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Vovó... Zona


webci250.jpg (39098 bytes)Vovó... Zona começou sua viagem para as telas de cinema nos escritórios do produtor David T. Friendly. O roteirista Darryl Quarles tinha uma reunião marcada com Friendly para trabalharem na idéia de uma história que o produtor não tinha gostado muito. No final da reunião, ele perguntou a Quarles se tinha outras idéias e este lhe contou sobre Vovó... Zona. "Darryl descreveu a idéia principal em uma frase e eu explodi. Disse a ele: 'Vamos fazer e você vai escrever'", conta Friendly.

A idéia, na qual o ator principal faria três personagens diferentes - um agente do FBI, uma vovó sulista e um velhinho asiático -, pedia um ator de comédia com "talento físico" e de interpretação. Enquanto Martin Lawrence permanecia no alto da lista, o roteiro ia sendo escrito sem ter um ator específico em mente. Friendly observa: "Sempre estivemos interessados em Martin para o papel. Porém, não queríamos cair naquela armadilha de escrevermos algo muito específico para um ator em particular. Antes de tudo, queríamos traçar uma história engraçada e plausível com um personagem também plausível". Assim que o roteiro ficou pronto, Lawrence recebeu uma cópia e concordou em fazer o papel. Aliás, os papéis.

Ele rapidamente desenvolveu uma afinidade com seus personagens. E explica: "Compreendi Malcolm e compreendi a Vovozona. Personagens múltiplos funcionam nos filmes, isso é ótimo. Em Vovó... Zona achei que eram simplesmente fundamentais".

Assim que o ator entrou para a produção, era hora de procurar um diretor. Friendly imediatamente pensou em Raja Gosnell, ex-montador que dirigiu Esqueceram de Mim 3 e a recente comédia de sucesso Nunca Fui Beijada. O produtor recorda: "Sempre tive interesse em trabalhar com Raja. Há uma lista muito pequena de diretores de comédia que podem fazer bem este tipo de material, e Raja estava no alto da minha lista. Sua experiência como montador, com comédia, e como ele consegue fazer que a coisa toda dê certo foram fundamentais". Martin Lawrence também ficou honrado de ter Gosnell segurando as rédeas, como afirma: "Conhecendo seu trabalho anterior como montador e diretor, sabia sobre o seu excelente timing de comédia. E uma boa comédia precisa de timing e de uma boa montagem".

Gosnell gostou muito da mistura ultrajante de humor, ação, emoção e romance de Vovó... Zona. "O roteiro tinha ótimos personagens e uma história atraente. Vi as oportunidades que a história oferecia e sabia que teria de manter muitas 'bolas no ar', porque havia muita coisa acontecendo ao mesmo tempo", diz ele. E o trabalho de Gosnell como montador reconhecido refletiu-se no seu estilo de filmagem. "Como montador gosto de ter escolhas. Por isso, filmo várias versões de uma cena. Tento duas ou três falas num mesmo lugar ou um final alternativo. Meu objetivo no set era 'Perfeito; mais uma vez'", acrescenta o diretor.

A escalação dos papéis principais continuou enquanto Gosnell e Friendly trabalhavam para expandir e afiar a mistura de comédia, ação e romance da história. Nia Long aceitou o papel da neta da Vovozona - e eventual objeto da afeição de Malcolm, a jovem Sherry. Gosnell descreve: "Nia tem essa meiguice, mas também uma valentia dentro dela que era simplesmente perfeito para o papel. Ela tem momentos dramáticos onde teme por sua vida e de seu filho. Além disso, tinha que fazer cenas muito engraçadas contracenando com Martin".

A atriz gostou dessa relação diferente que compartilhou com Lawrence como Malcolm, bem como com Lawrence como a Vovozona. Ela observa: "É engraçado, porque eu realmente tive dois relacionamentos de trabalho diferentes com Martin. Quando ele era Malcolm, estávamos sempre brincando; a atmosfera era mais solta. Mas quando ele era a Vovozona, era como se essa velhinha maravilhosa merecesse respeito, e as coisas ficavam um pouco mais tranqüilas". Paul Giamatti, que faz o parceiro de Malcolm, John, concorda com Nia Long: "Era estranho quando Martin estava usando a maquiagem da Vovozona. Parecia que eu estava contracenando com outro ator. Eu tinha que me lembrar constantemente que 'aquela' era Martin".

Giamatti, bastante novo na comédia, fez Pig Vomit em O Rei da Baixaria, com Howard Stern. Seu talento cômico foi crucial para o filme. O produtor executivo Rodney Liber explica: "Procurávamos alguém que pudesse acrescentar um elemento cômico e que não ficasse totalmente encoberto pela incrível 'força' de Martin". E Friendly acrescenta: "Houve uma química forte entre Paul e Martin. Eles se deram bem imediatamente. A química permitiu que Martin realmente se soltasse mais ainda". Ainda nos papéis-chave estão Terrence Howard, como o ex-namorado de Sherry, Lester, e Jascha Washington, como seu filho Trent. A atriz de teatro Ella Mitchell faz a verdadeira Vovozona. O papel é crucial, embora sua personagem apenas apareça logo no início da história e quase no fim do filme. "Não queríamos torná-la um clichê e fazer com que todos a adorassem demais. Ela não é a pessoa mais amistosa do mundo; em uma cena, ela joga o cachorro do vizinho por cima da cerca. Entretanto, perto do final do filme, vemos que tem um coração grande e exerce influência sobre Malcolm", antecipa Friendly.

Transformando Martin Lawrence na Vovozona

Enquanto outros filmes como Tootsie, O Professor Aloprado e Uma Babá Quase Perfeita tinham personagens que usavam disfarces, Vovó... Zona acrescenta outro traço cômico às telas: seu protagonista, Malcolm, torna-se uma outra pessoa já existente... a atriz Ella Mitchel, que faz a Vovozona.

webci251.jpg (32884 bytes)Desde o início, os realizadores sabiam o que a maquiagem deveria e não deveria fazer. David Friendly explica: "Quando você contrata Martin Lawrence, você quer ter certeza de que o público terá Martin Lawrence. Assim, em termos de maquiagem, queremos ter certeza de que pareça plausível - que as pessoas à sua volta achem que ele é a Vovozona -, mas também que o público saiba que aquele é Martin Lawrence, porque ele é o astro. Queríamos ter certeza de que a genialidade cômica de Martin pudesse ser vista". Para criar a Vovozona, os realizadores procuraram o artista de efeitos de maquiagem vencedor do Oscar Greg Cannom. Gosnell havia trabalhado com Cannom antes em Uma Babá Quase Perfeita, com o qual ele ganhou seu Oscar. "Greg é um gênio no que se refere a próteses artísticas e um dos gigantes da área da maquiagem especial", elogia o diretor. Cannom e sua equipe trabalharam muito para combinar os rostos de Martin Lawrence e Ella Mitchell, criando o que acabou resultando num amálgama dos dois visuais. Para poder enfatizar mais seus traços semelhantes, Mitchell também usa próteses para fazê-la parecer mais com a personagem da Vovó criada para Martin. A atriz ri: "Deram a ele um pouco de mim e deram a mim um pouco dele".

Transformar Lawrence na Vovozona era um trabalho que exigia muita paciência, pois consumia mais de seis horas. Eventualmente a equipe de Cannom conseguia tirar tudo em duas horas - para alívio de Lawrence. Para agilizar o processo de maquiagem, Cannom encontrou uma forma de acoplar a parte da prótese do pescoço a uma camiseta. Isto permitia que o pescoço entrasse pela cabeça de Lawrence e fosse depois colado em toda a sua beirada. Em seguida, grudavam parte do queixo e do lábio superior, e todas as pontas eram misturadas à pele e depois cobertas com uma máscara de borracha colorida. Finalmente, cores para os arremates eram acrescentadas e batom e maquiagem eram aplicados à área do olho.
Greg Cannom e sua equipe desenvolveram um novo tipo de prótese de silicone que é mais leve, mais fácil de se trabalhar e mais durável - pelo menos agüenta de 16 a 18 horas no set. Isto marcou uma evolução em relação aos produtos utilizados no passado, como a gelatina que derretia em seis horas, e a espuma que começava a desmoronar no mesmo tempo. As próteses foram todas esculpidas a mão. "Todo mundo estava tentando criar uma maquiagem de silicone funcional e em O Homem Bicentenário criamos nossa própria versão. O problema com a maquiagem de silicone utilizada anteriormente era que ela derretia, como acontece com a gelatina. Então tivemos que criar uma maquiagem baseada em silicone que pudesse agüentar os rigores das filmagens. Meu sócio, Wes Wofford, e eu criamos esse novo silicone, ao qual apenas acrescentamos um pouco de tinta cor da pele. Podemos colocar maquiagem sobre todo o material e ele também adere muito bem", garante o premiado artista de efeitos de maquiagem.

Quando o rosto da Vovozona estava completo, era a hora de os realizadores trabalharem para deixá-la "grande" como no título. Uma roupa especial foi criada para dar a Lawrence as dimensões certas - 147 quilos. Da mesma forma que a maquiagem, a roupa gorda levou alguns meses para ser aperfeiçoada. Cannom conta: "Às vezes, os seios estavam muito grandes, depois ficaram muito pequenos. Tentar deixar tudo na proporção certa foi um verdadeiro desafio".

A equipe de produção criou uma roupa leve o suficiente para Lawrence poder usar durante 12 a 14 horas por dia. A roupa, feita de um material respirável, mostrou-se mais leve e mais fácil para acompanhar os movimentos do ator do que qualquer um poderia ter imaginado. Outro desafio foi manter Lawrence fresco dentro da roupa nas cenas que exigiam muita movimentação. Isso foi muito importante durante uma das grandes cenas cômicas do filme, na qual a Vovozona desafia uns jogadores valentões num "complexo" jogo de basquete acrobático. Para tanto, foi desenhado um elaborado sistema de refrigeração para a roupa. A "roupa resfriada", criada para pilotos de carros de corrida, foi confeccionada com "veias", através das quais era injetada água gelada. Também construíram para Lawrence uma "zona fria" especial numa área coberta, mantida em constantes 10 graus de temperatura.

Apesar de o "alter ego" principal de Lawrence na tela ser a Vovozona, ele também pode ser visto sob uma maquiagem bem diferente e ainda mais elaborada durante a cena de abertura do filme. Disfarçado como um velhinho asiático, o Malcolm de Lawrence destrói um ringue ilegal de luta de cães. O produtor David Friendly observa: "Queríamos começar o filme com uma 'batida' para que o público pudesse descobrir o mundo do personagem de Martin. A cena e o disfarce de Martin contarão ao público de imediato quem é esse personagem - que ele é esperto e valente e que está a fim de fazer qualquer coisa para pegar os bandidos".

A maquiagem e as próteses do "asiático" levaram ainda mais tempo para aplicar do que a maquiagem da Vovozona. Greg Cannom conta: "Os efeitos do velhinho eram muito mais elaborados porque as próteses são feitas de pedaços muito finos, como os que fazem a careca, partes do queixo, nariz, bochechas, lábio superior e um pedaço inteiro e superfino da testa. Foi muito divertido criar isso porque, diferente da maquiagem da Vovozona, a maquiagem do asiático não tinha que se parecer nada com Martin".
Martin Lawrence também achou o disfarce do asiático desafiador e, eventualmente, muito divertido. Ele afirma: "Nunca fiz nada parecido antes. Mas quando você entra dentro de uma maquiagem desse tipo, um certo comportamento toma conta de você e o personagem parece que assume seu lugar".

A casa da Vovozona

Entre os vários personagens de Vovó... Zona está uma estrutura fundamental do filme (inclusive presente no título original), criada pelo desenhista de produção Craig Stearns. Friendly explica: "Queríamos dar à casa uma personalidade e uma alma. Enchi-a de aconchego, amor e história, e o público tem uma idéia do que fez a Vovozona ser o que é".

Quatro profissionais foram enviados com o objetivo de procurar locações de acordo com o que Gosnell queria - um lar com atmosfera e vizinhança bem sulista. Após muito procura, a casa perfeita foi encontrada. Uma réplica exata da casa foi construída em dois estúdios da Universal Studios, onde aproximadamente metade do filme foi rodado.

O clima de lar da casa da Vovó causa um forte impacto sobre os personagens, principalmente em Malcolm. David Friendly conta: no começo do filme, Malcolm é a figura de um solteirão solitário que tem uma TV tela grande, um closet cheio de ternos e pára por aí. No final, ele desenvolveu novos valores que aprendeu enquanto se passou pela Vovozona e viveu em sua casa.

Essa transformação emocional é o que representa o "coração" de Vovó... Zona. O diretor Raja Gosnell conclui: "Espero que o público ria mais do que imagina, mas também espero que fiquem surpresos com a emoção do filme e de como serão tocados pela atuação emocionante de Martin. Acho que lembrarão disso tanto quanto das gargalhadas".


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