequada para a linguagem cinematográfica. Havia piadas ou cenas que tinha em mente e eu pensava ´Puxa, seria tão mais fácil se pudéssemos mostrar uma imagem, pois sabe-se que uma imagem vale por mil palavras`", confessa Mitchell.

Ele se dá conta hoje de que o desafio de traduzir as imagens em texto para a montagem teatral acabou se mostrando importante na hora de redigir o roteiro. "Transformar imagens em palavras me fez aperfeiçoar a escrita. Trabalhei no texto durante anos, aprimorando-o, mas agora também posso voltar às imagens originais que trago na memória e lentamente ir inserindo as vozes", ele declara. E explica: "A peça tinha o formato de uma apresentação de rock, e o filme o de uma turnê de rock. Então, a estrutura do filme é a banda excursionando misturada a flashbacks".

O filme retrata o que na peça podia ser apenas sugerido, incluindo personagens como a entusiasmada empresária da banda Phyllis Stein e o jovem astro do rock Tommy Gnosis. "As alegrias da performance ao vivo no teatro não poderão ser reproduzidas no filme, por outro lado, o filme mostra o que a montagem teatral jamais poderia", resume Mitchell.

Quando se trata de rotular "Hedwig - Rock, Amor e Traição" no típico jargão hollywoodiano, as pessoas envolvidas ficam confusas. "É sempre difícil explicar. É um drama de ação? É uma comédia romântica? Um thriller cômico? Não há como definir e exatamente por isso tem mais valor para mim e para as pessoas que gostam de 'Hedwig'", diz Mitchell. Todavia, quando pressionado, Mitchell diz que às vezes pensa em classificá-lo como "um musical de rock pós-punk neo-glam." Ou, mais precisamente, "um personagem que parte em busca da descoberta de quem ele/ela é e o que isso significa... sim, acho que odisséia é a melhor palavra que contém a melhor definição", admite Mitchell, por fim.

Mitchell e Trask acreditavam ser fundamental manter o elemento de música ao vivo da peça. "Stephen e eu concordamos que se músicas de punk rock fossem dubladas num filme o público não se envolveria. Dá para perceber logo que não é de verdade. Em filmes como 'Nashville' e outros filmes de Robert Altman em que se tem personagens cantando ao vivo tende a haver um maior envolvimento, pois não há uma barreira entre o intérprete e o público", comenta Mitchell.

Assim como na peça, as canções no filme são veículos através dos quais Hedwig revela como se tornou quem é. "Os monólogos ampliam o significado das letras", atesta Trask. Para transpor as músicas para a tela, Trask regravou a trilha com algumas novas canções. Reuniu uma banda que incluía o conhecido roqueiro alternativo Bob Mould (Husker Du; Sugar) e Theodore Liscinski tocando baixo, com Perry James na bateria. "É ótimo poder regravar um cd, pois pode-se consertar o que não tinha ficado bom na primeira versão. Queria muito produzir as músicas de Hedwig de modo a captar por completo a sensação da apresentação ao vivo, que é emocionante e um verdadeiro espetáculo", declara Trask. Os vocais foram gravados ao vivo no set de filmagem para garantir essa sensação. Novas músicas e uma trilha instrumental também foram gravadas por Trask.

Com a Killer Films dando suporte, Mitchell podia se concentrar na escalação do elenco. "Os produtores e executivos do estúdio deram todo o apoio. Não se tratava de escalar estrelas, pois o que importava eram os personagens, a história, as músicas de Stephen", afirma Mitchell.

Contando com o apoio da Killer Filmes, Mitchell e Trask puderam convidar atores que haviam participado da produção para o teatro e outros novos. Quando chegaram ao momento de escolher o ator que interpretaria o complexo papel de Yitzhak, o marido de Hedwig que quer ser uma drag queen, ficou claro para ambos que Miriam Shor era a única escolha possível. "Ela fez o teste para o papel e vimos logo que tinha de ser ela", recorda-se Mitchell. Trask faz coro com ele: "Ela é muito talentosa. A intensidade que deu ao personagem na peça nos fez ver que tínhamos de desenvolvê-lo ainda mais no filme. Ela é uma jóia".

"A trajetória de Yitzhak é essencial para a de Hedwig em sua busca de se sentir completa", afirma Mitchell. Sobre sua personagem, declara Shor: "Sou uma espécie de sombra que segue Hedwig o tempo todo, em sua tentativa de se encontrar, se amar, basicamente, de se libertar. Pode soar meio 'clichê', mas nada que diga respeito a Hedwig é ´clichê`".

Uma das coisas mais fantásticas acerca da produção para o teatro de "Hedwig - Rock, Amor e Traição" foi a reação da platéia, que ficou bastante emocionada. "Você não acreditaria nas pessoas que iam assistir à peça. Nós víamos um senhor de setenta e nove anos entrando e dizíamos 'Ele vai sair logo depois do número de abertura', mas ele não só ficava como aplaudia, chorava e retornava, e nós pensávamos 'Meu Deus, isso é inacreditável!", relata Shor.

Pode parecer estranho que tantas pessoas, incluindo centenas de groupies, que passaram a ser chamados "Hedheads" (os fãs de "Hedwig - Rock, Amor e Traição") se identifiquem tão fortemente com a história de um transexual da Alemanha Oriental que busca sua cara-metade. "O personagem é bizarro e acontecem inúmeras coisas esquisitas com ele, mas mesmo assim a história é tão humana que as pessoas se identificam com ela", comenta Trask.

A procura pela cara-metade, pela completude ou pelo contentamento, por uma paz interior e por aceitação não consiste numa experiência pessoal, ela é universal e pode emocionar, não importando o sexo, a raça, a religião ou as vivências que se tenha. Ela ultrapassa fronteiras e obstáculos e pode até construir pontes, é algo com que todos podemos nos identificar. A busca de Hedwig reflete-se nos personagem Phyllis e Yitzhak, assim como nos demais integrantes da banda. "Tudo o que Hedwig faz é com o intuito de se sentir completa, inteira", explica Mitchell. E ele continua: "E acredito que todos os personagens da banda também sentem que falta alguma coisa em suas vidas: uma esposa, um amor, um deus, realização profissional. Todos buscam algo e tentam se sentir pessoas inteiras, inclusive Hedwig, é claro, e Tommy Gnosis. No final, é Tommy que dá a Hedwig a noção de que ela tem de seguir adiante, de que ela é uma pessoa completa de uma forma que ela não esperava".

Tanto Miriam Shor, que interpreta Yitzhak, como Theodore Liscinski, que faz o papel do guitarrista Jacek, participaram da montagem teatral. Para atuar como os demais membros do grupo, porém, era preciso encontrar artistas que fossem atores e músicos. "Tive excelentes diretores de casting que encontraram artistas maravilhosos. Rob Campbell e Michael Aronov, contudo, eram os que combinavam melhor, além de serem os melhores atores", lembra Mitchel. Era preciso escolher também atores para papéis que não haviam sido encarnados na peça, mas que fariam parte do filme, como os de Phyllis Stein e Tommy Gnosis.

Ao pensar em Phyllis, a animada empresária da banda, Mitchell ficou imediatamente atraído por Andrea Martin: "Ela é uma das minhas heroínas cômicas, é simplesmente incrível!". Com larga experiência no teatro, Andrea Martin assistiu ao espetáculo "Hedwig - Rock, Amor e Traição" em Nova Iorque e em Los Angeles, antes mesmo de ouvir falar no projeto do filme. Ficou fascinada e surpresa por ter se identificado tanto com Hedwig e com a música de Trask. "Por mais estranha que Hedwig pareça, há algo nela que toca a todos nós. Muito disso se dá através da música... e o melhor de tudo é que cada música contém em si uma história", declara Andrea Martin.

Ao saber que o filme estava em fase de pré-produção e que procuravam alguém para interpretar o papel de Phyllis Stein, ela imediatamente sentiu que tinha de fazer o teste. "Alisei o cabelo em Los Angeles e comprei uma calça de couro. Fiquei sem poder respirar durantes as seis horas que durou o vôo de volta a Nova Iorque, mas não importava, era pela arte. Já no avião, incorporei a personagem, coloquei a calça de couro, um top sensual e pensei 'Não vejo a hora de encontrar esses garotos! Venham com a banda de rock!", exclama Martin. E continua: "Ao chegar lá me transformei e improvisei com os músicos por duas horas e meia. Quando os rapazes saíram John me ofereceu o papel".

Quando as filmagens tiveram início, Martin ficou impressionada com a habilidade de Mitchell para dirigir, bem como por sua atuação. Ela comenta: "Sinceramente, não consigo imaginar outra pessoa dirigindo o filme. Não vejo nenhuma outra pessoa que fosse capaz de dar o tom exato. Havia humor, mas se não houvesse autenticidade poderia fugir ao controle. John não só tem essa noção como ele foi essa pessoa, viveu no universo de Hedwig por muito tempo. Então acho que dirigir era o caminho natural para ele".

Há também o jovem rapaz a quem Hedwig dá tudo, que lhe vira as costas e a abandona, mas fica com suas músicas, tornando-se um astro do rock e seu concorrente Tommy Gnosis. "Esse foi o papel que requereu o maior número de testes. Michael Pitt é Tommy Gnosis sob diversos aspectos. Sua vivência tem muitos traços semelhantes e ele é muito talentoso, bonito e querido. Ameacei torná-lo uma estrela com este filme, quer ele queira quer não", brinca Mitchell.

Pitt, que mora na cidade de Nova Iorque, adorou a peça e conta: "Fiquei louco quando vi a peça, nunca tinha visto nada parecido". No que se refere a trabalhar com Mitchell, Pitt é só elogios: "John é gente boa, quero dizer, é bom, verdadeiro, talentoso, ele é simplesmente sensacional. Não tenho mais palavras, ele é sensacional".

Trabalhando ao lado deste elenco escolhido a dedo está uma equipe maravilhosa por trás das câmeras. Estilista de estrelas e uma das mais badaladas figurinistas, Arianne Phillips juntou-se ao grupo depois que sua amiga, a designer de produção Thérèse DePrez, a fez ler o roteiro. Phillips foi então assistir a peça dez vezes e se tornou uma "Hedhead" assumida. Ela derrete-se: "Adoro Hedwig. Adoro a história, a música e o sentimento encarar a adversidade mantendo-se fiel a si mesmo. Amo tudo que tem a ver com a história".

A figurinista tinha em suas mãos um desafio. Na peça, Hedwig tinha apenas dois trajes, no filme precisaria de quarenta e um. Cada um dos quatro membros da banda e a empresária tinham cerca de dezesseis trocas de roupa. Onde uma estilista encontra inspiração para criar tantas roupas? Arianne Phillips se inspirou no texto. "Antes de mais nada, tenho que conseguir entrar em contato com os personagens, e o texto de John Cameron Mitchell é fantástico, os personagens saltavam do papel", elogia Phillips.

Mitchell deixou claro que o figurino de Hedwig tinha de ser realista. "A regra era que tudo tinha de ser possível; a atuação tinha de ser verossímil, assim como o design e a câmera... não se trata de 'Priscila - A Rainha do Deserto' nem de 'Rocky Horror'. Hedwig é alguém que poderia existir, esta história poderia acontecer. Então Hedwig tinha de usar roupas que ela poderia comprar. Vinda da Alemanha Oriental, ela meio que parou nos anos 80, e usa coisas meio ultrapassadas", esclarece Mitchell.

Phillips concorda com John Mitchell. "O desafio era criar algo real, porque há uma história humana verdadeira por trás do aparente absurdo", diz ela. Em seus figurinos ela usou de pele de coelho, pedras falsas e macacões multicoloridos a peças de coleções antigas de designers como Rifat Ozbek e Jean Paul Gaultier. Mas uma das influências mais presentes no trabalho de Arianne Phillips são as perucas. "Tem um monte de perucas compondo os visuais, chegamos a fazer um vestido todo de cabelo. É um vestido-peruca", diverte-se. E acrescenta: "Como se pode ver, John nos deixou totalmente à vontade para soltarmos a imaginação, por isso foi muito divertido e um processo criativo ininterrupto".

Para criar o visual de Hedwig juntou-se a Phillips o especialista em perucas e em maquiagem Mike Potter. "Mike e eu passamos muito tempo juntos antes do filme. Foi a primeira vez que fiz um filme em que busco inspiração no cabelo e na maquiagem. Meu trabalho foi uma extensão do de Mike", conta Phillips.

Segundo Mike Potter, que criou mais de trinta perucas para o filme, levar Hedwig para as telas era a realização de um sonho. "Em 1995, nós usávamos rolos de papel higiênico enrolado com cabelo", ele conta, rindo, e continua: "Não tínhamos dinheiro, John me dava vinte dólares e me perguntava se dava para fazer uma peruca. Eu fazia e ela se desmanchava no palco ou caía de sua cabeça. E de repente lá estava Hedwig. Posso dizer que aprendi muita coisa nesses anos todos".

Ele se recorda das conversas com Mitchell e Phillips sobre os diferentes visuais que cada membro da banda deveria ter. "Todos eles representam estilos diversos de rock' n' roll. O guitarrista Jacek era do punk rock; o baterista Schlatko parece pertencer a um grupo como o Poison; Skszp era gótico e Krzysztof era meio new wave. E há ainda a empresária Yitzhak, que tem um visual tipo Guns' N' Roses", explica Potter.

webc3093.jpg (25401 bytes)A designer de produção Thérèse DePrez criou o visual de filmes elogiados pela crítica como "Felicidade" e "Um Tiro para Andy Warhol". Amiga de longa data de Mitchell, foi uma das primeiras a ser convocada. Assim como Phillips, DePrez é assumidamente uma "Hedhead", tendo assistido à peça nada menos que sete vezes. E é também uma grande fã de musicais. "Sempre fui obcecada por musicais, especialmente os de rock como 'Jesus Cristo Superstar' e 'Tommy'. E 'Hedwig - Rock, Amor e Traição' é tão bem escrito, único, é simplesmente o melhor", declara DePrez.

Para realizar este trabalho, DePrez exercitou toda a sua criatividade: projetou um restaurante para se fazer passar por cinco, transformou um deprimente trailer num palco de rock, criou parte do Muro de Berlim, bem como um apertado apartamento na Alemanha Oriental. O maior estímulo para ela, contudo, era poder trabalhar com Mitchell. "É fantástico trabalhar com John, ele é muito calmo no set e ao lidar com a equipe. Nos dirigiu muito bem", brinca a designer.

Mitchell é o primeiro a dizer que no mundo do cinema ele e Trask são dois privilegiados. Não apenas reuniram colaboradores que gostavam tanto de Hedwig quanto eles, como também puderam se manter fiéis à sua visão do projeto a cada passo. Ele comenta: "Foi muito divertido e muito difícil ao mesmo tempo, mas conseguimos fazer tudo do nosso jeito, o que é bem raro. Não fomos obrigados a escalar determinado ator ou a checar cada decisão ligada à criação com o pessoal do orçamento. Havia uma relação de confiança e realmente me senti privilegiado".

Na verdade, não havia outra maneira de se realizar o filme. Ninguém conhece Hedwig melhor que John Cameron Mitchell e nem as músicas tão bem quanto Stephen Trask. Neste empreendimento criativo, não poderia haver duas caras-metades melhores do que Mitchell e Trask para se unir e levar às telas do cinema esta indescritível odisséia musical punk rock neo-glam.

SOBRE O ELENCO

John Cameron Mitchell (Hedwig/Diretor/Roteirista)
- Mitchell estreou como Hedwig, personagem criado por ele e por Stephen Trask, em Nova Iorque, num local chamado Squeezebox, um bar de drag queens. Depois de alguns anos, "Hedwig - Rock, Amor e Traição" foi montada no circuito off-Broadway, sendo aclamada pela crítica, assim como a atuação de Mitchell, que recebeu os prêmios OBIE Award, New York Magazine Award, Drama League Award e Outer Critics Circle Award for Outstanding Off-Broadway Musical.

John Cameron Mitchell não era, então, um novato no teatro, nem tampouco em premiações, já que havia recebido vários prêmios por suas performances em espetáculos teatrais.

Ele ainda adaptou e dirigiu Kingdom of Earth, de Tenessee Williams, para o New York`s Drama Department Theatre Company, companhia teatral da qual foi um dos fundadores.

Stephen Trask (Skszp/Compositor) - Trask faz sua estréia no cinema com este filme, no papel de Skszp. Ele era um dos membros originais do famoso Squeezebox de Nova Iorque, onde cuidava da direção musical, e onde se apresentou juntamente com Debbie Harry, Lene Lovitch, Hole, Green Day, Joey Ramone, além de várias drag queens.

Durante cinco anos Trask fez apresentações com sua banda Cheater, que originou o The Angry Inch na montagem off-Broadway e tocou as músicas na gravação original.

Entre os anos de 1993 e 1998, Trask se apresentou em espetáculos de dança com a The Corner Store Dance Company.

Por seu trabalho em "Hedwig - Rock, Amor e Traição" recebeu diversos prêmios: um OBIE Award, The Outer Critics Circle Award for Outstanding off-Broadway Musical, um New York Magazine Award em 1998, indicações ao Drama Desk por Outstanding Music, Outstanding Lyrics e Outstanding New Musical, uma indicação ao Grammy por Best Score for Film or Stage.

Atualmente, encontra-se produzindo um cd para o grupo de rock Nancy Boy.

Andrea Martin (Phyllis Stein) - Martin iniciou sua carreira em Toronto, no Canadá. Estrelou a bem-sucedida série de TV "SCTV", que lhe rendeu dois Emmy de Best Writing for a Comedy Series, bem como um Emmy de Melhor Atriz. Também já foi agraciada com três indicações ao prêmio American Comedy na categoria Melhor Atriz num Especial, por diversas participações em especiais de TV a cabo, incluindo o seu próprio, "Andrea Martin, Together Again", que também ganhou uma indicação ao prêmio CableAce. Atuou em inúmeras outras séries de televisão.

Uma veterana dos palcos, recebeu um Tony, um prêmio Drama Desk e um Theatre World Award por seu desempenho em "My Favorite Year". Seu show solo "Nude, Nude, Totally Nude", apresentado em Nova Iorque, Montreal, Toronto e Los Angeles lhe deu uma indicação ao prêmio Drama Desk. Recentemente, atuou na famosa peça "Os Monólogos da Vagina", com Alanis Morrissette e Shirley Knight.

A atriz emprestou sua voz para personagens de desenhos animados, como "Os Simpsons", "Anastasia", "Os Anjinhos", dentre outros.

No cinema, acaba de filmar "All Over the Guy", e pode ser vista nos filmes "Mera Coincidência", "Bogus - Meu Amigo Secreto", "Stepping Out - O Despertar do Sucesso", "Os Loucos Casais da Califórnia", "Clube Paraíso" e "Cannibal Girls", tendo recebido por este último o prêmio que considera ser o mais importante de sua carreira, o de Melhor Atriz do International Horror Film Festival.

Rob Campbell (Krzysztof) - Respeitado ator de teatro de Nova Iorque, participou de filmes como "Meninos não Choram", estrelado por Hilary Swank e Chloe Sevigny, "As Bruxas de Salem", com Daniel Day Lewis e Winona Ryder, "Ethan Frome - Um Amor para Sempre", "As Estrelas de Henrietta", "Os Imperdoáveis", "Snow Days" e "The Photographer".

Na televisão, além de filmes, estrelou algumas séries e fez participações especiais em séries como "Sex and the City".

Michael Aronov (Schlatko) - A maior parte de sua carreira foi desenvolvida no teatro. Seus créditos no cinema incluem "Delicious Love", "Drifting" e "Construindo um Cara Certinho", com John Malkovich.

Recentemente, fez participações em seriados de sucesso como "Spin City" e "Law and Order: SVU".

Theodore Liscinski (Jacek) - O filme "Hedwig - Rock, Amor e Traição" marca sua estréia no cinema. Liscinski havia atuado no papel de Krzysztof na montagem teatral.

Natural de New Jersey, durante seis anos fez parte do grupo Mars Need Women, excursionando com a banda, que gravou um cd em 1996, pela Warner Bros. Records. Desfeito o grupo, partiu para Nova Iorque em busca da fama.

Michael Pitt (Tommy Gnosis) - Tendo feito sua estréia como ator nos palcos, Pitt participou de filmes como "Encontrando Forrester", de Gus Van Sant, "Entrando na Maior Fria" e "Chulettas".

Na televisão, participou dos seriados de sucesso "Lei e Ordem" e "Dawson`s Creek".

Alberta Watson (Mãe de Hansel) - Na televisão, Watson é a personagem Madeline da famosa série cult "La Femme Nikita".

Na tela grande, ela participou de dois filmes classificados entre os Melhores Filmes Independentes da década de 90 pela Entertainment Weekly, "Spanking the Monkey" e "O Doce Amanhã".

Em breve, Alberta Watson poderá ser vista em três filmes ainda inéditos, "Tart", com Melanie Griffiths, "Deeply", com Kirsten Dunst e Lynn Redgrave, e "Desire", com Graham Greene e Zachary Bennett.

Entre seus créditos estão "Hackers - Piratas de Computador", com Angelina Jolie e Jonny Lee Miller, "Life Before This", "The Girl Next Door" e "Shoemaker".

A atriz também atuou em filmes exibidos na televisão, bem como em seriados como "Lei e Ordem".

Maurice Dean Wint (Luther) - O ator esteve em filmes como "Cubo", filme de estréia de Vincenzo Natali, "Rude", de Clement Virgo e "Charm".

Na televisão, participou de alguns filmes, bem como de algumas séries, tais como "PSI Factor" e "The Outer Limits".

Participou, ainda, de inúmeras montagens teatrais, tendo recebido uma indicação ao Dora Award.

SOBRE OS REALIZADORES

John Cameron Mitchel (Roteirista/Diretor)
- V. "Sobre o elenco".

Stephen Trask (Compositor) - V. "Sobre o elenco".

Christine Vachon (Produtora) - Vachon produziu o controvertido filme de Todd Haines "Poison", que ganhou o Grand Jury Prize do Festival de Sundance em 1991, assim como também o primeiro filme de Tom Kalin, "Swoon". Seus créditos incluem "A Salvo", com Julianne Moore, "Postcards from America", "Stonewall" e "Um Tiro para Andy Warhol".

No ano de 1996, Vachon e Pamela Koffler se uniram para formar a Killer Films, e desde então a companhia produziu uma série de filmes de sucesso, como é o caso de "Meninos Não Choram", estrelado por Hilary Swank, que arrebatou um Oscar e um Globo de Ouro por sua atuação, e por Chloe Sevigny, que recebeu uma indicação ao Globo de Ouro, bem como uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

Dentre os filmes produzidos pela Killer Films, pode-se citar "Velvet Goldmine", com Ewan McGregor e Christian Bale, e "Felicidade", com Lara Flynn Boyle, ganhador do prestiado prêmio Fipresci Critics no Festival de Cannes, em 1998.

Em 1994, Vachon recebeu um Frameline Award por Outstanding Achievement in Lesbian and Gay Media e, em 1996, o prestigiado Muse Award por Outstanding Vision and Achievement do New York Women in Film and Television. Mais recentemente, em 1999, ganhou um Gotham Award do IFP como produtora.

Pamela Koffler (Produtora) - Co-presidente da Killer Films desde a sua formação em 1996, os primeiros projetos do selo Killer Films que produziu foram "Mente Paranóica", de Cindy Sherman, com Jeanne Tripplehorn e Molly Ringwald, e "Divididos pela Morte", de Bruce Wagner, com Rosanna Arquette e Andrew McCarthy. Mais recentemente, produziu "Crime + Punishment in Suburbia", de Rob Schmidt.

Koffler foi responsável pela produção executiva de "Meninos Não Choram", e de "Velvet Goldmine", que deu ao diretor Todd Haines um Special Jury Award for Artistic Contribution no Festival de Cannes.

Katie Roumel (Produtora) - Atualmente, Roumel coordena as produções da Killer Films e acaba de produzir "Series 7", de Daniel Minahan. Desde que se juntou à Killer, a empresa produziu filmes como "Crime + Punishment in Suburbia" e "Meninos Não Choram".

Katie Roumel conheceu Christine Vachon e Pamela Koffler quando trabalhava como assistente de casting do filme "Kids".

Frank DeMarco (Diretor de fotografia) - Seus créditos incluem "Sunburn", de Nelson Hume, filme ganhador do Audience Award no International Film Fleadh, em Nova Iorque, no ano passado, e do segundo lugar na categoria Best First Feature do Galway International Film Festival, em 1999. Também cuidou da fotografia de "Bury the Evidence", de Greg Di Felice, que arrebatou o Best Cinematography Award no No Dance Film Festival. DeMarco recebeu uma indicação ao Independent Spirit Award de 1998, na categoria Best Cinematography.

Ao longo de sua carreira, DeMarco filmou uma série de documentários premiados, comerciais e videoclipes. Recebeu um Emmy pela série da PBS "Innovation" e um Telly Award pela campanha do Daily News, "No More Schmutz".

Thérèse DePrez (Designer de produção) - DePrez cuidou do visual de alguns dos mais badalados e controvertidos filmes independentes dos últimos cinco anos. Já havia trabalhado com Christine Vachon, da Killer Films, em seis filmes, dentre eles "Um Tiro para Andy Warhol" e "Felicidade".

Entre seus créditos estão "Alta Fidelidade", com John Cusak, "O Verão de Sam", de Spike Lee, com Mira Sorvino, "O Suspeito da Rua Arlington", "Uma Chance para Ser Feliz", "A Chave da Liberdade" e "Vivendo no Abandono".

Por seu trabalho em "Indo Até o Fim", recebeu um Special Jury Award for Production Design no Festival de Sundance, em 1997, um prêmio de Best Art Direction do Gijon International Film Festival por "Um Tiro para Andy Warhol", em 1998, bem como um prêmio na categoria Outstanding Achievement for Production Design, do Theater Crafts International, no ano de 1996.

Arianne Phillips (Figurinista) - Reconhecida como uma das melhores em sua área, já vestiu muitas estrelas de Hollywood, podendo-se citar Angelina Jolie e Winona Ryder, em "Garota Interrompida", Mira Sorvino em "Assassinos Substitutos", Courtney Love, Woody Harrelson e Edward Norton em "O Povo Contra Larry Flynt".

Phillips é atualmente a personal stylist de Madonna e Courtney Love. Iniciou sua carreira cuidando do figurino de videoclipes, tendo trabalhado com Madonna, Lenny Kravitz, Aerosmith, Garbage, Smashing Pumpkins, R.E.M., INXS, Iggy Pop e muitos outros.

Mike Potter (Maquiagem/perucas) - Potter criou o visual de Hedwig em 1995, trabalhando juntamente com John Cameron Mitchell para criar a maquiagem e os peculiares penteados da personagem, exibidos em todas as apresentações da peça em Nova Iorque, Los Angeles, Boston e Londres.

Andrew Marcus (Editor) - Marcus foi o editor e o diretor de segunda unidade de "Psicopata Americano", estrelado por Christian Bale e William Dafoe, bem como de "Retorno a Howards End", com Vanessa Redgrave e Helena Bonham Carter, "Os Amores de Picasso", com Anthony Hopkins, "Frankenstein de Mary Shelley", com Robert DeNiro, "Muito Barulho por Nada", com Emma Thompson e Denzel Washington e muitos outros.

Emily Hubley (Seqüências de animação) - Hubley faz filmes de animação desde 1980, tendo recebido um Fellowship do New Jersey State Council on the Arts em 2000.


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