banfil1.gif (18740 bytes)

notasprod_1.gif (2071 bytes)

Lisbela e o Prisioneiro


O ELENCO

MARCO NANINI (Frederico Evandro - matador) -Ator consagrado no cinema, teatro e televisão, hoje atua no seriado A grande família, da Rede Globo. Participou do filme O Auto da Compadecida, com direção de Guel Arraes; O Xangô de Baker Street; Carlota Joaquina, Princesa do Brasil.

SELTON MELLO (Leléu) - Selton já tem seu trabalho consagrado na televisão (atualmente no ar na série Os Normais) e acompanhou Guel Arraes em trabalhos como: Comédia da Vida Privada, A Invenção do Brasil, Brava Gente (episódio Condomínio) e Copas de Mel. No cinema, fez Caramuru - A Invenção do Brasil, Guerra de Canudos, O Que É Isso Companheiro? e Lavoura Arcaica.

DÉBORA FALABELLA (Lisbela) - Premiada no cinema os festivais de Gramado e Brasília por dois curta-metragens e pelo recente Dois Perdidos Numa Noite Suja, Débora também fez muito sucesso com a polêmica personagem Mel da novela O Clone, da Rede Globo. Na mesma emissora, atualmente protagoniza a novela Agora é Que São Elas.

BRUNO GARCIA (Douglas) - Participou da primeira montagem de Lisbela e o Prisioneiro no teatro, no papel de Leléu. Dentre outros trabalhos em TV estão as minisséries O Quinto dos Infernos, Os Maias, A Grande Família e Brava Gente. Em cinema protagonizou Castro Alves e está atualmente no ar na novela Kubanacan.

ANDRÉ MATTOS (Delegado Tenente Guedes) - Diretor de produção, fez mais de setenta espetáculos teatrais. Ator premiado com o filme Como Nascem os Anjos, trabalhou com Cacá Diegues,

Oswaldo Caldeira, Domingos de Oliveira, dentre outros. Fez O Xangô de Baker Street, Seja o Que Deus Quiser. Obteve grande sucesso ao encarnar um cômico imperador D. João VI na minissérie O Quinto dos Infernos, da Rede Globo.

VIRGINIA CAVENDISH (Inaura) - Em dez anos de carreira a atriz já trabalhou com diretores como João Falcão, Moacyr Góes, Antunes Filho. No teatro, Virgínia fez a personagem Lisbela durante toda a temporada de Lisbela e o Prisioneiro. Participou também da novela da Rede Globo O Cravo e a Rosa, interpretando a feminista Bárbara Maciel.

TADEU MELLO (Cabo Citonho) - Nascido em Fortaleza, mora no Rio de Janeiro há 15 anos. Em cinema participou do filme Duendes. Na Globo, atuou na novela Porto dos Milagres e nas minisséries Brava Gente, Os Normais e A Grande Família. Atualmente faz A Turma do Didi.

O DIRETOR

Miguel Arraes de Alencar Filho, ou simplesmente Guel Arraes, iniciou sua carreira em Paris no Comitê do Filme Etnográfico, dirigido por Jean Rouch, mestre do cinema-verdade.

Seus primeiros trabalhos foram documentários em Super-8. Chegou a dirigir quatro curtas e um média-metragem intitulado Barbes Palace, em parceria com Ricardo Lua. Na Rede Globo começou como co-diretor na novela Jogo da Vida, de Sílvio de Abreu.

Sempre na TV Globo, Guel assinou a direção de duas novelas humorísticas: Guerra dos Sexos e Vereda Tropical. Em 85 dirigiu Armação Ilimitada, mistura de humor e aventura em ritmo de videoclip com personagens marcantes (Juba, Lula, Zelda e Bacana). Depois de três anos e 22 programas, Guel passou a dedicar-se a um novo projeto: com pequeno elenco fixo multiplicado em inúmeros papéis, a TV Pirata não tinha limites para as suas gozações sobre fatos e situações da vida brasileira. Ao todo foram 100 programas em três temporadas.

Em 1991, sempre no horário da Terça Especial, o núcleo Guel Arraes levou ao ar o programa Dóris para Maiores (com Dóris Giesse e o pessoal do Casseta & Planeta), que evoluiu, no ano seguinte, para o programa de jornalismo humorístico Casseta & Planeta, ainda no ar com direção de José Lavigne. Mas o grande sucesso da temporada 91/92 foi o Programa Legal, com Regina Casé e Luís Fernando Guimarães.

Em 1993, iniciou-se o projeto de dramaturgia especial, que trouxe modernas adaptações de clássicos da literatura e do teatro, com destaque para O Mambembe, O Besouro e a Rosa, Lisbela e o Prisioneiro, O Engraçado Arrependido, dentre outros. A dramaturgia especial permite exercícios estéticos de câmera e textura de imagens inovadoras como em O Coronel e o Lobisomem, produzido em película de 16mm. A Comédia da Vida Privada, por exemplo, foi um dos programas de maior êxito da dramaturgia especial em 1994, tornando-se mais uma das atrações mensais do núcleo em 1995, escrito a seis mãos por Jorge Furtado (adaptador da maior parte dos programas de dramaturgia especial), João Falcão (diretor musical do longa-metragem Lisbela e o Prisioneiro) e pelo próprio Guel Arraes, a partir das crônicas de Luís Fernando Veríssimo.

Teve no O Auto da Compadecida um dos trabalhos mais reconhecidos pelo público brasileiro. A minissérie foi exibida no início de 1999, tendo sido adaptada para filme e lançada em 2000. O longa-metragem foi recordista de público (2.082.502 espectadores) e de bilheteria (renda bruta de mais de R$ 10 milhões), além de ter sido premiado no Grande Prêmio Cinema Brasil nas categorias Melhor Diretor, Melhor Ator (Mateus Nachtergaele), Melhor Roteiro e Melhor Lançamento.

TRABALHOS DO DIRETOR
1979 (Paris) - Barbes Palace
1983 (TV Globo) - Guerra dos Sexos
1984 (TV Globo) - Vereda Tropical
1985 a 88 (TV Globo) - Armação Ilimitada
1988 a 90 (TV Globo) - TV Pirata
1991 (TV Globo) - Dóris para Maiores
1991 a 92 (TV Globo) - Programa Legal
1992 a 2000 (TV Globo) - Casseta e Planeta
1994 a 97 (TV Globo) - Comédias da Vida Privada
1993 (TV Globo) - O Besouro e a Rosa
1993 (TV Globo) - O Mambembe
1993 (TV Globo) - Lisbela e o Prisioneiro
1994 (TV Globo) - O Coronel e o Lobisomem
1995 (TV Globo) - Memórias de um Sargento de Milícias
1999 (TV Globo) - O Auto da Compadecida
2000 (TV Globo) - A Invenção do Brasil

ENTREVISTA COM O DIRETOR GUEL ARRAES:

1. O Auto da Compadecida e Caramuru - A Invenção do Brasil foram desenvolvidos originalmente para a TV e depois lançados nos cinemas. LISBELA E O PRISIONEIRO, apesar de ter tido uma adaptação televisiva, é um projeto eminentemente cinematográfico. Você considera este seu "primeiro filme"?
Considero que meus primeiros filmes foram seriados e especiais de TV e LISBELA E O PRISIONEIRO é um desenvolvimento destes trabalhos. Mas posso dizer que Lisbela é a minha primeira produção de cinema. Tivemos mais tempo para elaborar o roteiro e finalizar o filme, mais folga para produzi-lo.

2. Você vê alguma diferença entre cinema e TV quando está dirigindo?
Na TV já fiz desde novelas e documentários, que diferem muito de cinema, até um especial como O Auto da Compadecida que é um filme que passou antes na TV.

3. Como já tinha feito uma adaptação para a TV em 1993 e depois levado o texto de Osman Lins para o teatro, o que essa experiências acrescentaram no filme LISBELA E O PRISIONEIRO?
Pude elaborar e testar o resultado de um roteiro em duas etapas e dois veículos (TV e teatro) diferentes. Pude formar uma pequena trupe de atores que passou meses representando o texto no palco e, portanto, ensaiando para o filme, pude observar a platéia de centenas de apresentações da peça.

4. Praticamente, são 10 anos de sua vida às voltas com o texto de LISBELA E O PRISIONEIRO. Como você explica tamanha paixão?
Na verdade foram temporadas dentro desses dez anos: três meses para o especial de TV, três ou quatro para a peça, sete ou oito para o filme. As duas primeiras montagens (especial e peça) embora com uma produção pequena, tiveram uma ótima resposta do público, o que fez com que Virginia Cavendish e Paula Lavigne, mentoras do projeto, me animassem a levar a história para o cinema.

5. LISBELA E O PRISIONEIRO foi o texto que lhe fez descobrir que você era pernambucano?
Quando dirigi o especial de TV já era profissional há uns quinze anos e nunca tinha trabalhado numa história nordestina. É claro, fui muito marcado por minha educação pernambucana, mas essa influência devia se dar num segundo plano. Trabalhar com a prosódia, o humor e temas nordestinos teve pra mim um gosto particular. E o especial de TV baseado em LISBELA E O PRISIONEIRO, de Osman Lins, me deu coragem e estímulo para filmar o Auto da Compadecida, adaptado da obra de Ariano Suassuna. Costumo dizer que, com esses dois trabalhos, virei me pernambucano de novo.

6. Como você conheceu a obra de Osman Lins?
Procurando histórias para uma série de TV baseada em textos nacionais e que foram adaptados por Jorge Furtado, Pedro Cardoso, João Falcão e eu.

7. Como você situa a obra de Osman Lins no panorama da literatura brasileira contemporânea?
Li apenas os contos e Lisbela que, na verdade, representa uma espécie de divertimento na obra de Osman Lins.

8. Quais as semelhaças que você encontrou entre LISBELA E O PRISIONEIRO e O Auto da Compadecida?
A versão nordestina de alguns personagens da comédia universal: os valentões, a fogueteira, os sabidos etc. Mas os protagonistas de cada uma das peças me parecem bem diferentes. João Grilo é um personagem mais ligado a tradição clássica do criado, do picaresco e se tornou um dos personagens mais ricos da dramaturgia brasileira. Leléu me parece um tipo híbrido: entre a tradição e a modernidade, meio cômico meio galã.

9. Você acha que esses personagens nordestinos têm algo a dizer para a platéia do sul do país?
São personagens universais.

10. Como foi o processo de elaboração de roteiro e da escolha de elenco de LISBELA E O PRISONEIRO? Foi fácil depois das adaptações para a TV e o teatro?
O tom geral do especial era mais de farsa com algum romance. No cinema, a história virou uma comédia romântica com toques de farsa. O elenco reúne o da peça, mais o Nanini que tem sido meu parceiro constante nesses últimos anos e que fez o mesmo personagem, Frederico Evandro, no especial de TV e a Débora Falabella, com quem trabalhei pela primeira vez.

11. O núcleo de criação do roteiro foi sempre o mesmo ou os colaboradores mudaram como o passar do tempo?
Foi o mesmo: Jorge Furtado, Pedro Cardoso e eu.

12. O fascínio pelo cinema é uma das marcas da personagem Lisbela. No especial da TV, havia muitas cenas retiradas de filmes antigos. Esse recurso ainda está presente no filme?
Essa marca foi acrescentada por nós na adaptação. E os trechinhos de filmes que ela assiste, diferentemente do especial e da peça, foram produzidos por nós parodiando diversos gêneros de cinema americano.

PRODUTORA

A produção de LISBELA E O PRISIONEIRO é de Paula Lavigne, que vem investindo há anos em projetos de grande sucesso no cenário brasileiro e internacional.

Ao mesmo tempo em que acumulava experiência na produção de trabalhos voltados para a música do consagrado artista Caetano Veloso - especiais Caballero de Fina Estampa, em parceria com a HBO América Latina e a Universal Music, Livro Vivo e Prenda Minha, cujo CD ganhou o Grammy - e tinha contato com os diversos movimentos do rap brasileiro, Paula Lavigne começou seu bem-sucedido trabalho de produção cinematográfica.

Junto com sua sócia Conceição Lopes, Paula Lavigne lançou e distribuiu pela Natasha Records as trilhas sonoras da Disney ao longo de cinco anos, levando ao público brasileiro trilhas sonoras de sucessos como O Rei Leão, que chegou a conquistar o Disco de Ouro. Feito repetido quando Paula produziu Tieta, a primeira trilha sonora nacional a conquistar um Disco de Ouro. A gravadora inovou o conceito de lançamento de trilhas de filmes nacionais, antecipando-as ao lançamento do próprio filme.

Em 1997, produziu o longa-metragem Orfeu, que veio a receber o prêmio de Melhor Filme de 1999. O filme ainda acumulou prêmios de melhor fotografia e trilha sonora, composta por Caetano Veloso e interpretada por Toni Garrido. Com sua atitude moderna e pragmática, Paula Lavigne desenvolveu um excelente trabalho de lançamento e conquistou para o filme a marca de mais de 1 milhão de espectadores.

Paralelamente ao longa-metragem LISBELA E O PRISIONEIRO, neste ano Paula Lavigne consolida sua carreira de produtora ao também lançar o filme Benjamim, da prestigiada diretora Monique Gardenberg, baseado na obra de Chico Buarque. Outros projetos estão em fase de desenvolvimento, sempre obedecendo à sua visão perspicaz do mercado e suas potencialidades.

CO-PRODUTORES

Natasha Filmes, Globo Filmes, Fox Film do Brasil, Estúdios Mega e João Paulo Diniz são co-produtores de LISBELA E O PRISIONEIRO.

Criada em 1997 com a intenção de fortalecer a indústria audiovisual brasileira, a Globo Filmes tem comemorado vários sucessos de bilheteria, como "Orfeu", de Cacá Diegues, que chegou a ser indicado como o representante brasileiro no Oscar de 2000 e "O Auto da Compadecida", de Guel Arraes, que iniciou uma nova fase no mercado cinematográfico com a união entre TV e cinema. Em seis anos, a Globo Filmes participou de 13 produções e viu 6 delas figurarem entre os dez filmes brasileiros mais vistos pelo público desde a retomada do cinema nacional: "Carandiru", que já superou os recordes de público e renda, com mais de 4.500.000 de espectadores; "Cidade de Deus", com 3.200.000 espectadores; "Xuxa e os Duendes", com 2.650.000 espectadores; "Xuxa e os Duendes 2 - No Caminho das Fadas", com 2.200.000 espectadores; "O Auto da Compadecida", com 2.200.000 espectadores; "Simão, o Fantasma Trapalhão", com 1.650.000 espectadores; e "A Partilha", com 1.450.000 espectadores. Entre 1999 e 2002, participou de cerca de 11% do total de lançamentos nacionais e internacionais.

Presente no mercado nacional desde 1920, a Fox Film do Brasil é uma das empresas com maior contribuição à indústria do entretenimento no país, atuando com destaque e garantindo a seus filmes, amplo e diferenciado apoio de divulgação. Dentre os grandes sucessos distribuídos pela empresa encontram-se: "Independence Day", "Titanic", "Ou Tudo Ou Nada", "Meninos Não Choram", "X-Men", "Planeta dos Macacos" e todos os filmes da Saga Star Wars, além dos recentes mega-sucessos "007 - Um Novo Dia Para Morrer" e "X-Men 2". A Fox reconhece a importância do investimento e incentivo de produções locais e coloca sua estrutura e conhecimento a serviço do entretenimento. Várias produções nacionais já trazem a marca da 20th Century Fox e têm obtido grande sucesso, como "Xuxa Requebra", "Amores Possíveis", "Avassaladoras" e "Cristina Quer Casar". Além de LISBELA E O PRISIONEIRO, dois outros filmes nacionais - "Sexo, Amor & Traição" e "Acquaria" - têm previsão de estréia no segundo semestre de 2003.

Estúdios Mega é uma empresa voltada para a indústria da comunicação e entretenimento. Atuando no eixo Rio de Janeiro - São Paulo, representa hoje um dos mais sofisticados parques tecnológicos da América Latina, especializada em pós-produção de som e imagem para cinema, video e mídias digitais. Cada unidade de negócios atende por um ramo de atividades: A MegaTransfer cuida de telecines, manipulação e restauro de imagens digitais; o MegaColor é um laboratório de revelação e finalização para cinema; a MegaCine trabalha com pós-produção e mixagem de áudio para cinema; a MegaDigital cria e produz em 2D, 3D e efeitos para publicidade, cinema e televisão; a MegaDVD é uma unidade completa de autoração; o MegaÁudio abrange estúdios de gravação de som, e a RAIN é a unidade voltada para distribuição, gerenciamento e exibição de cinema digital.

João Paulo Diniz é empresário do ramo de gastronomia, hotelaria, moda e indústria de bebidas (Grupo Fasano, Ecco, Dressing, Sommer, Flying Ace, entre outros). Formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, com pós-graduação na London Business School, João Paulo Diniz iniciou sua carreira profissional no Grupo Pão de Açúcar em 1985, como responsável pelas empresas afiliadas, pela divisão internacional e pelos ativos da companhia. Teve atuação importante no reposicionamento do Grupo no inicio da década de 90 e hoje é membro do Conselho Administrativo.

PRODUTORES ASSOCIADOS

LocAll, Vetor Zero e Lobo Filmes são produtores associados de LISBELA E O PRISIONEIRO.

PATROCINADORES

LISBELA E O PRISIONEIRO conta com o patrocínio de grandes empresas como Petrobras Distribuidora, Assolan, Chesf, Eletrobrás, Ampla, Fuji Film e BNDES, além do Governo Federal, FundarPE e Governo de Pernambuco.

TRILHA SONORA

A trilha sonora de LISBELA E O PRISIONEIRO é assinada pelo conceituado diretor teatral João Falcão (A Máquina, A Ver Estrelas, A Dona da História, Quem tem medo de Virgínia Woolf) e pelo músico André Moraes, responsável, dentre outros celebrados trabalhos, pela trilha sonora de Avassaladoras.

Texto de João Falcão - diretor teatral e produtor da trilha:

"Poucas vezes o Cinema Brasileiro contemporâneo teve uma trilha sonora como a de LISBELA E O PRISIONEIRO. Não por acaso. A Natasha, produtora do filme, chegou ao cinema através da música - não é de hoje que a Natasha Records produz e põe no mercado excelentes trilhas sonoras de filmes brasileiros.

Os artistas e técnicos que gravaram e finalizaram a música desenvolveram pelo projeto um apego muito além do trivial. A perfeita integração entre a direção e a produção musical também fez diferença. Foram oito meses trabalhando em conjunto, algumas vezes a música sugerindo alterações ao próprio roteiro.

Uma trilha sonora elaborada com o olhar fixo nos sentimentos do filme, sem submissão a critérios de gênero ou classe musical. Cada canção tem sua historinha, sua temperatura, sua razão de soar.

A Deusa da Minha Rua
Vitória de Santo Antão, no tempo de Lisbela, tinha cara de cidade onde se podia ouvir, à noite, uma voz e um violão executando elogios a uma musa. E, se não se ouvia nem sombra de serenata em Vitória, não era por falta de musa e sim de poeta. O violão de Yamandú Costa e a voz de Geraldo Maia interpretam A Deusa da Minha Rua como uma valsa preciosa que Lisbela empresta às histórias que vê no cinema, e que depois se encaixa direitinho na vida dela, quando ela conhece o prisioneiro.

Lisbela
Caetano Veloso e José Almino já haviam composto uma canção para ser o tema da peça teatral LISBELA E O PRISIONEIRO, também de Guel Arraes. Essa canção teve duas gravações muito particulares, uma com o Trio Forrozão e outra com o próprio Caetano e violão. Embora batizada com o nome da heroína Lisbela, a música conta mais sobre o herói Leléu, aventureiro de nascença, viajante inveterado, criado pra se danar pela estrada e não pra viver prisioneiro. No filme, é Los Hermanos quem dá uma terceira volta em Lisbela, e reconta a história.

A Dança das Borboletas
Depois que apresenta a mocinha, depois que apresenta o mocinho, só falta apresentar os dois juntos. E é aí que o destino pede um tempo à história, para ele poder trançar a rede que vai dar no encontro entre Lisbela e Leléu. As histórias paralelas se entrelaçam como se um destino-bruxo preparasse uma poção. Como se uma nuvem de insetos coloridos anunciasse transformações. Dança das Borboletas, balada composta em 1977 por Alceu Valença e Zé Ramalho, parece ter sido criada para esse momento. E esse momento parece ter sido inventado só pra ter o Sepultura e Zé Ramalho juntos numa mesma bruxaria.

Espumas ao Vento
Virginia Cavendish interpreta Inaura, pedaço de mau caminho que atravessa a estrada de Leléu. Inaura se introduz na história sem grandes anunciações, como sinuosa serpente. Gozo e morte se roçando, trocando confidências. Mas herói que é herói não dispensa beleza nem perigo. Inaura traz em torno de si um forro-canção tão generoso capaz de vestir qualquer suingue, até mesmo uma levada flamenca abençoada por Elza Soares. Espumas ao Vento é o nome dessa composição de Accioly Neto que até hoje faz sucesso no repertório do grande Flávio José.

Oh, Carol
Jorge Mautner e Caetano Veloso não gravaram Oh, Carol para o antológico CD que fizeram juntos. Mas cantaram no espetáculo que derivou do CD. Era um dos grandes momentos do show e era também muito engraçado. E era perfeito para Douglas, personagem interpretado por Bruno Garcia, um sujeito que passou um mês no Rio de Janeiro e voltou falando outro idioma. Aí Caetano Veloso e Jorge Mautner gravaram Oh, Carol para o filme.

Dama de Ouro
O cabo Citonho e sua Francisquinha, interpretados por Tadeu Mello e Lívia Falcão, representam o contraponto cômico ao casal romântico. Apesar de seu incontrolável apetite sexual pela amada, Citonho nunca consegue consumar o ato devido a fatos que fogem ao seu controle. Dama de Ouro foi composta por Maciel Melo, poeta e cantador pernambucano, forrozeiro de primeira que faz muito sucesso pelas bandas de lá. As aventuras amorosas de Citonho e Francisquinha são embaladas por uma Dama de Ouro nervosa, com batida de ska e sanfona se fingindo de guitarra. A interpretação surpreendente de Zéu Britto transformou tudo numa espécie de forró metido a rock pesado tentando saltar pelas artérias do fogoso Citonho.

Para o Diabo os Conselhos de Vocês
Alguns nomes de conjuntos que tocavam nas cidades da Zona da Mata, agreste e sertão de Pernambuco no final dos anos sessenta: Os Diamantes, Os Enjeitados, Os Siderais, Os Genfs (iniciais de Geraldo, Eduardo, Nilton, Fernando e Sissito). Os Condenados é uma banda fictícia criada especialmente para a trilha sonora do filme. Quem executa é Marcello (16 anos, guitarra), João Vítor (14 anos, contrabaixo), Fonseca (20 anos, bateria) e Clarice (13 anos, voz). Eles interpretam Para o Diabo os Conselhos de Vocês, que Paulo Sérgio gravou décadas atrás. É aquela hora em que Lisbela roda o vestido de noiva e manda um Rock and roll em pleno casamento.

Você Não me Ensinou a te Esquecer
Nos anos setenta a Universidade Federal de Pernambuco foi palco para grandes manifestações de resistência contra a ditadura. Palavras valorosas eram proferidas por jovens militantes, dentre eles nosso atual Ministro da Saúde. Cantavam-se canções edificantes, muitas delas do nosso atual Ministro da Cultura. Ao fim de cada ato, dever cívico cumprido, muitos esticavam até o Bar da Tripa, onde a palavra de ordem era outra. Falava-se de amores conquistados ou perdidos, beijava-se na boca e ouvia-se, secretamente, canções sentimentais e nada universitárias. Você Não Me Ensinou a te Esquecer de Fernando Mendes era uma delas. Das mais executadas na radiola de fichas. A escolha de Você Não Me Ensinou a te Esquecer para tema de amor entre Lisbela e o Prisioneiro foi uma unanimidade, assim como foi a escolha de Caetano Veloso para interpretar o tema.

O Amor é Filme
Sabe aquele tema instrumental que aparece durante os créditos iniciais e depois é salpicado filme adentro? Em Lisbela e o Prisioneiro esse tema é um trecho da canção O Amor é Filme, composta por João Falcão e André Moraes especialmente para os créditos finais. É a hora em que Lirinha e The Sconhecidos soltam o verbo e tocam os tambores.
Em setembro de 2002, Guel Arraes convidou João Falcão para fazer a direção musical do filme Lisbela e o Prisioneiro. Logo em seguida João Falcão convidou André Moraes para dividir com ele a empreitada. A dupla se apaixonou pelo filme e trabalhou desenfreadamente até o último suspiro de som na tela".

ENTREVISTAS COM ELENCO

1. Vocês possuem uma boa bagagem em trabalhos de televisão. Lisbela é uma adaptação da TV para o cinema. Qual a principal diferença entre atuar na TV e no cinema?

Marco Nanini: Evidentemente muda a técnica e, em suma, trata-se de dois tipos de tela, portanto deve-se adequar a interpretação à cada veículo.

Selton Mello: O tempo de preparação é o maior fator de diferença.

Débora Falabella: Cinema tem mais tempo para compor o personagem, o roteiro e fazer a cena. Sem contar que no cinema, por ser uma imagem bem maior, você tem que fazer os movimentos mais sutis.

Virginia Cavendish: A principal diferença está no tempo. No cinema leva-se bem mais tempo para rodar uma cena pois não se tem a obrigatoriedade de entregar um capítulo como na TV. O tempo do cinema aprofunda o trabalho. Concentra mais. Na TV, grava-se várias cenas por dia, todos os dias. Ganha-se em agilidade mas perde-se em outras coisas como: tempo pra se mudar o cabelo, a maquiagem... Tem também a diferença das câmeras. No cinema, trabalha- se, geralmente, com uma câmera e, na TV, com quatro. Essa aproximação da câmera no cinema pode te dar mais possibilidade de trazer a verdade. Nesse sentido a câmera de TV é mais teatral, você representa pra frente, tem que se posicionar de acordo com essa realidade, no cinema não.

André Mattos: Penso que todas as linguagens dentro da arte de representar são muito particulares. No caso do cinema ela é mais artesanal, claro, temos mais tempo para ensaiarmos e combinarmos as coisas com calma. A TV funciona mais no ritmo da produção.

Bruno Garcia: A maior diferença é o tempo gasto na confecção das cenas.

Enquanto no cinema você faz quatro ou cinco cenas por dia, na TV pode-se chegar a incríveis trinta cenas ou mais. Guel Arraes trouxe a experiência da TV e otimizou a produção de Lisbela confeccionando uma média de onze cenas por dia. De qualquer maneira, no cinema há mais espaço para o planejamento enquanto na TV tem que estar preparado para a improvisação?

Tadeu Mello: Atuar na TV é algo mais imediatista: decora o texto, faz uma composição do personagem e a situação que ele vai viver, e o tempo que o ator tem é muito pouco. Já no cinema, o trabalho fica mais lapidado, o ator tem um tempo maior, fazendo com que ele analise bem a personalidade do papel que vai viver. Por ser uma obra fechada, estuda melhor as cenas que aparece e as que não aparece, interagindo assim melhor com os outros personagens.

2. Como foi assimilar o estilo de vida de personagens tão diferentes dos que vemos hoje em dia?

Marco Nanini: Esses personagens vêm de uma peça de teatro e são todos integrantes do imaginário brasileiro.

Selton Mello: Com ensaios e estudos feitos com o diretor.

Débora Falabella: A primeira dificuldade foi que tratava-se de uma pernambucana e eu nunca tinha feito nada regional. A época também, pois é diferente da atual, é mais antiga, mais ingênua.

Virginia Cavendish: Eu já tinha bastante conhecimento desse universo através da montagem teatral de Lisbela. Já tinhamos estudado bastante esta história, os personagens, o tipo de humor, etc. No meu caso, eu passei de um personagem (Lisbela, na peça) para outro no filme (Inaura), mas ainda dentro deste mesmo universo. A criação veio muito em conjunto com Guel Arraes e Marco Nanini. Foi fundamental a reunião de nós três para a criação do personagem porque, na verdade, o personagem no cinema ficou completamente diferente do personagem da peça e os ensaios foram fundamentais para que isso acontecesse.

André Mattos: Tivemos uma fase preparatória muito boa com o Guel que, como excelente artista que é, soube nos conduzir com extrema habilidade e nos deu artifícios e conteúdos para construção de nossos personagens.

Bruno Garcia: É uma obrigação do ator estar permanentemente estudando História, Filosofia e todas as matérias que ajudam a entender o comportamento do ser humano. Afinal, nosso ofício é representar almas de homens, mulheres, crianças e velhos que podem ter vivido em outras épocas e participado de diferentes culturas.

Tadeu Mello: Sou nordestino, nascido em Fortaleza. Passava as minhas férias no interior do Ceará, e lá encontrava muitos tipos parecidos com o que fiz no cinema e essas informações ficaram no subconsciente. Com a direção de Guel, consegui resgatar e emprestei ao personagem.

3. Como é trabalhar com Guel Arraes, considerado um dos grandes incentivadores do casamento cinema/TV?

Marco Nanini: Guel Arraes é um dos grandes artistas que temos no Brasil. Trabalhar com ele é sempre um acréscimo à bagagem profissional de qualquer ator. Fora o prazer de se conviver com seu talento, inteligência e sensibilidade.

Selton Mello: Trabalhar com o Guel é como trabalhar em casa, com conforto e segurança. Há 6 anos realizamos várias obras juntos, sendo O Auto da Compadecida meu trabalho mais querido pelo público. Criamos um Chicó inesquecível para o público e é sempre uma alegria retomar a parceria.

Débora Falabella: É um diretor que eu admirava por tentar deixar o cinema mais popular. Quando alguém consegue misturar TV e cinema, é muito legal. O Guel é um diretor que discute, sabe tudo e tem o domínio das duas artes.

Virginia Cavendish: O Guel dá muito suporte. O ator fica quase que impossibilitado de errar porque ele já dá, através das marcas, metade do caminho do personagem. Ele é milimétrico no trabalho, matemático. Neste filme, foi muito aberto às novas idéias vindas por parte do elenco. É sempre uma gincana, uma brincadeira séria, uma responsabilidade divertida e uma honra trabalhar com ele.

André Mattos: É um enorme prazer e uma grande honra! Guel, com toda sua simplicidade e genialidade, é um diretor que está no topo do primeiro escalão de artistas-diretores e autores-realizadores. Sabe exatamente o que quer com sua obra e possui facilidade ao conduzir seu elenco e equipe com absoluto profissionalismo. Estuda e prepara tudo com grande planejamento diminuindo quase à zero a possibilidade de erros. É um grande ser humano e um artista genial.

Bruno Garcia: É ter muito orgulho de enfrentar com prazer grandes desafios.

Tadeu Mello: Às vezes eu nem acredito que tive a sorte e a oportunidade de ter sido dirigido por Guel, no teatro e no cinema. Guel Arraes é uma inteligência superior. Ele faz com que o ator tenha domínio pleno do personagem, através deste encontro profissional, eu amadureci muito como ator e, consequentemente, como pessoa.

4. O cinema brasileiro cresceu nos últimos anos. Vocês acham que o cinema está projetando mais talentos que a televisão?

Marco Nanini: O talento está na pessoa e na oportunidade de mostrá-lo. Pouco importa o veículo. Claro que a TV tem um grande poder de comunicação de massa, mas não é o suficiente para um artista se afirmar. Muitas vezes, descobre-se um talento, além da TV, no teatro, ou no cinema....

Selton Mello: Acho que estamos realizando cada vez mais melhores filmes, com isso mostramos ao público que nosso cinema também é muito forte, diante da avalanche cinematográfica americana que nos assola.

Débora Falabella: A TV, por produzir mais, tem mais procura, mas o cinema realmente busca "atores", o que não acontece necessariamente na TV.

Virginia Cavendish: Acho que o cinema possibilita um trabalho mais aprofundado dos personagens. No cinema não dá pra enganar. A TV nivela os atores, é como aprender a andar de bicicleta. Quase todo mundo consegue ficar mais ou menos. O cinema não engana. Não dá pra disfarçar.

André Mattos: Acho que o cinema se "arrisca" mais. O que permite projetar mais talentos artísticos do que a televisão.

Bruno Garcia: É impossível medir talento em quantidade. Porém, no quesito projeção (por mais que o cinema brasileiro esteja atravessando uma boa fase) nada se compara ao universo gigantesco dos espectadores de televisão. Um filme de sucesso no Brasil pode atingir três milhões de espectadores em algumas semanas. Um produto da TV pode atingir mais de dez milhões em apenas quarenta minutos.

Tadeu Mello: O cinema nacional cresceu muito depois da produção Carlota Joaquina, a Rainha do Brasil. Acredito que tanto a TV como o cinema estão juntos lançando novos talentos, só que numa produção cinematográfica o surgimento de um ótimo ator é muito forte devido à força da emoção que não se perde quando é exibida na telona e, na TV, essa mesma emoção chega filtrada para quem assiste.

5. O que te fez aceitar o papel de ... ?

Marco Nanini (Frederico Evandro): Trabalhar mais uma vez com Guel Arraes.

Selton Mello (Leléu): A emoção de criar um herói BRASILEIRO.

Débora Falabella (Lisbela): Foi mais uma oportunidade de fazer cinema. É difícil recusar pelo diretor, os atores, conhecer o texto e saber que é uma coisa bacana, diferente de tudo o que já foi feito.

Virginia Cavendish (Inaura): O projeto nasceu de um desejo do Guel e meu de montar a peça. Logo em seguida Paula Lavigne juntou-se ao projeto. Na peça, fiz Lisbela por dois anos. Quando resolvemos fazer o filme, nós três decidimos que seria melhor eu fazer um outro personagem, assim estaria fazendo algo que não tinha feito, com desafios que não tinha enfrentado como atriz. A Inaura do filme era um personagem que tinha as características que eu gostaria de expressar naquele momento.

André Mattos (Tenente Guedes): Trabalhar com Guel e "nosso" grupo. Chamo de "nosso" porque sinto-me parte desta equipe. Formamos, como no teatro, um grupo de amigos-profissionais e isto torna o trabalho muito mais prazeroso e eficiente. Temos um team mate muito coeso.

Bruno Garcia (Douglas): Impossível não aceitar um convite como esse. Afinal, eu estou envolvido com esse projeto desde sua versão para o teatro.

Tadeu Mello (Cabo Citonho): O personagem do Cabo Citônio é ótimo, a oportunidade de trabalhar com Guel no cinema, contracenar com atores espetaculares, enfim, um projeto cinematográfico de alto nível.

6. O que foi mais difícil na criação/composição de seu personagem?

Marco Nanini: Descobrir a sua alma.

Selton Mello: Nada foi tão difícil na composição já que além dos ensaios, tive a oportunidade de viver o mesmo papel no teatro o que facilitou o trabalho.

Débora Falabella: O sotaque. Todos os outros atores já eram familiarizados com o sotaque nordestino e eu não. Eu nunca tinha feito nada. Por ser comédia também. É muito mais difícil fazer comédia do que drama.

Virginia Cavendish: Depois que se estabelece o caminho do personagem, acho que o mais difícil é se entregar. Feito isso, o resto acontece. Você esquece de você e o personagem aparece. A composição física também foi muito estudada, já que eu não tinha um tipo nordestino característico.

André Mattos: A prosódia muito particular do interior de Pernambuco.

Bruno Garcia: Inventar um falso sotaque carioca.

Tadeu Mello: Eu tive uma certa dificuldade em adaptar a linguagem do personagem teatral para a cinematográfica, pois já fazia ele no teatro há dois anos, mas o Guel soube conduzir, não deixando que minha emoção passasse do tom.

7. Você acha que o cinema brasileiro aposta mais nas histórias regionais? Elas fazem mais sucesso?

Marco Nanini: O cinema no Brasil está crescendo, assimilando novos artistas e abrindo o leque para um grande painel de histórias e personagens. Com certeza o tema regional trará sempre uma indentificação maior com o público daqui, mas é preciso também um caráter universal nas tramas e nas personagens, coisas tais que falem do homem.

Selton Mello: O Brasil é muito rico em diferenças e isso se reflete nas telas.

Débora Falabella: Não sei se fazem mais sucesso, mas elas são mais próximas do povo. Se tornam mais populares. Mas se for uma história boa, faz sucesso. O bacana é que sai um pouco do eixo Rio-SP.

Virginia Cavendish: Acho que o Brasil está encontrando o seu cinema. E quanto mais as histórias são próximas do público, há uma identificação muito mais imediata. Acho que o Brasil quer se ver representado seja no cinema, na TV, seja ela uma realidade da capital, do interior, não acho que seja uma questão de regionalismo e sim de identidade.

André Mattos: Acho que menos do que devia. Nós artistas temos o dever e a oportunidade de utilizarmos nossa arte como uma grande tribuna para discutirmos sôbre nossos problemas. Vejo que dentro desta perspectiva deveríamos produzir mais obras que tratassem dos problemas de nosso país.

Bruno Garcia: Toda história é regional. É um preconceito achar que algo que está fora dos grandes centros urbanos deva ser rotulado. Elas fazem mais sucesso?

Tadeu Mello: Acredito que seja momento, filmes como: O Baile Perfumado, O Auto da Compadecida, Eu, Tu, Eles, Central do Brasil (que ficou misto), foram grandes sucessos de temas regionais. Mas temos também produções não regional que foram fenômeno de sucesso como: Cidade de Deus, Carandiru, ou seja, o cinema está sempre buscando coisas novas, não ficando preso a temas específicos. O cinema regional agrada bastante, porque mostra o nosso Brasil, que é um país lindo e um povo muito carismático.

8. O ritmo das gravações de uma produção cinematográfica é muito diferente da TV? E o ambiente?

Marco Nanini: Diferentes pelas características intrínsecas de cada veículo. Quanto ao ambiente, depende da afinidade que a equipe escolhida poderá alcançar.

Selton Mello: É tudo feito com mais calma e capricho, diferente do ritmo industrial da
TV, mas onde há bons profissionais, há um trabalho de qualidade, seja no
teatro, na TV ou no cinema.

Débora Falabella: É diferente. Na TV, mesmo que você grave muito tempo com as pessoas, elas não são próximas e é difícil ter contato com o autor. No cinema, como o tempo é menor, o contato é mais aproximado.

Virginia Cavendish: É muito diferente. Se filma muito menos cenas por dia do que numa gravação de TV. Mas os colegas são geralmente os mesmos e isso faz com que tenha uma certa semelhança. O cinema é mais lento e mais cuidadoso. Tem mais tempo de preparação, de filmagem e de finalização. Para mim o cinema é onde a arte visual é mais completa e mais cuidada.

André Mattos: É mais tranquilo e mais artesanal. Porém permite menos erros. O cinema é muito caro. O ambiente é maravilhoso, somos uma grande família que durante alguns meses acordamos, tomamos café, almoçamos, jantamos e trabalhamos juntos, nos divertimos, conversamos, namoramos, bebemos, rimos, choramos, trocamos idéias.... até que acaba e só nos resta esperar por outra ¨nova viagem¨ para que possamos alçar vôos juntos novamente.

Tadeu Mello: Sim. O cinema é mais visceral, ele exige mais do ator tanto fisicamente como mentalmente, a maioria dos cenários são reais, fazendo com que haja sempre um deslocamento de um set para o outro. Eu observo, que o ambiente cinematográfico tem uma concentração maior devido o alto custo e ao tempo que é muito preciso.


voltar.gif


transp.gif (45 bytes)