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Nome Oficial: Festival
International du Film de Cannes
Local: Cannes, França
Site oficial: www.festival-cannes.fr
Em 1946, a França saía da 2a. Guerra, com o desejo de
recuperar a tradição artística e a grandeza perdidas com a ocupação
nazista. Uma das formas encontradas para alcançar este objetivo, aliada
ao esforço de revitalização do turismo na Côte D'Azur, foi a retomada
do projeto de criação do Festival Internacional do Cinema de Cannes, que
havia sido abandonado quase sete anos antes.
Marcado para setembro de 1939, o primeiro festival foi atropelado pelos
acontecimentos que mergulharam a Europa e o mundo na 2ª Guerra. Mesmo
assim, o júri, que deveria ser presidido pelo pioneiro Louis Lumière,
ainda teve tempo de assistir em sessão privada a pelo menos um dos que
seriam os concorrentes daquele ano: O Corcunda de Notre Dame, de William
Dieterle, com Charles Laughton. Após o fim da guerra, o festival foi
inaugurado numa festa apoteótica em que Grace Moore cantou A Marselhesa,
marcando o início de uma nova era para a França.
Desde então, durante 15 dias a cada mês de maio, a cidade da Riviera
Francesa torna-se palco de uma luxuosa festa, sustentada tanto pela guerra
comercial entre os produtores, quanto pelos escândalos e manifestações
mundanas das grandes estrelas.
O começo foi marcado por percalços. Apenas dois anos após a sua
inauguração, o festival era cancelado por falta de verba. Em 1950 o
problema se repetiu. E até 1955 não havia um troféu para os vencedores:
a Palma de Ouro só seria entregue a partir de 1955.
As controvérsias marcaram os anos dourados da Croisette (a avenida
principal do balneário). Em 1959, a comissão de seleção recusou um
filme que provocou um verdadeiro terremoto ao passar nos cinemas de todo o
mundo: Hiroshima, Mon Amour, de Alain Resnais, redimiu-se ganhando o
prêmio da crítica. Naquele mesmo ano, françois Truffaut ganhou o
prêmio de direção por Os Incompreendidos.
La Dolce Vita, de Fellini, só ganhou o prêmio de 1960 graças à luta do
presidente do júri, o escritor Georges Simenon, para obter a unanimidade
de seus colegas. Em 1961, o jornal Osservatore Romano, do Vaticano,
condenou os anticlericais Viridiana e Madre Joana dos Anjos, os principais
premiados no festival, e o ministro da Cultura francês na época, André
Malraux, eliminou da competição O Ano Passado em Marienbad, por
considerar a obra-prima de Alain Resnais "destinada a um público
restrito".
Mas o divisor de águas foi o histórico Maio de 1968. A França era o
palco principal de boicotes e manifestações que se alastraram por todo o
mundo, inclusive pelo Brasil, exigindo uma nova ordem e o fim dos velhos
esquemas de poder.
Um grupo de cineastas, entre os quais Resnais, Jean-Luc Godard, Claude
Lelouch, Louis Malle, Roman Polanski e François Truffaut invadiu a sala
de projeção, pendurou-se nas cortinas e, proclamando a
"destruição das estruturas do festival", propôs o envio de
todos os filmes a Paris para serem exibidos gratuitamente. Em seguida, as
salas de Cannes foram ocupadas por trabalhadores da indústria
cinematográfica. O festival foi interrompido e não houve premiação.
Hoje, o tempo das polêmicas entre os críticos, dos topless das starlets
e dos filmes vetados por motivos morais ou políticos foi deixado para
trás. Ficou, porém, o status de mostra de cinema mais importante do
mundo, um título que retirou do Festival de Veneza - mais antigo, porém
esvaziado desde que se extinguiram suas premiações no final dos anos 60.
A mostra foi ganhando independência e importância, sempre tentando
descobrir e promover a produção de países dos quatro cantos do mundo,
especialmente depois que Gilles Jacob assumiu a organização do evento,
em 1978.
Entre as revelações do festival figuram o filme O Império dos Sentidos,
de Nagisa Oshima, escândalo mundial em 76, o cineasta indiano Satyajit
Ray, o iugoslavo Emir Kusturica, o alemão Volker Schlondorf, chineses
como Chen Kaige e a australiana Jane Campion, premiada por seu curta Peel,
em 1986, bem antes do sucesso de O Piano.
Cannes também consagrou Robert Bresson, em diversas premiações, Bergman
(Sorrisos de uma Noite de Amor, A Fonte da Donzela), Antonioni (A
Aventura, Blow Up), Tarkovski (Andrei Rublev, Solaris, Nostalgia),
Scorsese (Taxi Driver) e bancou a premiações que desagradaram ao
público, como Sob o sol de Satã, em 1987 (seu diretor, Maurice Pialat,
subiu ao palco sob uma chuva de vaias). Uma coragem que valeu ao festival
prestígio e a admiração de todo o mundo.

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