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Entrevista Coletiva - 05/06/2000 - Salão Nobre do Hotel Maksoud Plaza
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No próximo dia 16, chega às telas (aproximadamente 70 salas) dos cinemas brasileiros "Oriundi – O Verdadeiro Amor é Imortal", novo filme de Anthony Quinn (ator de "Os canhões de Navarone", de 1961; "Lawrence da Arábia", de 1962; e "Zorba, o grego", de 1964). A direção é de Ricardo Bravo.

O destaque, além da presença do veterano Quinn, é o projeto: uma produção totalmente brasileira , rodada em julho de 1998 na cidade de Curitiba (PR).

O filme é o primeiro longa-metragem do diretor Ricardo Bravo, como também é o primeiro projeto da produtora LAZ Audiovisual, responsável pelo filme.

Ao meio-dia, começou a entrevista coletiva de Anthony Quinn, do diretor Ricardo Bravo, das atrizes Letícia Spiller e Gabriela Duarte, do músico Arrigo Barnabé e do produtor Rubens Gennaro.

Quinn disse que pelo fato do filme tratar de imigração sua participação não poderia ter sido mais acertada. "Quando decidiram fazer o filme buscaram um imigrante de todo mundo. E não há um mais de ‘todo mundo’ que Anthony Quinn", divertiu-se o ator. Quinn nasceu em Chihuahua, no México. Era filho de pais irlandeses e viveu toda sua juventude nos Estados Unidos.

Definindo-se como um imigrante - "Sou um imigrante vivo, aonde quer que vá, nos Estados Unidos, na Itália, na Grécia, aqui no Brasil" -, Quinn disse que não foi, no entanto, o fato de tratar de imigrantes italianos que o fez interessar-se pelo projeto do filme. "Interessaram-me muito os conflitos desse homem de 93 anos, sua busca da verdade e de um sentido da vida, sua devoção a um eterno amor." "Eu fiz o filme não porque conta a história de um imigrante mas porque fala de alguém mais velho do que eu", brincou Quinn.

Ele elogiou bastante os atores brasileiros. Disse que Paulo Betti é ótimo, mas os maiores elogios foram mesmo para "essas duas gracinhas aqui do meu lado" - e apontava Letícia e Gabriela.

Letícia retribuiu. Disse que trabalhar com Quinn foi uma experiência única.

Com sua história de vida e experiência no cinema, ele é um homem que tem muito a ensinar para quem está começando, como ela. Gabiela acrescentou que Quinn é um mito. "A gente tem a impressão de que os mitos são imaculados, vivem apenas na tela uma existência mágica; descobri que ele é um homem incrivelmente generoso, uma pessoa amorosa, simpática, que muito me ensinou; numa cena, ele improvisou o diálogo e aquilo me forçou a entrar no ritmo dele."

Questionado sobre o tema de Oriundi, a reencarnação, o ator foi objetivo: "É no renascer, a cada geração, que podemos ter esperança."

Amanhã, ele vai a Brasília para um encontro reservado com o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Perguntado sobre o que ele iria conversar com o presidente. Quinn, que não perde oportunidade de exibir o seu bom humor, disse que vão conversar sobre os grandes assuntos das finanças mundiais e a situação dos imigrantes no mundo todo. Depois, rindo, acrescentou: "Isso é segredo; na verdade, quero saber o que ele pensa sobre mim." E riu de novo.

Ele ainda não desisitiu de adaptar para o cinema o romance de Jorge Amado, Os Velhos Marinheiros. Depois de comprar os direitos, o script já está pronto, e ele encomendou o roteiro a um profissional de Hollywood. Nunca conseguiu interessar os executivos da indústria do cinema por esse projeto: "A única interessada é a Warner; gostaria muito de contar essa história; acho que são os profetas do nosso futuro; gostaria que Jorge Amado obtivesse mais reconhecimento do ele já tem, também no cinema - é um dos maiores contadores de história da atualidade."

Ricardo Bravo mantém contato com Anthony Quinn desde 1990. A relação começou quando o cineasta adquiriu por dois anos o direito do livro "Ardente Paciência", de Antonio Skármeta. O direito de compra foi concedido pela agente literária Carmem Ballcels. Bravo pensou no veterano Quinn para interpretar Pablo Neruda. O projeto não vingou porque o cineasta não conseguiu os US$ 250 mil para comprar, permanentemente, o direito autoral. "Ninguém acreditou que o filme pudesse fazer sucesso. Falei com produtores no mundo inteiro", alega. Quando estávamos trabalhando em ‘Oriundi’, pensei em Anthony", comenta. Bravo enviou um fax para o ator com o convite, que o aceitou imediatamente.

Arrigo Barnabé, músico responsável pela trilha sonora do longa-metragem disse: "Quando o Ricardo (Bravo) começou a falar que ia chamar o Quinn, nós achamos fantástico mas falávamos: ah, o Ricardo viaja. Nem nos meus sonhos mais ousados eu imaginava que iria pôr música num filme estrelado por ele", conta Barnabé.

De acordo com Bravo, "Oriundi" consumiu R$ 6 milhões em nove semanas de filmagens. A trilha sonora é de Arrigo Barnabé, que utilizou composições de W.A. Mozart e Heitor Villa-Lobos. O roteiro é assinado por Marcos Bernstein e a fotografia é de Toca Seabra.

oriundi.gif (1722 bytes)  Fotos da Festa

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Sobre o Elenco
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Anthony Quinn

Anthony Quinn nasceu em Chihuahua, México, em 21 de abril de 1915, de pai irlandês e mãe mexicana. Nos Estados Unidos desde criança, debutou no cinema em 1936, após curta experiência em teatro. No ano seguinte, casou-se com a filha adotiva de Cecil B. De Mille, Katherine, da qual se divuorciou em 1965. Apesar do poder do sogro em Hollywood e dos filmes dirigido por ele, Anthony Quinn, ao longo dos anos 40, só conseguiu papéis de ator coadjuvante. Nos anos 50, a montagem teatral de "Um Bonde Chamado Desejo", em que interpretou Stanley Kowalski, e o Oscar de melhor ator coadjuvante conquistado em "Viva Zapata!" (1952) deram-lhe grande notoriedade. Chamado à Itália por Federico Fellini, teve inesquecível atuação como o brutamontes Zampaño em "A Estrada da Vida". Um novo Oscar por "Sede de Viver" (1956) consolidou sua carreira cinematográfica, passando Quinn a desempenhar papéis principais, nos Estados Unidos e Europa, onde viveu muitos anos. Em 1964, desempenhou seu maior papel em "Zorba, o Grego", do qual foi também produtor associado. Sessenta e dois anos de carreira conferiram a Anthony Quinn um lugar único no cinema. Não é para menos. Ator camaleão por excelência, desempenhou com perfeição papéis de gregos, índios, italianos, norte-americanos, árabes e mexicanos. Ele, Kirk Douglas e Gregory Peck são os últimos sobreviventes de sua geração. Teve grandes diretores por trás de seus inúmeros filmes: Federico Fellini, David Lean, George Cukor, Raoul Walsh, Elia Kazan, John Ford, Vincente Minnelli, Nicholas Ray, Carol Reed. Contracenou com os maiores atores de todos os tempos, como Marlon Brando, James Mason, James Cagney, Henry Fonda, Kirk Douglas, Errol Flynn, John Wayne, Tyrone Power, Gary Cooper, Gregory Peck, Lee Marvin, Robert Ryan, Alain Delon, David Niven, Laurence olivier, Vittorio de Sica e outros. Por último, as mais belas mulheres do cinema trabalharam em filmes com Anthony Quinn: Carole Lombard, Marlene Dietrich, Rita Hayworth, Ava Gardner, Gina Lollobrigida, Sophia Loren, Silvana Mangano, Claudia Cardinale, Anna Magnani, Joan Crawford, Lana Turner, Barbara Stanwyck, Michèle Morgan, Ingrid Bergman, Jacqueline Bisset e Dominique Sanda.

Paulo Betti

Formado pela Escola de Arte Dramática da USP, foi durante sete anos professor do curso de teatro da Unicamp. Tem trabalhado proficuamente em teatro e TV, sendo um dos atores mais conhecidos do público brasileiro atualmente. Entre seu vários prêmios estão: "Governador do Estado", "Mambembe", "APCA", "Molière" e "Prêmio Shell". Em 1993 recebeu a bolsa "Distinguished Brazilian Artist Fellowship Fulbright".Seus principais trabalhos em cinema são: "Lamarca", "Jogo Duro", "Doida Demais", "A Fonte da Saudade", "Besame Mucho", "Dedé Mamata", "Ed Mort" e "Guerra de Canudos", episódios de "A Comédia da Vida Privada".

Letícia Spiller

Esta jovem carioca trabalha em teatro e TV desde criança. Atriz de personalidade, prefere papéis que ensinem e instiguem. Quer para si a imagem de uma profissional capaz de representar papéis tão diferentes que a tornem quase irreconhecível de um para outro. Em teatro, fez parte da carioca "Cia. de Teatro Grupo do Porão", e atuou com sucesso em "Pier Gynt", de Ibsen. Em cinema, além de , participou do longa "Villa Lobos – uma história de paixão", de Zelito Viana, e do curta "O Pulso", de José Pedro Goulart, atualmente selecionado para o festival de Miami.

Paulo Autran

Este paulista é considerado hoje o melhor ator teatral brasileiro, e é muito conhecido e admirado pelo público também pelas suas atuações na televisão. No cinema, trabalhou sob a direção de Glauber Rocha em "Terra em Transe". Ficou 18 anos sem filmar, após o que participou do filme francês "Vertigens", muito elogiado pela crítica do jornal "Le Monde". Recentemente atuou em "País dos Tenentes", de João Batista de Andrade, ganhando o prêmio de melhor ator no Festival de Brasília. Está no filme de longa metragem "Tiradentes", de Oswaldo Caldeira, e no média metragem baseado em conto de Machado de Assis, "O Enfermeiro", de Mauro Farias.

Marly Bueno

Atriz paulista, iniciou sua carreira na TV onde atua freqüentemente, passando depois para o teatro. Em cinema, sua primeira participação importante foi em "Na Senda do Crime", de Flamínio Bolini, produzido pela Vera Cruz. Mesmo com todos os problemas enfrentados pelo cinema nacional, Marly Bueno nunca afastou-se das telas, atuando em papéis destacados de vários filmes brasileiros nos últimos anos. Contracenou com Oscarito no último filme de sua vida, "Mulheres e Espiões", de Carlos Manga, e recentemente pode ser vista em "Sombras de Julho", de Marco Altberg.

Tiago Real

Gaúcho de 24 anos, Tiago Real é uma grata surpresa. Profissional do teatro desde 1993, atuou em adaptações de Frank Wedekind, Willian Shakespeare, Carlo Goldoni e Ítalo Calvino. Em 1996, estreou em cinema no longa-metragem "Lua de Outubro", de Henrique de Freitas Lima. Mas 1998 foi seu ano mais profícuo: além de , participou de 3 filmes de curta-metragem, 1 peça de teatro e 2 programas de televisão. Com certeza, é ator com uma carreira muito promissora. É esperar para ver.

Raquel Rizzo

Curitibana, atua em teatro desde 1983, e em cinema desde 1984. Participou de peças que excursionaram por todo o Brasil, com grande sucesso. Na Oficina de Atores da Rede Globo de Televisão, foi dirigida por Cécil Thirré, e esteve em programas de TV na própria Globo, e também na RAI UNO italiana. Em , teve sua primeira chance real de contracenar, em cinema, com atores de renome nacional e internacional.

Gabriela Duarte

Jovem e ambiciosa, GABRIELA DUARTE trabalha em teatro, cinema e TV desde criança. Não contente com a fama adquirida desde suas primeiras atuações na década de 80, vem se especializando continuamente. Em 1996 estudou no "The Lee Strasberg Theatre Institute" de New York. Após sua participação em Oriundi, foi chamada para protagonizar a minissérie "Chiquinha Gonzaga", dirigida por Jaime Monjardim para a Globo Network, "Chiquinha Gonzaga" foi suceso de público e crítica e levou os índices de audiëncia no horário a patamares há muito esquecidos. Gabriela Duarte está hoje em plena ascensão profissional.

Araci Esteves

Gaúcha, formada pela UFRG, atua em teatro desde 1966, e foi várias vezes premiada. No cinema, além de Oriundi, está no recentemente produzido "Anahy de las Misiones", de Sérgio Silva. Em 1997 recebeu o prêmio de melhor atriz e o troféu sruê, no Festival de Cinema de Brasília, e em 1998 o prêmio de melhor atriz, tanto no festival de Cinema de Recife, quanto no festival de Cinema de Trieste.

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