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A Terceira Morte de Joaquim
Bolívar |
"A Terceira Morte de Joaquim
Bolívar", longa-metragem, 35mm, tem como inspiração primordial a possibilidade
real de retomar a linha evolutiva do cinema brasileiro inaugurada por Nelson Pereira dos
Santos e Alex Vianny na década de 50 e tornada efetiva pelo gênio inconteste de Gláuber
Rocha na década de 60, este último homenageado no filme.
A presunção de realizá-lo tendo por referências esses três ícones do cinema
brasileiro, explica a forma original e ao mesmo tempo rigorosa do roteiro; a opção
estética e econômica de realizá-lo e a determinação de realizar a produção dentro
dos moldes previstos no orçamento.
"A Terceira Morte de Joaquim Bolívar" é meu longa-metragem de estréia. É
também a retomada da carreira cinematográfica de vários companheiros formados pela
escola de cinema da UFF, inclusive da minha. Enfim, é um projeto de geração. Reafirmo o
pretensioso objetivo de retomar a linha evolutiva do Cinema Novo desde seu início e
tentar escrever novos rumos dentro do binômio estética arrojada /discurso polêmico.
Este é um filme de agitação e não é um filme politicamente correto.
Flávio Cândido
STORY LINE
No dia 6 de janeiro de 1964, Dia de Reis, o jovem barbeiro Joaquim Bolívar (Sérgio
Siviero), militante do Partido Comunista, chega à pequena e fictícia Burruchaga, que
sonha com a riqueza que a construção de uma usina hidroelétrica pode trazer. Em três
diferentes vidas Joaquim Bolívar terá pela frente o vilanesco Coronel Gaudêncio (Othon
Bastos), em um embate ideológico que contempla 35 anos da recente história política e
social brasileira
LOCAÇÕES
Vila de São José das Três Ilhas (Belmiro Braga, MG); arredores de Simão Pereira (MG) e
Brasilia (DF).
FICHA TÉCNICA
FLÁVIO CÂNDIDO - Roteirista, Diretor e Produtor - Formado em
cinema pela UFF, em 1985, Flávio Cândido é diretor estreante em longa-metragem. Desde
1975, quando iniciou sua carreira em cinema realizando filmes em Super 8, em Juiz de Fora,
MG, dirigiu 9 curtas e 2 médias e participou como diretor de produção e técnico de som
de diversos filmes nacionais de curta e longa-metragem. Após cinco anos produzindo um
programa de TV semanal independente (Bandeirantes / Rio), voltou ao cinema e realizou este
"A Terceira Morte de Joaquim Bolívar", embalado pela escolha do roteiro para o
1º Laboratório de Roteiristas do Sundance Institute no Brasil, em 1996, e pelo prêmio
HBO/Brasil de Cinema, em 1998. Recentemente teve premiados dois roteiros seus pelo MinC,
um dos quais, o projeto de longa-metragem intitulado "O Revisionista e o
Fora-da-Lei", está em desenvolvimento para entrar em pré-produção em 2000.
CLEUMO SEGOND - Direção de Fotografia e Câmera - Também
estreante em longa-metragem como diretor de fotografia, Cleumo Segond, pinta as luzes e
sombras de "A Terceira Morte de Joaquim Bolívar". Formado em cinema pela UFF em
1986, Cleumo tem extensa folha de serviços prestados à câmera do cinema brasileiro,
atuando na década de 80 em diversos longas e curtas. Atualmente fotografa documentários
especiais da TV Cultura (SP). No cinema seu trabalho mais recente foi a fotografia do
documentário "O Velho", sobre a vida de Luis Carlos Prestes.
GILBERTO SANTEIRO - Montagem - Montador de 38 filmes de
longa-metragem, muitos deles, obras essencias do cinema brasileiro, Gilberto Santeiro, é
um dos mais experientes montadores do cinema brasileiro que emergiu com o Cinema Novo.
Entre seus trabalhos destacam-se "Lição de Amor", de Eduardo Escorel,
"Tudo Bem", de Arnaldo Jabor e "Os Anos JK", de Sílvio Tendler.
MARVIO CIRIBELLI - Trilha Sonora - Compositor, pianista e
produtor musical, Marvio Ciribelli é o talento por detrás da trilha sonora de "A
Terceira Morte de Joaquim Bolívar", onde além de arranjos para peças clássicas,
compôs a música original e uma brilhante adaptação do hino da 3ª Internacional ao
ritmo da Folia de Reis. É mais um nome que estréia no cinema brasileiro. Marvio
Ciribelli desenvolve carreira independente, já tendo chegado ao quinto CD independente.
Parceiro de nomes como Marcos Valle e Luizinho Eça, Marvio está atualmente com novo
show, lançando o seu quinto disco, gravado ao vivo durante as apresentações de sua
banda no Festival de Montreaux de 1999.
DIB LUTFI - Participação especial - Um dos maiores fotógrafos
do mundo e com certeza o melhor câmera, Dib Lutfi emprestou seu talento incomum ao filme,
fazendo a câmera-na-mão e a fotografia em P&B do "filme do Gláuber" (o
filme dentro do filme). Desta forma "A Terceira Morte de Joaquim Bolívar"
presta uma homenagem a Gláuber e ao mesmo tempo a um dos maiores mitos do cinema
brasileiro em todos os tempos, o doce e genial Dib Lutfi.
ELENCO
SÉRGIO SIVIERO - Joaquim Bolívar - Jovem ator paulistano,
formado pela Escola de Arte Dramática da USP, Sérgio Siviero faz sua estréia no cinema
protagonizando "A Terceira Morte de Joaquim Bolívar", onde interpreta o jovem
barbeiro militante do Partido Comunista, Joaquim Bolívar. Foi um desafio artesanal que
cumpriu com raro talento e sem dublês.
Com carreira centrada principalmente no teatro, Sérgio Siviero faz parte do "Núcleo
de Pesquisa Teatro da Vertigem", onde participou da prestigiadíssima montagem
"O Livro de Jó", de Antônio Araujo, que desde 1995 vem colecionando diversos
prêmios nacionais e internacionais. Sua experiência no exterior abrange estágios e
pesquisa com nomes como Anatoli Vassiliev (Moscou), Thomas Richard (Itália), Ludwig
Flaszen (Áustria), Yoshi Oida, Alan Maratrat, entre outros.
Atualmente é professor de interpretação da Oficina Cultural Oswald de Andrade e está
em cartaz em São Paulo com "Apocalipse", o mais novo espetáculo do grupo
"Teatro da Vertigem".
OTHON BASTOS - Coronel Gaudêncio - O mais prestigiado ator
brasileiro em atividade, Othon Bastos é uma das raras unanimidades nacionais.
Visceralmente ativo na trajetória do Cinema Novo, protagonizou alguns dos mais
importantes filmes da história do cinema brasileiro, entre eles "Deus e o Diabo na
Terra do Sol", de Gláuber Rocha, "Os Deuses e os Mortos", de Ruy Guerra e
"São Bernardo", de Leon Hirszman.
Em "A Terceira Morte de Joaquim Bolívar" Othon Bastos interpreta o vilanesco
Coronel Gaudêncio, um típico representante das oligarquias rurais do Brasil e
antagonista implacável de Joaquim Bolívar.
O exuberante Othon Bastos, iniciou sua carreira graduando-se pelo
Teatro Duse de Paschoal Carlos Magno (Rio de Janeiro) e pela Webber Douglas School
(Londres), no década de 50. Ao longo de sua carreira teatral, iniciada em Salvador e
consolidada em São Paulo, no Teatro Oficina, encenou alguns dos maiores clássicos da
dramaturgia mundial, tais como "Galilleu, Galillei" e "Na Selva das
Cidades", de Bertold Brecht; "Os Pequenos Burgueses", de Maximo Gorki,
todos dirigidos por José Celso Martinez`; além de protagonizar clássicos nacionais como
"Um Grito Parado no Ar", de Gianfrancesco Guarnieri e "O Tiro que Mudou a
História", de Carlos Eduardo Novaes. Othon colecionou ao longo de sua extensa
carreira os mais importantes prêmios da cena brasileira, tanto no teatro, quanto no
cinema e também na TV, onde se destaca seu trabalho em obras como "Os
Imigrantes", "Os Ossos do Barão" e na minissérie "Desejo".
Othon Bastos, baiano de nascimento, estreou no cinema em 1961 com "Sol Sobre a
Lama", de Alex Vianny,. Foram dezenas de filmes de longa-metragem e entre os mais
recentes estão "A Grande Noitada", de Denoy de Oliveira; "Central do
Brasil", de Walter Salles e "Mauá - O Imperador e o Rei", de Sérgio
Rezende.
JONAS BLOCH - Adamastor - Ator, diretor, autor teatral e artista
plástico. Com 40 anos de carreira em teatro, cinema e televisão, Jonas Bloch é um
artista versátil, sempre emprestando seu talento às mais diversas produções. Foram 23
filmes de longa-metragem, além de participações em inúmeros curtas, novelas,
mini-séries e peças de teatro.
Em "A Terceira Morte de Joaquim Bolívar", Jonas Bloch faz o personagem
Adamastor, papel central na trama, um anarquista que atravessa incólume os conflitos
recentes da História brasileira e que se coloca como arquétipo de uma maioria silenciosa
e incrédula, que está sempre ao lado do Justo, sem se deixar arrebatar por ideologias ou
pelo status quo.
Entre seus trabalhos mais recentes para o cinema estão "Kenoma", de Eliane
Café e "O Dia da Caça", de Alberto Graça.
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