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História Real |
Foi Mary Sweeney quem descobriu a
história de Alvin Straight ao ler o jornal "The New York Times'', em 1994. "A
história me tocou, por ser tão americana'', lembra Sweeney. "Alvin era um homem
muito sábio, engraçado, excêntrico e determinado. Sua história era encantadora e
calorosa.''
Sweeney recortou o artigo, marcou um ponto de interrogação sobre ele e o passou por fax
a um amigo de longa data, John Roach, que se recorda que, a princípio, achou a história
"comovente, interessante e um pouco louca''.
Tocada pelo conto real, do homem que pilotou a máquina de cortar grama para visitar o
irmão, Sweeney começou a pesquisar o assunto. Conforme ela mergulhava na história,
passou a dividi-la com outras pessoas. "Toda vez que eu contava o caso a alguém, a
pessoa não conseguia definir o que mais a atraía. Mas todos achavam a história
interessante e inspiradora, de uma forma pouco convencional.''
Vários anos se passaram até que Sweeney conseguiu os direitos sobre a história.
"Eu fiquei em cima até que os direitos estivessem disponíveis de novo. E a partir
do momento que a história era nossa, em fevereiro de 1998, as coisas começaram a ser
mover como um trem veloz. Em setembro, o filme já começava a ser rodado.''
Com os direitos adquiridos, Sweeney voltou a falar com John Roach e eles acabaram entrando
no carro e fazendo o percurso de Alvin Straigh, de Laurens até Mt. Zion. Durante a
viagem, o respeito que eles tinha pelo homem e sua determinação se intensificou. "A
princípio a história soava como algo divertido, já que um homem tinha viajado a bordo
de sua máquina de cortar grama. Mas nós descobrimos, ao realizar o trajeto, que a
jornada não deve ter sido segura. Aliás, foi um desafio. E se você considerar a idade
de Alvin, assim como sua condição física, foi o que se pode chamar de uma grande
aventura.''
A viagem de carro de Sweeney e Roach também colocou a dupla em contato com pessoas que
encontraram Alvin durante o percurso. E eles se mostraram interessados em dividir suas
histórias sobre um viajante incomum e seu veículo ainda mais incomum. Sweeney e Roach
conheceram então os filhos de Alvin, que enriqueceram a produção com suas lembranças,
fotos de família e comentários importantes para moldar na tela a personalidade desse
aventureiro, que morreu em 1996. Como é apresentada no filme, a história de Alvin é um
conto sobre uma vida que está se aproximando do fim. O roteiro, que opta por uma
narrativa direta e franca, é repleto de metáforas e significados. Sweeney descreve a
produção como "uma história muito simples sobre a condição humana. Alvin
encontra várias pessoas. E o que ele aprende com elas e também os ensina é igualmente
muito simples.''
Quando eles concluíram o roteiro, o entregaram a David Lynch que comenta: "Eu nunca
pensei que pudesse dirigir o filme, mas o roteiro mexeu comigo. Eu adorei. É um road
movie, só que mais lento.''
Lynch, conhecido não somente pela compaixão e empatia de títulos como "O Homem
Elefante'', mas também por filmes que destacam o aspecto obscuro dos relacionamentos
humanos como "Veludo Azul'' e "Coração Selvagem'', admite que "História
Real'' é um título incomum em sua filmografia. "Mas me emocionei tanto com o
roteiro que, em pouco tempo, eu me vi em Iowa.''
"Não faz diferença se a história é verdadeira ou não'', ele continua. "É
uma história. Tudo é história. Este é um mundo diferente, único, onde eu nunca estive
antes - no qual a natureza desempenha um papel importante. E, ainda que a história dê a
impressão de calmaria, muitas coisas acontecem ao longo do trajeto de Alvin.''
"A emoção que permeia o roteiro foi o que mais me atraiu. A história é quase um
fenômeno de perdão'', destaca a o diretor. "Este é talvez o meu filme mais
experimental. Foi um desafio muito grande tentar capturar a emoção e, ao mesmo tempo,
fazer cinema - o que significa encontrar o timing certo, saber utilizar os silêncios, as
palavras, o som e a música. Foi um processo de ação e reação.''
Foi idéia de Lynch convencer Richard Farnsworth a encarnar o papel de Alvin Straight.
Farnsworth, que começou sua carreira em Hollywood no início da indústria atuando como
dublê em épicos e faroestes dos anos 40 e 50, se tornou nos últimos anos um ator de
papéis principais. O próprio Farnsworth se considerou perfeito para desempenhar o papel.
"Eu estava aposentado há dois anos, morando em meu rancho em New Mexico quando David
Lynch telefonou, oferecendo-me o papel de Alvin Straight. Mas eu disse que não aceitaria
porque estava com problemas no quadril e só conseguia andar com bengala. Então, Lynch
respondeu: 'Ótimo. Alvin Straight usa duas bengalas. Você é perfeito'.'' Foi neste
momento que o ator acreditou estar mesmo predestinado a interpretar o personagem.
Os problemas no quadril acabaram então se revelando uma promissora qualidade ao invés de
um empecilho. "No minuto em que li o roteiro, eu me identifiquei com esse homem idoso
e me apaixonei pela história. Alvin é um exemplo de coragem e determinação'', conta o
ator.
Farnsworth definou o trabalho como "uma experiência maravilhosa''. "Tenho
bastante experiência em Hollywood para reconhecer que este roteiro é realmente especial.
Trata-se de um filme que pode ser visto por crianças, o que é muito importante para mim.
Não existe um só palavrão no filme inteiro'', diz Farnsworth, que fez questão de se
encontrar com a família de Alvin. Os filhos do viajante adoraram a idéia de o ator
encarnar seu pai nas telas.
Quanto ao desempenho do ator, Lynch comenta: "Farnsworth é uma das pessoas mais
especiais que eu conheço. Ele tem tanto a oferecer em um set de filmagem, que eu nunca vi
nada igual. Ele dá significado a cada palavra, cada sentença. Seu rosto diz tanto.''
"Tive muita sorte em poder contar com Richard no filme. Ele está praticamente em
todas as cenas'', continua Lynch. "Richard nasceu para interpretar Alvin. Sua beleza
interior se manifesta em cada palavra, em cada olhar do personagem. Ele carrega uma
inocência, que eu considero um dom.''
Sua performance foi aclamada quando o filme foi apresentado no Festival de Cannes 2000.
Entre os jornalistas presentes estava Janet Maslin, do "The New York Times'', que
escreveu: "O papel do viajante é vivido com imensa dignidade por Richard Farnsworth.
O astro de 79 anos é responsável pela melhor performance vista aqui em Cannes.'' Anne
Thompson, da revista "Premiere'', comentou que "o coração e a alma dessa
produção calorosa é Richard Farnsworth.''
Sissy Spacek, uma amiga de longa data de Lynch, foi selecionada para interpretar Rose. A
personagem é baseada na filha de Alvin, Dian. "Alvin é um homem tão amoroso que é
fácil amá-lo. Esta é a emoção principal que Rose experimenta no filme, amor por seu
pai'', conta a atriz, que reproduziu a dificuldade de fala de que sofre a filha de Alvim
na vida real. "Eu sempre quis trabalhar com Sissy. Ela é como um camaleão. Pode
interpretar qualquer personagem e sempre nos brinda com uma atuação maravilhosa'', diz
Lynch.
O diretor recrutou uma equipe de criação com quem já havia trabalhado anteriormente
para "História Real''. O diretor de fotografia é Freddie Francis, com quem o
cineasta rodou o universo peculiar, em preto-e-branco, de "O Homem Elefante'' e o
mundo imaginativo de "Duna''.
O diretor também restabeleceu a parceria com Angelo Badalamenti, responsável pela trilha
sonora do filme, que Lynch descreve como "muito emocional''. O toque inconfundível
de Badalamenti está em cada filme de Lynch desde "Veludo Azul'' e na inesquecível
série de televisão "Twin Peaks''. O desenhista de produção é Jack Fish, outro
parceiro de longa data de Lynch. Os figurinos foram desenhados por Patricia Norris, que
trabalhou em "A Estrada Perdida'' e "Twin Peaks''.
O trabalho de fotografia teve início nos campos de plantação de milho de Iowa. "Eu
queria que o filme passasse a sensação de leveza, como se o espectador flutuasse sobre a
paisagem. Queria que essa qualidade partisse das tomadas aéreas.'' A produção teve de
se deslocar para acompanhar a trajetória de Alvin, que cruzou o rio Mississippi para
chegar a Wisconsin. "Começamos onde Alvin morava, em Laurens, Iowa.'' Lynch e sua
equipe rodaram o filme respeitando a cronologia dos fatos. Segundo o diretor, até a
natureza cooperou. Ele esperava capturar o outono que Alvin experimentou em sua odisséia.
Lynch recorda ter visto joaninhas e moscas ao longo do percurso, o que pareceu contribuir
com a verossimilhança da jornada.
As filmagens respeitaram a duração original da viagem de Alvin (seis semanas), deixando
que as mudanças fossem acima de tudo orgânicas e não manipuladas pela equipe de
produção. Até a barba do ator Richard Farnsworth cresceu naturalmente ao longo da
trajetória de seu personagem.
A equipe técnica se hospedou nas pequenas cidades utilizadas como locação (Laurens, New
Hampton, West Bend, West Union, Clermont, Praire du Chien e Mt. Zion) e desenvolveu seu
trabalho entre os moradores. Os habitantes foram hospitaleiros, ajudando-os na medida em
que dividiam suas lembranças do Alvin verdadeiro, que muitos deles encontraram durante a
jornada do viajante. Todos se lembravam de quando viram Alvin com sua máquina de cortar
grama.
Lynch destaca: "O filme é uma história sobre a velhice, é a história de um homem
comum. Straight é um homem que, em 1994, fez uma viagem para visitar seu irmão em uma
máquina de cortar grama. Ele é muito mais do que isso, mas esta é a história que
contamos. O espectador toma contato com a vida cotidiana de um homem comum, alguém que
passa por dificuldades similares às enfrentadas por muitas pessoas. Ele tinha um problema
e simplesmente o solucionou.'' E concluí, "Eu acho que um homem tem de cavar fundo
dentro de si mesmo para encontrar a coragem e a teimosia de Alvin. Ele teve de superar
muitos obstáculos para provar ao irmão que ele se importava''. "Alvin é um
rebelde, como James Dean, só que mais velho. Ele é como milhões de pessoas que
enfrentam a velhice dos corpos, mas que ainda se sentem jovens por dentro. A essência
não tem idade.''
Alvin Straight
Alvin Straight tinha 73 anos quando soube do derrame do irmão. Alvin já não enxergava
tão bem para ter uma carteira de motorista. Ele só andava com a ajuda de duas bengalas
e, ainda por cima, não gostava de pedir ajuda aos outros. Mas quando ele soube que o
irmão Lyle - de quem estava separado por centenas de quilômetros e uma década de
silêncio por puro orgulho - , tinha sofrido um derrame, Alvin decidiu que tinha de
encontrá-lo. Então, com pouco dinheiro no bolso, mas muita determinação, ele subiu em
sua máquina de cortar grama e partiu.
Quando não está dirigindo a oito quilômetros por hora a bordo de seu John Deere 66,
Alvin se depara com estranhos, desde uma adolescente que está fugindo de casa até um
veterano da Segunda Guerra Mundial. Ao dividir sua sabedoria sobre a vida, contando
histórias simples, Alvin causa um impacto profundo nos personagens que participam da sua
peregrinação.
Ao longo do percurso, Alvin é ameaçado por caminhões enormes, deixado para trás por
ciclistas maratonistas e ainda se vê obrigado a procurar abrigo em galpões abandonados.
O perigo está sempre presente na sinuosa estrada que ele percorre na esperança de rever
o irmão, cujo destino ele desconhece.
Alvin é interpretado por Richard Farnsworth, em uma delicada e pungente performance que
resume sua produtiva e longa carreira em Hollywood. Durante décadas, Farnsworth foi
dublê em produções de diretores como Cecil B. DeMille, Stanley Kubrick, John Ford,
Howard Hawks e Sam Peckinpah. Nos últimos anos, se destacou como ator, recebendo uma
indicação ao Oscar pelo desempenho em "Raízes da Ambição''. O filme também é
estrelado por Sissy Spacek, vencedora do Oscar, no papel da filha de Alvin, e por Harry
Dean Stanton.
Sobre o elenco
Richard Farnsworth (Alvin
Straight) - Sua atuação em História Real lhe rendeu uma indicação ao
Oscar e ao Globo de Ouro de Melhor Ator. Aos 79 anos, o ator já fora indicado para o
Oscar de coadjuvante por "Raízes da Ambição" (1978), de Alan J. Pakula,
estrelado por Jane Fonda.. Recentemente atuou e, filmes como Havana e A Chave do Enigma.
Richard Farnsworth atua no cinema desde 1937, quando fez um teste que envolvia 500
cavaleiros e fez sua estréia como dublê em "As Aventuras de Marco Polo''. Ele
passou anos no circuito hollywoodiano do rodeio, trabalhando com Cecil B. DeMille
conduzindo carruagens em "Os Dez Mandamentos'' e atuando em filmes assinados por
diretores notáveis como John Ford e Howard Hawks.
Farnsworth manipulou a espada de Kirk Douglas em "Spartacus'', uma experiência que
ainda hoje o ator se lembra com bom humor. "Por 16 meses, eu vesti um shorts que mais
parecia uma saia. Eu parecia um gladiador tanto quanto a minha neta, mas eu sobrevivi.''
Farnsworth teve o seu primeiro papel com falas em "The Duchess and the Dirtwater''.
Também atuou contracenando com Gregory Peck em "A Noite da Emboscada''. Na
sequência, atuou em "Tom Horn'' e em "Resurrection'', com Ellen Burstyn. Seu
trabalho em "A Raposa Cinzenta'' foi muito elogiado e Farnsworth ganhou o prêmio
canadense equivalente ao Oscar, em 1983.
Mais recentemente, Farnsworth contracenou com Robert Redford em "Um Homem Fora de
Série'' e atuou em "Rhinestone''. Ainda trabalhou com Colleen Dewhurst em "Anne
of Green Gables'' e atuou em "Louca Obsessão''.
Sissy Spacek (Rose Straight) - Criou um repertório variado de
personagens ao longo de sua carreira e recebeu cinco indicações ao Oscar de melhor
atriz. Em 1980, sua performance como Loretta Lynn em "O Destino Mudou sua Vida'' lhe
rendeu o Oscar na categoria.
Ela despertou inicialmente a atenção do público e da crítica
com "Terra de Ninguém'', em que interpretou uma perturbada adolescente envolvida em
crime com o namorado psicótico vivido por Martin Sheen. Em 1976, ela foi nominada ao
Oscar de melhor atriz pelo papel em "Carrie - A Estranha''. Na sequência, estrelou
em "Três Mulheres'', de Robert Altman, recebendo o prêmio do círculo de críticos
de Nova York pelo desempenho.
Spacek foi dirigida pelo seu marido, Jack Fisk, em seu filme posterior, o drama
"Raggedy Man''. Ela recebeu sua terceira indicação ao Oscar por "O
Desaparecido'', de Costa-Gravas. Na sequência, estrelou em "O Rio do Desespero'',
recebendo mais uma indicação ao Oscar de melhor atriz. Depois, atuou em "As
Violetas são azuis'', também dirigido por Fisk.
Em 1986, Spacek contracenou com Anne Bancroft em "Noite de Desamor'' e trabalhou com
Diane Keaton e Jessica Lange em "Crimes do Coração'', no papel de Babe - que lhe
garantiu a quinta indicação ao Oscar, além do prêmio do círculo de críticos de Nova
York e do Globo de Ouro. Spacek recentemente co-estrelou com Nick Nolte o filme
"Temporada de Caça'', dirigido por Paul Schrader. Em 1998, ela concluiu "Blast
from the Past''.
Harry Dean Stanton (Lyle Straight) - "História Real'' é
seu terceiro filme com o diretor David Lynch. Stanton cresceu próximo a Lexington, em
Kentucky. Depois de prestar serviço militar na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial,
ele frequentou a universidade de Kentucky, onde inicialmente se inscreveu no curso de
interpretação. Mais tarde, ele se mudou para Los Angeles, onde continuou os estudos na
prestigiosa Pasadena Playhouse, estreando no palco na década de 50.
Stanton consta dos créditos de mais de 80 filmes desde 1957. Em quatro décadas nas
telas, ele trabalhou para os mais aclamados diretores da indústria, incluindo Wim Wenders
("Paris, Texas'', vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes de 1984),
John Huston ("Wise Blood''), Ridley Scott ("Alien - o Oitavo Passageiro''),
Arthur Penn ("Duelo de Gigantes''), John Frankenheimer ("A Quarta Guerra'' e
"Attica: A Solução Final''), John Carpenter ("Fuga de Nova York'' e
"Christine''), David Lynch ("Coração Selvagem'' e "Twin Peaks - Os
Últimos Dias de Laura Palmer''), Francis Ford Coppola ("O Poderoso Chefão 2'' e
"O Fundo do Coração''), Robert Altman ("Louco de Amor''), Martin Scorsese
("A Última Tentação de Cristo''), Sam Peckinpah ("Pat Garret e Billy the
Kid'') e Lewis Milestone ("Pork Chop Hill''). Ele também apareceu em séries
antológicas de televisão, como "Alfred Hitchcocks Presents''.
Mais recentemente, ele contracenou com Tom Hanks e Gary Sinise em "À Espera de um
Milagre''. Em breve, Stanton será visto em "The Manwho Cried'', com Cate Blanchett e
Johnny Depp. O ator também trabalhou com Sean Penn e John Travolta em "Loucos de
Amor'', de Nick Cassavettes, e também esteve no elenco de "Sempre Amigos'', com
Sharon Stone e Gena Rowlands.
Outros de seus créditos no cinema incluem "Repo Man, a Onda Punk'', "O
Elétrico Mr. North'', "Stars and Bars'', "Amanhacer Violento'', "A Recruta
Benjamin'', "The Black Marble'', "O Natal Mágico'', "Renaldo and Clara'',
"Straight Time'', "92 in the Shade'' e "Adeus, Querida''.
John Farley (Thorvald) - É um ator de sucesso no cinema,
televisão e teatro. Entre seus trabalhos nas telas destacam-se "O Rei da Água'',
protagonizado por Adam Sandler, "Almost Heroes'', "Um Ninja da Pesada'', "A
Ovelha Negra'' e "Mong & Lóide''.
O rosto de Farley é familiar aos telespectadores por suas aparições nas séries
"Roseanne'' e "Tom'', assim como em "Sportmart'' e "Sportsbar''. Ele
também integrou o elenco de "Saturday Night Live'', em que contracenou com Bill
Murray, Charles Barkley e Heather Locklear.
Ele frequentou a Regis University, em Denver, no Colorado, e participou do ARK Repertory
Theatre, do Improv Olympic e do Second City Conservatory, atuando em montagens teatrais
como "Victor Laslo'', "Un-American Activities'', "Greenco'',
"Computerschips and Salsa'', "ARK Comedy Collective'', "Funny Business'' e
"Fox Run''.
David Lynch - Nascido em Missoula, pequena cidade no estado de
Montana - um cenário tão familiar em seus filmes - David Lynch passou a infância
mudando-se de um estado a outro em função da profissão de seu pai, um pesquisador
científico. Ele frequentou várias escolas de arte, como a Corcoran School of Art, a
Boston Museym School e a Pennsylvania Academy of the Fine Arts. Nesta última escola,
Lynch iniciou sua carreira cinematográfica, filmando "Six Men Getting Sick e
"The Alphabet'', ambos curtas-metragens.
Na sequência, Lynch conseguiu uma bolsa no American Film Institute, em Los Angeles, com a
qual realizou o curta de animação "The Grandmother'', elogiado em vários
festivais. A repercussão positiva o inspirou a dirigir o seu primeiro longa-metragem
"Eraserhead'' (1977). Lynch começou a trabalhar na produção em 1972, dedicando-se
obsessivamente ao projeto por cinco anos.
Quando o filme, considerado um cult, finalmente foi exibido, Mel Brooks o assistiu e
gostou - o que o levou a convidar Lynch para dirigir "O Homem Elefante'' (1980),
primeiro sucesso na carreira do cineasta. Exemplo da sensibilidade única de Lynch,
"O Homem Elefante'' foi aclamado pela crítica e ainda recebeu uma indicação ao
Oscar de melhor diretor. Mas o trabalho posterior do cineasta, "Duna'' (1984), foi um
desastre em sua carreira.
Lynch se redimiu em "Veludo Azul'' (1986), seu trabalho mais autoral desde sua
estréia. A produção estrelada por Isabella Rosselini lhe rendeu a segunda indicação
ao Oscar de melhor diretor, além de emplacar uma nominação de melhor filme. Na
sequência, ele levou a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes com um obscuro e
violento road movie "Coração Selvagem'' (1990) e ainda foi aclamado pela série de
televisão surreal "Twin Peaks" (1990).
Lynch voltou ao cinema em 1997, rodando "A Estrada Perdida'', que foi bem recebido
pela crítica, mas enfrentou problemas de distribuição. Paralelamente à carreira no
cinema, Lynch é diretor de comerciais de televisão, pintor e escultor. Ele tem uma
filha, Jenniffer, que também é cineasta.
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