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notasprod_1.gif (2071 bytes) Olhos Famintos

webc3468.jpg (13191 bytes)O diretor e roteirista Victor Salva é um antigo e apaixonado conhecedor de filmes de terror. Conforme ele se recorda: "Meu irmão e eu assistíamos ´Creature Features`, com Bob Wilkens; assistíamos ´Creature from the Black Lagoon`, ´Drácula`, ´Frankenstein` e todos os filmes de monstros da Universal, cujo encanto estava no suspense e nas sombras nas paredes. Embora ´Olhos Famintos` tenha alguns momentos com efeitos visuais, procurei baseá-lo menos em sangue e mais no suspense e em imagens difíceis de serem esquecidas, não por serem gráficas, mas por serem assustadoras e penetrantes".

O filme foi escrito em 1999 e, segundo Salva: "Depois de uma temporada em que assisti ´A Bruxa de Blair` e ´O Sexto Sentido`, me recordei de que eram como os filmes que eu fazia na escola, sem nunca ter pensado em realizar qualquer outro tipo de filme. Achei que este era o momento perfeito para escrever um filme de monstros. Eu tinha ouvido uma história verídica sobre um casal de turistas que tiveram a coragem de investigar algo misterioso por que passaram na estrada e, no fim, era alguma coisa realmente horrenda. Acrescentei os elementos sobrenaturais, mudei suas idades e pensei: ´esta seria uma viagem na qual eu gostaria de embarcar`. É uma verdadeira montanha russa que se acredita que poderia acontecer com qualquer um. Filmes de terror são viscerais, atingem seu consciente e seu subconsciente. Não queria que os personagens fossem clichés de Hollywood, como em tantos outros filmes que são sempre do tipo: aqui está uma situação idílica e agora vem o horror. Queria que suas vidas fossem instáveis e problemáticas como são as nossas vidas, de modo que as pessoas se envolvessem com o filme como se fosse real, e então vem esta força que mexe com nossas emoções".

Ao realizar "Olhos Famintos", que tem algumas das cenas mais surpreendentes e assustadoras vistas no cinema nos últimos anos, Salva estava convencido de que o filme tinha de ter altos e baixos para que o público, assim como os personagens no filme, pudesse recuperar o fôlego e digerir o que acabara de ver. Salva declara: "´Olhos Famintos` é repleto de situações corriqueiras entre irmãos e então essa coisa os surpreende, e em seguida têm um momento para se recuperarem para logo depois serem novamente surpreendidos.

E vamos conduzindo os dois de um lugar para outro, sendo que cada lugar em princípio parece ser um refúgio seguro, mas a tal criatura é tão difícil de ser detida que transforma todos os lugares para onde eles vão em mais um local que os faz lembrar que estão sendo perseguidos."

Salva escreveu o roteiro em pouco tempo e ficou surpreso pela rapidez com que chamou a atenção. Ele lembra: "Um dia depois de distribuí-lo, três pessoas já tinham demonstrado interesse em realizá-lo, coisa que eu nunca tinha visto acontecer com um roteiro. Dois estúdios e um independente, o que nunca tinha acontecido comigo. Eu estava pronto a aceitar logo o primeiro, mas meu agente me convenceu de que seria um passo em falso não mostrar o roteiro a Francis Ford Coppola, que havia produzido meu primeiro filme. Ele sempre me apoiou e tudo o que diga a seu respeito ainda será pouco; porém, fiquei um tanto constrangido em mandá-lo para Francis, pois me pareceu comercial demais para ele. Acabei por enviá-lo e ele surpreendeu a todos dizendo que não só queria realizá-lo como desejava que fosse o primeiro de sua lista de filmes para a MGM, o que me deixou perplexo".

Para Salva, ter por trás do projeto Coppola, seu mentor, e a produtora American Zoetrope era um sonho que se tornava realidade. Ele teve total liberdade para criar o filme que quisesse. Tom Luse, produtor da Zoetrope, relembra: "Quando Francis nos visitou no set, na Flórida, ele nos disse que Victor seria a pessoa ideal para iniciar sua nova lista de filmes para a American Zoetrope. Ele é uma verdadeira força criativa, é escritor, diretor e tem sua visão própria e especial do mundo. E isso tem tudo a ver com a American Zoetrope, trabalhar com pessoas criativas, dando-lhes a liberdade de fazer um trabalho dentro dos limites impostos pelo orçamento e pelo cronograma, contudo, sempre com espaço para respirarem e não se sentirem como se estivessem sendo vigiadas permanentemente. E foi isso que disse a Francis, que permitisse que Victor criasse um filme dele, o que certamente não acontece em muitos estúdios. Victor pôde se cercar de outras pessoas criativas para que pudesse criar sua visão pessoal do terror".

Um dos aspectos mais importantes e que foi deixado a cargo de Salva foi a escalação do elenco. Ele desejava caras novas, não estrelas adolescentes, atores que pudessem representar personagens críveis, que o público veria sem idéias pré-concebidas. O diretor explica: "´Olhos Famintos` é um ótimo exemplo de uma situação em que se tem pessoas que realmente incorporam os personagens e dão boas sugestões que não destoam daquilo que foi escrito por mim, que acrescentam e fazem surgir algo ainda mais autêntico. Gina Phiplips, que interpreta Trish, simplesmente não me permitiria inserir algo que não se encaixasse com a personagem. Ela se tornou Trish e dizia que ´não, Trish não faria algo assim, ela não ficaria parada vendo isso acontecer, ela é bem mais ativa que isso, ela seria mais assertiva ali`. E ela estava coberta de razão".

Gina Philips, que participou da famosa série de TV "Ally McBeal" e de filmes como "Volta por Cima", fez uma extensa preparação para o papel. Ela conta: "Para mim, era muito importante saber o que tinha acontecido com ela não apenas cinco minutos antes, ou na semana anterior, eu queria saber como era aos cinco anos, e escrevi sobre isso, sobre o que achava que era seu relacionamento com o irmão e os pais.

Dessa forma, tudo o que falava tinha um peso maior para mim, pois sabia o que estava dizendo. Na cena em que estou falando ao telefone com meus pais, compreendo aquela história e aquele relacionamento. Escrevi centenas de páginas durante cerca de seis semanas sobre absolutamente tudo, desde o que ela gosta de comer até sua música favorita e sinto como se a conhecesse, estou segura de quem é. Não importa o que me peçam, não preciso parar para pensar o que Trish faria naquela situação. Eu sei o que ela faria, como reagiria".

Dentre as coisas que mais atraíram Gina no projeto estava o relacionamento entre Trish e Darry, parcialmente inspirado no relacionamento de Salva com sua própria irmã quando tinham a idade dos personagens. A atriz afirma: "Adorava o fato de o relacionamento dos dois ser tão real, eles não ficavam dizendo coisas amáveis um para o outro o tempo todo, como na ficção. Demonstram sua afeição da mesma forma que as pessoas daquela idade fazem. Não ficam dizendo ´amo você`, mas em vez disso batem no ombro do outro ou dizem alguma coisa sarcástica. Acho tão verossímil e, inclusive, muito mais comovente".

Encontrar o ator certo para um papel central como o de Darry era fundamental. Salva comenta: "Eu apenas tinha visto Justin em ´Galaxy Quest - Heróis Fora de Órbita`. Ele trabalha muito bem no filme, especialmente quando você o conhece e vê que não tem nada a ver com o personagem. Tínhamos a pressão de conseguir nomes conhecidos, e de menos talento na minha opinião, porém, graças a Francis, tivemos a autonomia de contratar quem desejássemos, o que é raro. E escolhemos Gina e Justin. Adoro pensar que estão se tornando conhecidos. Fiquei muito feliz por termos conseguido rostos novos e extremamente talentosos".

Victor Salva prossegue: "Quando testamos o resultado dos dois contracenando na tela foi perfeito porque, sinceramente, Justin é, como Gina o descreve, um garoto. E ela é muito rápida e atenta. Justin está mais para vivenciar as coisas enquanto elas vão acontecendo. Suas personalidades alinham-se perfeitamente às de seus personagens. Ambos são meigos, porém capazes de irritar um ao outro, o que é divertido de se ver. Mas à medida que o filme vai se tornando sério, você não consegue mais deixar de se envolver emocionalmente. Os garotos começam a desmoronar, a ficar traumatizados, e acho isso ótimo por duas razões: não diminui o impacto que o terror tem em nossas vidas e aumenta o grau de envolvimento, pois quanto mais se incorporar os personagens e mais autênticos eles parecerem, mais você se preocupará com eles".

Gina declara: "Fiz o teste com alguns atores e quando Justin apareceu imediatamente nos sentimos como irmãos e os diálogos pareceram reais, foi maravilhoso. Na verdade, acho que ele estava prestes a me matar todo o tempo em que estivemos no carro, e isso é horrível. Acho que dei uma de irmã mais velha até não poder mais!"

Para o novato Justin Long, conseguir o papel principal de "Olhos Famintos" foi uma surpresa e tanto. Ele diz: "Adorei o roteiro, mas achei que buscariam alguém famoso, como Freddie Prinz Jr. Então estava muito autoconfiante ao fazer o teste porque achei que não tinha a menor chance. Estou muito feliz que deu tudo certo".

Assim como Gina, Justin acredita que o relacionamento existente entre os irmãos funcionou como diferencial em relação a outros filmes de terror com adolescentes. Ele declara: "É muito importante ter esse elemento humano, pois se as pessoas não se importarem conosco enquanto irmãos, não se importarão com o filme. Por melhores que sejam os efeitos especiais, é fundamental que o público se preocupe conosco e acredite que somos pessoas de verdade. E esse era o desafio, tornar o medo real. Fazer as pessoas se identificarem conosco ao longo desta experiência traumática era um enorme desafio".

Salva alegrou-se em poder contar com uma de suas atrizes favoritas, Eileen Brennan, para interpretar a Mulher dos Gatos, um papel que escreveu pensando nela: "Nunca pensei que ela aceitaria fazê-lo, porque não sabia o que ia achar do material. É raro conseguir alguém para quem se escreveu o papel, pois conseguir escalar todos os atores para o mesmo lugar e ao mesmo tempo é a própria teoria do caos".

Brennan, que recebeu uma indicação ao Oscar por sua atuação em "A Recruta Benjamin", ficou impressionada com o roteiro, mas não estava familiarizada com o trabalho de Salva. Ela conta: "Pedi para ver algo e me enviaram "Energia Pura". É maravilhoso, meus filhos assistiram e ficaram fascinados pelo fato de que eu participaria de um filme do homem que havia feito tal filme".

Tendo, ela própria, três gatos, Eileen Brennan se identificou com a Mulher dos Gatos. E admite: "Eu poderia acabar daquele jeito. Digo, de verdade, pois eu simplesmente não poderia viver sem gatos. Não poderia e nem quero. São os animais mais interessantes de todos. Gatos são para observarmos e aprendermos com eles. E são confortadores, como uma batata assada. Estou me divertindo com este papel, que é um pouco excessivo, mas real. Adoro a vida desta pessoa".

De acordo com o diretor: "Um dos mais complexos e interessantes personagens do filme é Jezelle, a paranormal. Ela é baseada em centenas de mulheres diferentes que vi num programa de TV chamado "Sightings", sobre fenômenos sobrenaturais e no qual eu era viciado. Invariavelmente, a cada meia hora há uma mulher sentada num trailer e que pode localizar pessoas desaparecidas para a polícia. Então decidi que queria uma mulher comum no filme, que de repente tem um sonho e se dá conta de que esses garotos estão correndo perigo. Ela decide procurar os garotos e tentar interferir em seu destino. Não tem certeza se sua presença poderá mudar alguma coisa e sabe o que eles têm pela frente. Encontramos uma excelente atriz para o papel, Patricia Belcher".

Escolher o ator que interpretaria a terrível criatura que persegue Trish e Darry foi uma tarefa e tanto. Muito embora a criatura tenha apenas uma fala em todo o filme, é uma presença constante, algumas vezes com aparência humana, outras completamente transformado numa horripilante criatura de outro mundo. Consoante descreve o roteiro, um dos hábitos mais enervantes do monstro é cheirar suas vítimas para determinar o quanto são desejáveis, como um enólogo sentindo o buquê de um merlot.

Salva esclarece: "Foi o teste mais bizarro que já presenciei, pois achamos que os candidatos deveriam entrar e nos cheirar e tentar encontrar algo delicioso em um de nós. Adoraria ter filmado esses testes porque alguns deles ficavam histéricos e outros davam arrepios. Mas Jonathan Breck, conhecido ator de teatro em Los Angeles, raspou a cabeça para o teste e seus olhos pareciam saltar para fora e era muito intimidador. Ao fazer o teste do "cheiro", ficamos com medo. Muito medo. Ele foi direto para o topo da lista. Fez um excelente trabalho. Ele era perfeito para o papel".

Breck recorda-se: "Meu agente me disse que eu tinha esse teste para fazer e pedi que me mandassem o material, então me disseram que não havia propriamente material, apenas a descrição do personagem. A partir dela pensei em como gostaria de interpretá-lo. Fiquei bastante intrigado porque tinha umas características animalescas e outras humanas. Foi divertido construir tal personagem".

A filmagem foi um desafio para Breck sob dois aspectos. Primeiro, tinha de usar a pesada maquiagem e o figurino em pleno calor escaldante da Flórida. Segundo, Salva não queria que Breck interagisse com os atores que interpretariam Trish e Darry, pois queria que seus encontros fossem envoltos em verdadeiro terror, e temia que a familiaridade entre os atores atrapalhasse a dinâmica. Breck explica: "Foi uma grande idéia, pois, caso contrário, veriam a pessoa por trás da criatura. Acho que isso criou uma forte tensão na tela".

O produtor Luse elogia: "Jonathan é dedicado. Filmamos no verão, estava muito quente e úmido. A roupa que ele usava cobria todo o seu corpo e era muito desconfortável. Nunca o ouvi reclamar. Ela passava até seis horas compondo o figurino e depois mais uma hora para desfazê-lo todos os dias, sem reclamar".

Breck atribui à equipe de efeitos especiais o mérito de ter suportado o sacrifício: "Eles têm muita experiência e sabem que há uma pessoa por trás daquilo tudo. Cada vez que eu fazia um intervalo procuravam me manter hidratado e logo traziam um ventilador. Não fosse por eles eu estaria em apuros. Mas eles são profissionais".

Todo o elenco e a equipe são unânimes em afirmar que adoraram trabalhar com Victor Salva, um processo que descrevem como sendo de verdadeira colaboração. O produtor Luse afirma: "Francis acredita firmemente que deve haver liberdade para deixar a criatividade fluir num filme. Victor preparou este filme de forma que eu nunca tinha visto alguém fazer. Ele fez o storyboard de cada tomada, analisou cada palavra dos diálogos. Trabalhar com ele é uma felicidade porque ele está profundamente comprometido com cada aspecto do filme. Já trabalhei com diversos diretores que eram também os roteiristas e eles parecem casados com o texto, como se fosse a Bíblia, que não pode ser alterada, mas Victor traz essa criatividade espontânea. Ele fazia tudo para que cada cena funcionasse da melhor forma, para extrair o melhor dos atores e da equipe. É uma postura incomum para um diretor e roteirista".

O fato de o diretor estar sempre aberto a sugestões permitiu os atores participarem realmente da composição dos personagens. Gina Philips declara: "Victor me deu um presente, pois criou uma das personagens femininas mais fortes que já vi, ela parece um típico personagem masculino.

Foi um privilégio trabalhar com um diretor que é também o roteirista e uma pessoa tão flexível como Victor. Fiquei impressionada porque ele não é nada egocêntrico. Queria nossas opiniões; se eu tivesse uma idéia, estava sempre aberto a ouvi-la. Sabíamos que ele queria o melhor para o filme e para os personagens. Foi uma experiência maravilhosa".

Jonathan Breck comenta: "Foi um privilégio ter o roteirista no set. Isso me ajudou muito a desenvolver o personagem. A primeira vez que li o roteiro, e eu não me assusto facilmente, eu estava em meu escritório sozinho e, após virar uma página, dei uma olhada em volta e senti arrepios na nuca. Sabia que seria muito divertido fazer o filme, pois é muito bem escrito".

Filmes de terror sempre foram um dos gêneros mais populares e explorados em toda a história do cinema. Acredita-se que Georges Mèliès tenha dirigido a primeira incursão no tema, em 1896, com "Le Manoir du Diable". Para o diretor e roteirista Victor Salva, "Olhos Famintos" representou o retorno ao gênero que sempre o fascinou.

O diretor se recorda de uma de suas inspirações: "Em 1971, eu tinha uns doze ou treze anos, e o filme "Encurralado" de Steven Spielberg foi o filme da semana. Ninguém conhecia Spielberg naquela época, mas para mim foi um daqueles filmes que mudam a vida de alguém que gosta de cinema. O filme seguia uma linha de suspense simples e maravilhoso. Trata da trajetória de um homem que é ameaçado por esta força desconhecida, que não se consegue deter. Acho que eu não pensei conscientemente em "Encurralado", porém quando vi o caminhão avançando e recuando, pensei nesse filme. É uma grata recordação da primeira coisa que me emocionou quanto à realização de um filme. Na realidade, o caminhão é a nossa criatura no primeiro terço do filme. Ele toma três formas: de veículo, depois de um corvo assustador e por fim de monstro. As três sinalizam para as coisas de que eu gostava em filmes fantásticos e de terror quando era garoto. Eu tinha de colocar os três tipos de monstro num filme só".

O final dos anos 90 foi prolífico em filmes de terror, a maioria deles estrelados por adolescentes, como "Pânico" e "Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado". Na opinião de Salva, era importante que seus personagens parecessem viver no mundo real, o que significava que estariam familiarizados com tais filmes. Ele diz: "Os irmãos de ´Olhos Famintos` viram todas as seqüências de "Pânico", todos os filmes da série "Halloween", os filmes com Jason e Freddy Krugger. Estão cientes do universo do terror, mas nem por um segundo imaginam que poderiam fazer parte dele".

A atriz Gina Philips acrescenta: "Foram feitos diversos filmes de terror nos últimos anos, porém este não é apenas mais um deles. O centro da história não são golpes, mas a relação entre irmãos. Pensar em algo de ruim acontecendo à minha personagem é horrível, só que muito pior que isso é quando ela vê que Darry está à beira de um colapso. Trata-se de um coisa ruim acontecendo com seu irmão e ela tem de lidar com a dor que isso representa".

Justin Long comenta: "Sempre quis participar de um filme de terror e o que mais gosto nesta história é o fato de que a criatura nunca chega a ser completamente explicada. Era disso que eu sentia falta. Eu adorava filmes de terror e acho que nos melhores a criatura do mal, o vilão, é sempre um mistério e nunca fica definida. Ficamos sabendo de algumas coisas a seu respeito, mas no final continua sendo apenas essa espécie de entidade maligna. Conversamos muito sobre o mal, se ele realmente existe e, neste caso, a criatura seria a sua personificação. Acho que existe o mal e que as pessoas são capazes de fazer o mal, porém não acredito que o homem seja mau por natureza. Mas acredito que esta criatura seja".

Para Jonathan Breck, dar vida à terrível criatura foi "uma experiência enriquecedora, pois sem poder me apoiar em palavras, tinha de pintar o quadro através dos movimentos, da forma de reagir e de olhar. Foi divertido, porque o personagem é primitivo. Suas motivações são a razão de seu ser. Seu olfato é tudo, é através dele que decide quem vai comer; apenas pelo cheiro ele é capaz de detectar se alguém possui algo que o interessa ou não. Algumas vezes é mais difícil, então ele provoca medo e os feromônios que a pessoa libera o faz decidir que vai fazer uma boquinha ou não. Eu (enquanto personagem do filme) escolho bem quem vou matar e por quê. Por isso não saio avançando em todos e depois vou embora. Preciso ter certeza de que é quem eu quero e de que é a parte que quero. Por isso tenho de deixá-los realmente aterrorizados".

Imaginar e dar forma à criatura foi um desafio e tanto para Salva, para Brad Parker, que cuidou das ilustrações e para o especialista em efeitos especiais com maquiagem Brian Penikas. Salva esclarece: "No primeiro dia, Brad tinha três ou quatro desenhos da criatura baseados no roteiro e eram fantásticos. Na verdade, o primeiro que vimos era tão incrível que o enviamos por e-mail imediatamente para Francis, que respondeu dizendo ´é demais`. Então, Brad foi fundamental, pois ele e Brian entendem muito mais de monstros do que eu, poderiam escrever enciclopédias sobre isso. A criatura era imersa em mitologia gótica e simbolismo. Foi idéia minha criar um homem que não era homem de verdade, que poderia vestir-se como um e se passar por um, mas que ao se chegar mais perto não fosse absolutamente um homem. Embora tenha sido minha a idéia, Brad e Brian são os responsáveis pela criação efetiva de uma criatura absolutamente original e serei eternamente grato por isso".

Segundo Brian Penikas, cujos créditos incluem "Regras do Jogo", "Austin Powers - O Agente Bond Cama" e "O Mundo de Andy": "Victor e Brad Parker vinham trabalhando nos desenhos há uns oitos meses. Sabiam o que queriam e nossa missão era adaptar os desenhos para que fosse possível fazer aquilo com uma pessoa. A criatura é única porque tem forma próxima à humana, com exceção dessas garras que o envolvem a partir da parte de trás da cabeça até seu rosto, tornando-a assustadora".

webc3462.jpg (16269 bytes)Penikas participou da escolha de Jonathan Beck para o papel do monstro. Ele declara: "Ele tinha muito carisma e a aparência ideal. Sua estrutura facial daria uma expressão interessante ao personagem. Assim que fecharam com Jonathan, ele foi ao nosso laboratório em Los Angeles, e fizemos uma série de testes de corpo, cabeça, mãos e pés. Fizemos moldes das partes de seu corpo que seriam cobertas com o traje ou com a maquiagem.

A partir de tais testes, fizemos esculturas que se amoldariam a Jonathan. Aprovadas as esculturas, passamos por diversos processos de feitura de moldes para que pudéssemos fabricar todas as partes para a maquiagem e as roupas. Preparamos cinco trajes completos e depois cerca de dez máscaras, para Breck e para o dublê, assim como próteses usadas nos closes".

Brian, que chegou ao set na Flórida com uma equipe de cinco pessoas, descreve: "Praticamente nos mudamos com tudo para a Flórida, de modo que pudemos continuar a produção de peças e partes à medida que íamos precisando delas, ou que mudanças se faziam necessárias. Assim, levamos o laboratório inteiro conosco e íamos fabricando ao longo da realização do filme".

Apesar dos sofisticados efeitos especiais, "Olhos Famintos" tem seu foco nos personagens e leva o público a uma viagem emocional aterradora. O produtor Luse afirma: "Acredito que o filme vai emocionar as pessoas, mexer com elas. Alguns filmes são como uma ida a um parque de diversões, uma montanha russa. Mas este filme vai mais fundo, ele nos leva a um lugar dentro de nós mesmos que é primitivo e onde existe um medo primitivo".

SOBRE O ELENCO

Gina Philips (Trish Jenner) - Gina Philips tem créditos na televisão e no cinema. Foi escolhida para interpretar a filha de Danny DeVito em "Volta por Cima". Em seguida, estrelou "Telling You", contracenando com Jennifer Love Hewitt, bem como "Visões Alucinantes", com Jeremy London e Christine Taylor e "Vítima Perfeita", com Martin Sheen e Ally Walker.

Seus trabalhos na TV incluem a minissérie "Bella Mafia", com Vanessa Redgrave, Nastassja Kinski e Dennis Farina. Ela estreou recentemente como a personagem "Sandy Hingle" na premiada série do canal FOX "Ally McBeal".

Philips será vista em breve no filme independente "Nailed", contracenando com Harvey Keitel, Brad Rowe e Mary Kay Place.

Justin Long (Darry Jenner) - O ator participou dos filmes "Happy Campers", "Galaxy Quest - Heróis Fora de Órbita", "Boyzgasm" e "Time Writer". Também participou de diversas peças teatrais. Atualmente, pode ser visto no seriado de TV "Ed".

Jonathan Breck (A Criatura) - Breck é um atuante ator de teatro em Los Angeles, além de ter participado de "Star Trek Voyager", "VIP" e "I Married a Monster" na televisão.

O ator atuou em nada menos que onze filmes independentes nos últimos quatro anos e em breve será visto em "Good Advice", com Charlie Sheen, Jon Lovitz e Denise Richards.

Eileen Brennan (A Mulher dos Gatos) - A atriz é conhecida pelas personagens obstinadas que interpretou em filmes como "A Última Sessão de Cinema" (1971), "Golpe de Mestre " (1972) e "Hustle" (1974). Recebeu uma indicação ao Oscar ao retratar um sargento do exército em "A Recruta Benjamin"(1980), de Goldie Hawn, e recriou a personagem na série de TV inspirada no filme, atuação que lhe valeu um Emmy.

Durante as filmagens da série de televisão, sofreu um acidente de carro e teve uma difícil recuperação, retornando ao trabalho em 1985 e participando de filmes como "Palace - Um Hotel onde Tudo pode Acontecer" e "Texasville - A Última Sessão de Cinema Continua".

Sua extensa lista de créditos inclui "Os 7 Suspeitos", "Promessa de Sangue", "Intenções Assassinas", "Espantalho", "O Doce Abraço da Morte", "Voltar a Viver", "A Vida é uma Arte".

Recentemente, atuou em filmes para a TV e fez participações em seriados bem-sucedidos como "Veronica`s Closet", "O Toque de um Anjo", "Mad About You", "Nash Bridges" e "E.R.".

Patricia Belcher (Jezelle Gay Hartman, a Paranormal) - Entre seus créditos estão "Passageiro do Futuro 2 - Dominando o Ciberespaço", "A Experiência", "Eye for an Eye", "Perigo Real e Imediato" e "Linha Mortal".
Fez participações especiais em inúmeras séries de televisão, incluindo "Chicago Hope", "Seinfeld", "E.R.", "O Toque de um Anjo", "Everybody Loves Raimond" e "The Trouble with Normal".

SOBRE OS REALIZADORES

Victor Salva (Roteirista/Diretor) - Um ávido realizador desde a idade de treze anos, quando terminou a escola secundária já tinha escrito e dirigido mais de vinte curtas e dois longas-metragens em Super 8.
Ele chamou a atenção de Francis Ford Coppola quando um de seus curtas-metragens, "Something in the Basement", ganhou o primeiro lugar na categoria ficção no concurso SONY/AFI Home Video Competition, do qual Coppola era um dos jurados.

Coppola produziu seu primeiro filme, "Palhaço Assassino", que valorizava a ambientação e não sangue e violência, também escrito e dirigido por Salva.

Seu filme seguinte foi "Caçada sem Fim", um thriller psicológico. No ano que se seguiu, Salva fez seu primeiro filme para um estúdio, "Energia Pura", para a Caravan Pictures e a Disney, estrelado por Jeff Goldblum e Mary Steenburger. O filme foi aclamado pela crítica e incluído em diversas listas dos dez melhores do ano.

O quarto filme de Salva foi "Rites of Passage", com Jason Behr (de "Roswell") e Dean Stockwell.

Para o diretor, "Olhos Famintos" possui uma incrível espécie de simetria: "Tenho uma sensação de simetria e de dejà vu ao realizar outro filme de terror para Francis. ´Olhos Famintos` é o primeiro filme de seu novo contrato com o estúdio MGM/UA, assim como "Palhaço Assassino" foi a primeira produção da Commercial Pictures de Francis, em 1998. Novamente fazemos um filme aterrorizante, sombrio e emocionante, e que mais uma vez não se baseia em sangue, mas valoriza a história, o visual e os personagens".

Barry Opper (Produtor) - Opper produziu nove filmes e uma série de televisão. Desenvolveu mais de vinte projetos na produtora Skouras Pictures, e produziu mais de trinta peças de teatro, nos EUA e na Europa.
Entre seus créditos no cinema estão "Criaturas" e suas três seqüências, "Android - Muito mais que Humano" e "Os Irmãos Id & Ota".

Tom Luse (Produtor) - A relação de Luse com o cinema começou quando, ainda um estudante, trabalhava numa bilheteria de cinema. Em 1982, escreveu, produziu e dirigiu um filme, "Who´s Killing the Cities?", que foi aceito pela Universidade do Estado da Georgia como tese de mestrado e exibido na televisão.

Dentre seus créditos pode-se citar "Tempo de Glória", "Lembranças de Outra Vida", "Marcas de Batom", "O Amor é para Sempre" e "Remember the Titans".

Francis Ford Coppola (Produtor Executivo) - Coppola é um dos mais respeitados talentos da indústria do entretenimento. Mais conhecido por seu trabalho como diretor, roteirista e produtor e vencedor de cinco Oscar, ganhou seu primeiro Oscar aos trinta e um anos, pelo roteiro de "Paton - Rebelde ou Herói?". Sua lista de créditos é impressionante, incluindo filmes como "O Poderoso Chefão" e suas seqüências, "Apocalipse Now", Peggy Sue - Seu Passado a Espera", "Cotton Club", "O Selvagem da Motocicleta", "Tucker - Um Homem e seu Sonho", Drácula de Bram Stocker".

Recebeu a Palma de Ouro em Cannes por "A Conversação" e "Apocalipse Now" e presidiu o júri do festival em 1996.

É considerado o pioneiro do cinema eletrônico e muitas das técnicas que desenvolveu tornaram-se usuais na indústria cinematográfica.

Sua produtora, a American Zoetrope, sediada em São Francisco, desenvolve e produz projetos de filmes para o cinema e para a TV.

Linda Reisman (Produtora Executiva) - Reisman chefia a Produção da American Zoetrope, tendo participado de projetos como "No Such Thing", dirigido por Hal Hartley, e "Pumpkin", estrelado por Christina Ricci.

Anteriormente, Reisman co-produziu "Amor Maior que a Vida" com Jodie Foster e a Egg Pictures, produziu "Temporada de Caça", estrelado por Nick Nolte, James Coburn, Sissy Spacek e Willem Dafoe. Seus outros projetos incluem "Vítima do Passado", "O Dono da Noite", "O Seqüestro de Patty Hearst".

Willi Baer (Produtor Executivo) - Baer já produziu dezenas de filmes, tais como "O Pagamento Final", "O Grande Assalto" e "O Sombra", de Brian De Palma, "Busca Mortal", "Minha Vida", "O Indomável - Assim é minha Vida", e "Deuces Wild", de Wolfgang Petersen.

Foi produtor executivo de "O Despertar do Desejo" e "A Fortuna de Cookie", de Robert Altman, "As Virgens Suicidas", "O Mapa do Mundo", "Contragolpe", "Anel de Corrupção", dentre outros.

Mario Ohoven (Produtor Executivo) - Em 1996, Ohoven formou a Cinerenta, com Eberhard Kayser, que desde então produziu mais de vinte filmes, como "O Mapa do Mundo", com Sigourney Weaver e Julianne
Moore, "How to Kill Your Neighbor`s Dog", com Kenneth Branagh e "The Contender", com Gary Oldman e Christian Slater.

Eberhard Kayser (Produtor Executivo) - Em 1976, Kayser tornou-se diretor da Cinerenta, que produziu e financiou mais de vinte e sete filmes juntamente com a Columbia Pictures, como "Kramer Vs. Kramer", "Contatos Imediatos de Terceiro Grau", "A Lagoa Azul", "O Fundo do Mar", "All that Jazz", "Gloria" e "Ausência de Malícia".

No ano de 1996, restabeleceu a Cinerenta com Mario Ohoven, produzindo "O Mapa do Mundo", "How to Kill Your Neighbor`s Dog", "The Contender" e muitos outros.

Don E. Fauntleroy (Diretor de Fotografia) - Fauntleroy cuidou da fotografia de filmes como "Mente Diabólica", "Seven Girlfriends", "The King´s Guard", "Soul Collector", "Rites of Passage" (de Salva), "Marabunta", "Shangri-la", entre outros.

Steven Legler (Designer de Produção) - Entre seus trabalhos estão "Um Gaiato no Navio", "Matinee - Uma Sessão muito Louca", "Perigosamente Harlem", bem como cinco filmes do diretor Alan Rudolph: "Equinox", "Armadilhas do Amor", "Moderns", "Vidas em Conflito" e "Choose Me".

Trabalhou, ainda, como diretor de arte dos filmes "Godzilla", "Independence Day" e "Anjos Dourados".

Ed Marx (Editor) - Ed Marx fez a edição de inúmeros filmes, como "O Preço da Ambição", "Urbania", "Sordid Lives", "Seven Girlfriends", "Rites of Passage", "Boardheads", "It´s All True: an Unfinished Film by Orson Welles".

Brian Penikas (Maquiagem e efeitos) - Ao longo de uma carreira de mais de vinte anos, Penikas levou para as telas inúmeros personagens interessantes através da efeitos especiais com maquiagem. Seus primeiros trabalhos incluem "Cocoon", "Aliens" e o premiado "Marcas do Destino".

Mais recentemente, como diretor do Make-up & Monsters Studios, Brian e sua equipe contribuíram com seu talento, suas excepcionais habilidades e seu cuidado com os detalhes para a realização de filmes como "Batman & Robin", "Galaxy Quest - Heróis Fora de Órbita", "Regras do Jogo", "O Mundo de Andy", "A Filha do General" e "Stigmata".

Bennet Salvay (Compositor) - Salvay compôs as trilhas de "Love Stinks", "Rites of Passage", "Caçada sem Fim" e "Caçada Infernal".
Seus créditos na televisão incluem as séries "Providence", "Early Edition", "Two of a Kind" e "Sisters".
Trabalhou, igualmente, como produtor e/ou arranjador em gravações dos artistas The Wallflowers, Brian Setzer e Motley Crue.

Sobre a American Zoetrope - Em seus primeiros trinta anos, a produtora American Zoetrope produziu alguns dos mais relevantes filmes americanos, podendo-se citar "American Graffiti", "O Poderoso Chefão" e suas seqüências, "Peggy Sue - Seu Passado a Espera", "Drácula de Bram Stocker", "Don Juan DeMarco" e, mais recentemente, "As Virgens Suicidas".

Seus filmes receberam nada menos que quinze Oscar e sessenta e oito indicações. Quatro dos filmes produzidos pela American Zoetrope foram incluídos na lista dos Cem Melhores Filmes Americanos do American Film Institute.


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